domingo, 29 de novembro de 2009

Ainda Sobre o "Novo Acordo Ortográfico"

Ainda sobre o Novo Acordo Ortográfico, e verificando que a minha tese, como era de esperar, não é defendida por muitos como por exemplo: Dr. Jaime Abreu, Dr. Vasco da Graça Moura, o conhecido e notável escritor, Dra. Rosalina Barbosa, e, tendo recebido desta última um comentário que de imediato agradeci e inseri no meu blogue, venho contender e responder:

“Minha cara Rosalina, o seu comentário oportuno e perspicaz não me convenceu. A comparação da língua portuguesa com a inglesa é demasiado utópica, se não vejamos: a língua inglesa é falada por 370 milhões de nativos e 750 milhões não nativos. Um quarto da população mundial fala inglês; os 53 Países da Comunidade Britânica, (Commonwealth), falam inglês; na Europa é a língua oficial n.º 1. Não são os 300 milhões de americanos que têm força para mudar ou prevalecer numa mudança de gramática a seu contento. O ‘British’ é demasiado inglês e poderoso para ser americanizado.”

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Novo Acordo Ortográfico

Há dias, estando eu a lanchar numa pastelaria da av. João XXI, mais propriamente na "Sabores21", uma pastelaria simpática e acolhedora onde costumo trabalhar com o computador, (esta pastelaria para além do acolhimento e dos deliciosos croissants, tem a vantagem de nos deixar sossegados e nos oferecer a possibilidade de ligação à Internet via "Wireless"), assisti a uma discussão entre dois clientes acerca do novo acordo ortográfico. Um a favor outro contra.
"Não concordo com a mudança", dizia um, "a abolição das consoantes nas palavras 'direção', 'ator', 'batismo', ação', etc. ", são brasileirismos que não me entram na cabeça." Concluía.
"Mas repara que a língua portuguesa é falada por mais de 200 milhões de pessoas e nós somos, aqui neste cantinho, apenas 10 milhões..." contestava o outro.
Pela idade deviam ser estudantes de uma Faculdade, provavelmente de letras. Aquele que discordava do novo acordo olhou-me como que a pedir a minha opinião. Sorri para ambos.
"Também a mim me custa a mudança; mais a mais que se escrevo de acordo com a nova ortografia, para além de sentir a falta dum acento, duma letra ou dum hífen, o corrector ortográfico acusa erro." Disse eu. "Todavia teremos que nos adaptar à nova ortografia; desde janeiro deste ano que está em vigor e em breve todos os computadores, dicionários, prontuários, etc. virão com actualizações dos novos conceitos e princípios fundamentais da gramática."
"Passaremos a escrever à brasileira?"
"Não é bem assim", respondi.
"Como não?" Retorquiu.
"A partir daqui haverá apenas uma língua escrita. A Língua Portuguesa. Toda a Comunidade de Países de Língua Portuguesa escreverá da mesma forma. Com uma única gramática e um só dicionário."
"A existência de duas grafias limita a dinâmica do idioma e os obstáculos têm surgido na literatura, no cinema, na imprensa e não só; nas propostas de negócios, na correspondência comercial, etc. Os oito países da CPLP, nas suas relações intracomunitárias, deparam-se com a dificuldade da forma como devem escrever."
"Mas deveríamos ser fiéis à Língua Pátria, à Língua de Camões", objectou o não concordante.
"E continuaríamos a escrever farmácia com 'ph', ou catorze com 'qu', ou outros arcaísmos"... acrescentei.
"Não estamos orgulhosamente sós, vivemos numa Europa onde o português é a 3.ª língua mais falada e a 5.ª no mundo. Não é aceitável que nos computadores ainda apareça 'português de Portugal e português do Brasil'."
"Recorde-se que existem quatro grande línguas nas relações internacionais: Inglês, Francês, Português e Espanhol. Não me recordo de ter visto em nenhuma delas 2 grafias, a não ser no Português. Não se pede que mudem a pronúncia; também aqui as temos do norte ao sul do País, um sem número de pronúncias distintas. O Brasileiro que continue a falar com as vogais bem abertas, mas a escrita essa, será a mesma; tal como o espanhol de Espanha e o espanhol da América do Sul ou das Caraíbas, com pronúncias distintas mas uma só escrita."
Os estudantes despediram-se com um agradecimento e saíram.
O mais velho, o discordante, não me pareceu muito convencido com a minha exposição.