quarta-feira, 26 de maio de 2010

À Dúzia é Mais Barato

Adoro cálculos e, devido a um e-mail recebido, propus-me fazer uns. Querem acompanhar-me neste raciocínio? No final verão a razão de tudo isto.
  • Um ano tem 365 dias, cada dia 24 horas, logo um ano tem 8.760 horas. Correcto?
  • Um motorista trabalha 40 horas por semana vezes 52 semanas que tem um ano, logo, trabalha 2.080 hora por ano. Não é verdade?
  • Estas 2.080 horas a dividir por 12 meses equivalem a 173,33 horas mensais.
  • Como um motorista trabalha 11 meses e descansa 1, logo 173,33 horas por mês vezes 11 meses, equivalem a 1.906,7 horas por ano que um motorista trabalha. Estão a acompanhar?
  • Agora reparem: se 1 ano tem 8.760 horas e 1 motorista trabalha 1.906,7 horas, quantos motoristas serão necessários para este serviço? É fácil, dirão vocês, basta dividir 8.760 por 1.906,7 e teremos 4,6 motoristas. Correcto?
«Mas para que precisas tu de um motorista 24 horas por Dia? Para um hospital?»
«Não, é para o Gabinete do Primeiro-Ministro» - Returco eu.
«Como assim? Para que quer o PM um motorista 24 horas por dia?»
«Não sei, mas deve querer, não um, mas muitos mais.»
«Estás a gozar connosco»
«Não, não estou. É verdade, o gabinete requisitou 12.»
«Mau, agora não percebemos. Estás a falar de quê? 12...? Uma dúzia de quê?»
«De motoristas. 12 motoristas requisitados para o gabinete do PM.»
«Não pode ser. Estás a brincar...»
«Acham que sim? Então consultem o Diário da República, II série, n.º 96 de 18 de Maio de 2010. Páginas 26931 e 26932. Mas eu facilito-vos o trabalho e dou-vos os nomes de cada um deles.»
«Aqui vão:»
Despacho n.º 8346/2010 - António José Oliveira Figueira
8347/2010 - Vítor Manuel Alves Pereira
8348/2010 - Vítor Manuel Gomes Ferreira Marques
8349/2010 - Augusto Lopes de Andrade
8350/2010 - Arnaldo de Oliveira Ferreira
8351/2010 - Jorge Morais Martins
8352/2010 - Jorge Orlando Duarte Vouga
8353/2010 - Jorge dos Santos Henriques da Cunha Teixeira
8355/2010 - Jorge Duarte Barroca Delgado
8356/2010 - Manuel Benjamim Pereira Martinho
8357/2010 - Paulo Horácio Pereira Fernandes
8358/2010 - Custódio Brissos Pinto
O Despacho n.º 8354/2010 que saltei, refere-se à designação da agente da PSP, Liliana de Brito, para exercer funções administrativas no Gabinete do PM.
Com isto termino, sem mais comentários, esperando voltar à vossa presença com um artigo mais divertido.
Um abraço

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Crise? Onde?

A frase: "uma imagem vale por mil palavras", nunca foi tão apropriada como neste momento. Não é meu hábito, não gosto e não pretenderia começar agora com politiquices. Todavia, este e-mail que acabo de receber nada tem de politiqueiro. Apenas fala numa realidade que dói, que custa, que arrepia, que revolta, que, que, e mais adjectivos que, porquê? Até quando? Vejam, apreciem, julguem, e meditem não é necessário comentários.
Um grande abraço para vós e acordem com um sonho de que um dia isto irá mudar para melhor. Sim, para melhor, para pior é impossível.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Um de muitos outros dias

Dedico este blogue a todos os meus amigos, em especial aos reformados e principalmente àqueles de quem o ócio se apoderou.

Acordei cedo. Talvez pelas sete da manhã. Levantei-me e fui para a sala ler. Há já um par de semanas que não abria o livro "O Cônsul Desobediente", uma biografia de Aristides de Sousa Mendes, romanceado pela autora Sónia Louro; a história dum cônsul português em Bordéus que concedeu cerca de 30.000 vistos para salvar outras tantas vidas das garras de Hitler, desafiando Salazar. Interrompi a leitura para ouvir o noticiário das 8, na TSF, retomando-a de seguida. Cerca das 10 liguei o PC. Li o correio electrónico. Respondi a dois e-mail. Dei uma passagem pelos jornais diários. As manchetes eram comuns: as eleições na Grã-Bretanha e a vitória do partido conservador; a notícia do deputado Ricardo Rodrigues e o furto dos gravadores dos repórteres da revista Sábado; a aprovação do empréstimo à Grécia; as cinzas do vulcão islandês a aproximarem-se do espaço aéreo português; etc. etc. Dei uma vista de olhos pelo jornal financeiro e verifiquei que a bolsa abriu a cair 2,98%, não por jogar na bolsa, mas porque esta é o termómetro da crise. O PSI 20 desceu 0,78%.

Meio-dia. Arranjo-me e tomo o pequeno-almoço. Volto para o computador e acabo uns mapas de que vou necessitar na próxima quarta-feira para a empresa onde sou administrador.

Meio dia passado, vou procurar ocupar a parte da tarde. Investigo na Internet a agenda de exposições. No CCB está uma de Joana Vasconcelos, porque não visitá-la?
Perto das 4 horas da tarde entro no CCB. Está repleto de crianças do 1.º ano ao secundário, havia-as de todas as idades. As professoras descreviam o que iam vendo e com uma atenção deslumbrante os alunos ouviam e perguntavam: quem era a Joana, o porquê daquele tipo de escultura, porque esculpiam um sapato com tachos e tampas de tachos...



(Pormenor dos tachos, panetas e tampas)

Tudo servia para questionarem. Com uma paciência de professora lá iam explicando o porquê das coisas, a arte e horas de trabalho despendidas com esta ou aquela escultura.

Por exemplo: esta cabina, outrora uma cabina de cobrança de bilhetes para uma feira, foi adquirida para, dentro da mesma, serem introduzidos dezenas de espelhos, colocados de formas irregulares, onde uma pessoa, dentro dela se vê fragmentada.


Esculturas de tricô, croché, elaborados durante anos, com paciência de artista ou objectos tais como espanadores, garrafas, blisters de comprimidos de "valium" ou "aspirina", tampões higiénicos, utensílios de todo o género. Tudo serviu para duma forma engenhosa elaborar umas esculturas que só à Joana Vasconcelos lembra.















São seis da tarde, regresso a casa. Antes de jantar visito a minha página do facebook, comento uma publicidade dum sobrinho meu (os seus famosos croissants), uma mensagem de uma amiga a convidar todos a embandeirarem as janelas com as bandeiras do Benfica (que bonito seria o País salpicado de vermelho).
São oito horas da tarde.
Vejo o telejornal.
Janto.
Abro o correio electrónico.
Envio mais uns e-mail.
Escrevo este blogue.
São duas da manhã.
Amanhã será um novo dia.
Deito-me com a certeza de que o dia seguinte será aproveitado em todos os minutos.