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| Rio Minho. Ao fundo Monte de Santa Tecla. Espanha. |
É
tempo de férias. Este ano ponderei e, em virtude do subsídio das mesmas ter ido
de férias, fi-las cá dentro. Provavelmente teria gasto menos indo para o sul de
Espanha ou mesmo para as Baleares, mas há que ajudar o País a minorar a crise,
ajudando a indústria hoteleira e restauração portuguesas. Escolhi o Norte.
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| Passadeiras em madeira para as praias |
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| Caminha |
Há
mais de dez anos que não visitava Caminha no Alto Minho. Tudo na mesma,
felizmente, comparando com a evolução algarvia,
onde o cimento e betão armado têm progredido de tal forma que qualquer dia o
Algarve com o peso afunda no Atlântico; mas, como dizia, tudo na mesma, felizmente, sim tudo na mesma. Não há cimento novo
nem caixotes habitacionais implantados à beira rio ou no interior. O hotel é o
mesmo ligeiramente remodelado; na praia fluvial ou marítima, não há barracas
nem novos
restaurantes.
As melhorias destas praias da foz do rio Minho foram apenas as passadeiras em
madeira, que nos levam às praias fluvial ou márírima, evitando assim a travessia pelo maravilhoso pinhal que separa a marginal das praias; em vez de hotéis no areal foi criado um parque de campismo; os novos restaurantes, bares, discotecas, tavernas típicas, hotéis e outras infraestruturas turísticas foram criados nas casas existentes, muitas delas do século XVI ou XVII.
O Alto Minho não é só Caminha. Num raio de vinte e poucos quilómetros as atividades diurnas e noturnas para os mais jovens cresceram. Para os mais velhos, turistas e emigrantes, as festas, romarias, artesanato, feiras, música, teatro, restaurante onde a gastronomia nos faz engordar, abundam. De Valença até Vila Praia de Âncora, passando por Vila Nova de Cerveira famosa pela sua bienal, Lanhelas, Seixas, Vilar de Mouros conhecido internacionalmente pelos seus festivais de música, Moledo, as suas praias fluviais límpidas, como por exemplo a Azenha no rio Coura, em Vilar de Mouros, encantam-nos. As montanhas, a Mata Nacional do Camarido, dezenas de miradouros com destaque para a harmoniosa Serra d’Arga nos seus 770 metros de altitude, miradouro da Senhora das Neves ou miradouro do Calvário, o monte de Faro perto de Valença, de onde poderá avistar toda a vila e, na margem direita do Minho, a vila fronteiriça de Tui em Espanha. Os visitantes mais radicais poderão usufruir de passeios pelos rios em caiaques ou canoas, participar nos trilhos pedestres ou percorrer as ecovias, a pé ou de bicicleta.
No
concelho de Caminha com as suas 20 freguesias, poderão ainda apreciar as suas muralhas do século XVII, a torre do relógio do século XV, o chafariz no centro da
vila do século XVI; o seu artesanato de rendas, bordados, cestaria em vime ou arte
em cobre. O turismo rural abunda nesta região.
Em
resumo: umas férias higiénicas, apelativas, longe da azáfama cosmopolita e onde
poderá degustar as especiarias da região a preços atrativos. Finalmente um conselho:
faça férias cá dentro, conheça o
nosso País.