Numa
manhã, como todas as manhãs, Eurico, no escritório, agarrado ao computador, recebe
por correio eletrónico uma mensagem de uma amiga a marcar um encontro para essa
noite. Era uma mensagem romântica com promessas de reviver mais uma vez uma
noite de amor ardente e cheia de ternura.
Eurico,
homem casado, todavia mulherengo, não se coibia de algumas vezes de se entregar
à luxúria nos braços de outra mulher.
Após
recebida a mensagem, de imediato respondeu:
Olá
miúda. Já tenho saudades tuas. Logo vou amar-te como há muito o não fazia. Um
grande beijo e espera-me. Sempre teu. Eurico.
Após
ter inserido o destinatário, carregou no Enviar.
Uma
hora depois recebe o recibo de receção da mensagem proveniente de sua esposa.
Intrigado, investiga a causa. Revê o envio da mensagem. Por lapso, e pelo facto
do nome de sua esposa estar logo a seguir ao da sua amiga, seguiu a mensagem
para a sua mulher.
Era
tarde para desfazer o erro. Releu novamente a mensagem enviada. Felizmente não
constavam nomes comprometedores. Um dilema surgia. Não responder à amiga seria
a sugestão mais viável mas, que dizer à esposa?
Foi
pedir conselho ao colega íntimo:
«Alberto!
Olha o e-mail que recebi.» Disse
Eurico mostrando-lho.
«Estás
cheio de sorte.» Respondeu Alberto.
«Estou,
uma ova! Olha o que respondi.»
«Está
bem… uma resposta a condizer.»
«Sim?
E agora repara no recibo de receção.»
«Que
tem?»
«Vê
o remetente.»
«Ah!
É da tua mulher. Como aconteceu isso?»
«Enganei-me
e enviei-o para ela.»
«Ótimo!»
«Ótimo?»
«Sim.
Ótimo. Agora só tens de lhe telefonar e convidá-la para jantar fora. Inventas
uma história, que te apetece um jantar íntimo, que já há muito que não o fazes,
etc.»
Eurico
agradeceu a sugestão. Assim fez e por esta vez safou-se. Não voltaria a cometer
tal erro.