quarta-feira, 22 de abril de 2020

A IMPORTÂNCIA DA LETRA "P"


Paula Pereira, pintora, principiou por pintar painéis publicitários para partidos políticos. Pretendia progredir pintando paredes, porcelanas, para praticar, pinturas próprias personalizadas.

Paula parecia possuída pela pintura, pintando pessoas, personagens políticas, padres, progressistas, professores. Procurou pintores prestigiados, pintando-os. Pintava perfeitamente pedestres, passeando pelo passeio. Precisava possuir provimento para partir para Paris. Principiou por Portimão, Portalegre, principalmente pelo Porto. Pintou panfletos publicitários para promover-se pessoalmente. Propagandeava-se, pintando pelo próprio punho.

Partiu para Paris. Por prolongado período, passou privações, pernoitando por pensões paupérrimas.

Passeando pelas prestigiadas pontes parisienses, prometeu-se pintá-las. Promoveu-as publicando-as por periódicos populares, privados, promocionais. Percorria pelo próprio pé, pelos prados, planícies, para pintar paisagens, plantas, pores-do-sol. Propunha-se percorrer Paris, ponta-a-ponta. Pintava por paixão, por prazer. Próximo passo, prosperar para projeção própria, progredindo pintando perfis perfeitos. Pautava-se pela perfeição, prosseguindo placidamente, persuadindo pintores peritos para própria promoção.

Posteriormente presenteou pinturas para personagens poderosas, publicou próprias pinturas por periódicos principais. Prestigiou-se propositadamente para poder prosseguir, purificando-se pela pintura. Pulou para patamares públicos. Prudentemente provou produzir pinturas profissionais. Procurou primazia para preencher-se.

Procurou países prósperos, produziu pinturas pitorescas, picassianas, promovendo-se. Pulou para planos prodigiosos. Prosperou. Passou por personagem popular, procurada por pessoas poderosas, personagens prestigiadas.

Programou palestras, palestreou por principais palcos para povos preponderantes, promovendo pinturas, pintores.

Presentemente possuía possança, principalmente por portugueses. Patriótica, partiu para Portugal, procurando parceiro para passar período prolongado, por paixão. Pretendia pai para próprios pequenotes. Presentemente possuía pequeno palacete próximo Prazeres.

Pedro Pimental, personagem próspera, pessoa provida, proprietário poderoso, possuía propriedades. Pareceu-lhe próprio para pai, para protegê-la. Prestar presença por paixão, por predileção.

Presentemente, Paula passa prolongados períodos pintando próprios pequeninos. Pedro Pimentel prestava-se perfeitamente para Paula, procurando proteger Paula, próprios pimpolhos, por paixão.

Principiou prolongada paixão pura, para Paula, para Pedro, para próprios pequeninos.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

DIÁLOGO NO ELEVADOR


Ele: - «Faça o favor…»

Ela: - «Obrigada.»

Ele: - «Que andar?»

Ela: - «4.º»

Ele: - «Eu também, é familiar do sr. Leonel?»

Ela: - «Não, o sr. Leonel foi quem me vendeu o apartamento.»

Ele: - «Mas…»

Ela: - «Que se passa?

Ele: - «Elevadores velhos, volta e meia, zás, uma paragem.»

Ela: - «E agora?»

Ele: - «Não se preocupe, carregamos no alarme e o administrador resolve o problema.»

Ela: - «É habitual?»

Ele: - «Sim, volta e meia… vá lá que ao menos desta vez ficámos com luz.»

Ela: - «Mas… ninguém aparece?

Ele: - «Provavelmente não está em casa. Vou telefonar-lhe. Espero que tenha rede aqui dentro.»

Ela: - «Não há mais ninguém que nos ajude?»

Ele: - «Infelizmente não. Neste prédio a maioria são viúvas reformadas.

Senhor Fonseca? Ficámos trancados no elevador. O quê? Bonito… ok, ok.

Ela: - «Que aconteceu?»

Ele: - «Está no Porto, volta só amanhã.»

Ela: - «E agora?»

Ele: - «Dormimos aqui.»

Ela: - «Não brinque… ligue para os bombeiros.»

Ele: - «É claustrofóbica?

Ela: - «Felizmente não, mas dormir num elevador…»

Ele: - «Vou ligar para a assistência dos elevadores, espero que não estejam em greve.»

Ela: - «Ó senhor… desculpe, como se chama?»

Ele: - «Sousa. César Sousa.»

Ela: - «Senhor Sousa, por favor, ligue lá para o homem do elevador, são sete horas e ainda vou fazer o jantar.»

Ele: - «Senhor Sousa, sou no escritório, para amigos sou simplesmente César… e que tal se mandássemos vir uma piza?»

Ela: - «Senhor César…»

Ele: - «César, sem senhor.

Boa Noite, sou o condómino do 4.º direito. Estamos trancados no elevador... não, está no Porto… ok, que remédio, até já.»

Ela: - «Que foi agora, César?»

Ele: - «Está no Cacém. Logo que se despache, vem, mas com o trânsito a esta hora na IC 19…»

Ela: - «Logo hoje…»

Ele: - «Logo hoje porquê? Tinha onde ir?»

Ela: - «Não, mas estou cheia de fome.»

Ele: - «Quer uma piza?»

Ela: - «Não gosto, nas com a fome que tenho… não almocei e comia-a de boa vontade.»

Ele: - «Isabel… há quanto tempo vive aqui? Nunca a vi antes, embora seja minha vizinha.»

Ela: - «Há 15 dias.»

Ele: - «Ah, bem me parecia. A Isabel o que faz?»

Ela: - «Sou decoradora, trabalho numa empresa de móveis.»

Ele: - «Curioso...»

Ela: - «Curioso por quê?»

Ele: - «A minha ex., também o era.».

Ela: - «É divorciado?»

Ele: - «Não, sou solteiro, a minha ex. namorada.»

Ela: - «Zangaram-se?»

Ele: - «Quer dizer… acabámos, feitios iguais, sagitarianos… nunca se deram.»

Ela: - «Qualquer dia fazem as pazes.»

Ele: - «Dificilmente. Fomos 6 meses felizes. Tentámos mais um tempo, mas acabámos por nos convencer que o fim era o melhor.»

Ela: - «Segue-se pelos signos?»

Ele: - «Oh, não. Não ligo a isso, é um antilogismo que não merece ser levado a sério.»

Ela: - «Tenho um primo afastado, sagitário, uma joia de rapaz, mas com um feitiozinho…»

Ele: - «Todos temos “um feitiozinho”. E a Isabel, de que signo é?»

Ela: - «Afinal… sempre liga os signos.»

Ele: - «Pura curiosidade.»

Ela: - «Ouviu?»

Ele: - «O quê?»

Ela: - «Pareceu-me ouvir tocar uma campainha … que horas são?»

Ele: - «8 e 45.»

Ela: - «Há quase 2 horas que aqui estamos.»

Ele: - «O tempo passou depressa. Estava tão bem acompanhado…»

Ela: - «Diz isso porque não deve ter fome.»

Ele: - «Por acaso tenho…»

Voz: - «Já vos tiro daí.»

Ela: - «Repare… já estamos a descer. Finalmente.»


Ele: - «Libertados... Isabel, por certo não vai fazer jantar a esta hora… permita-me que a convide para me acompanhar no jantar.»

Ela: - «Dada a hora, aceito, mas com a condição de pagarmos a meias.»

Ele: - «Ok…»

Ela: - «Se não se importa dê-me 5 minutos. Tenho de ir a casa num instante.»

Ele: - «Tudo bem, aproveito vou também a casa, mas vou a pé.»

Ela: - «Sim, sim, não arrisco. Vou também pelas escadas. Bato-lhe à porta quando estiver pronta.»



Ela: - «Desculpe a demora, não resisti a um duche.»

Ele: - «Mas, mas, onde vamos jantar?»

Ela: - «Aqui perto, estamos rodeados de bons restaurantes.»

Ele: - «Mas… mas… que bem Isabel. Com esse vestido, parece uma estrela de cinema.»

Ela: - «Que exagero, César.»



Ele: - «`Peixe ou carne?»

Ela: - «Escolha o César, com a fome que estou… tudo o que vier eu como.»

Ele: - «Aqui, servem um bife com pimenta que é uma delícia.»

Ela: - «Costuma cá vir?»

Ele: - «Às vezes, sim. Gosta de bife?»

Ela: - «Sim, mas muito mal passado.»

Ele: - «Eu também, de outra forma não o como.»

Ela: - «Oh, César, porque me olha assim?

Ele: - «Desculpe, Isabel. Estava tão absorto… pensei estar no céu com um anjo a olhar-me… permita-me que lhe diga, a Isabel é muito bonita, deve ter namorado e eu aqui a olhá-la… por favor não me leve a mal.»

Ela: - «Obrigado, César, pelo galanteio, mas considero-me uma mulher normal, além disso, se tivesse namorado, não estava aqui sentada consigo, a jantar, mas, mal o conheço.»

Ele: - «Perdoe-me, mas…»

Ela: - «César, por favor… não me interprete mal. Gostei do seu galanteio, foi simpático, mas fale-me de si…»

Ele: - «Lá vai: nasci há 32 anos, licenciei-me em gestão, sou romântico, meigo, tenho uma pequena empresa de publicidade e quando tiver um cliente de um produto de higiene oral, convido-a para meu modelo e…

Ela: - «Hahaha…»

Ele: - … hoje conheci uma mulher maravilhosa.»

Ela: - «Oh, César… não me envaideça. Tontinho.»



Ele: - «Obrigado pela sua companhia, nunca tão bem me soube um jantar.»

Ela: - «Fico-lhe em débito um jantar, quando não tiver companhia, telefone-me, prometo-lhe um jantar à luz de velas… em minha casa… ah… o jantar será confecionado por mim… uma SAGITARIANA.