domingo, 26 de janeiro de 2014

Desejos concretizados


          Reabriu a Estufa Fria, localizada ao cimo do Parque Eduardo VII em Lisboa, é um local aprazível, principalmente no Verão. Os mais de 8.000 m2 pejados de flores exóticas, o ambiente primaveril, o cheiro que as plantas emanam, fazem daquele lugar um Éden. A cobertura em ripas de madeira, protege aquele local do frio do inverno e do escaldante sol estival.
          Várias vezes a visitei e nunca me cansei das horas ali despendidas. Visitei-a pela última vez há uns três anos. Acompanhado pela minha mulher, meu irmão e minha cunhada, a Heliana, para mim, carinhosamente a Kika, comentei com a empregada: «Pena não haver neste maravilhoso espaço um local de restauração e lazer.»
          Pouco tempo depois encerrou para obras e o meu desejo foi realizado.
 
           A Revista trimestral “LISBOA”, (distribuição gratuita, da CML), no seu último número, informa a sua abertura.

            Não resisto e transcrevo a notícia.

 
 
A Estufa Fria tem um novo espaço para eventos
 
A Estufa Fria de Lisboa conta, desde o passado mês de outubro, com um novo espaço de restauração  e lazer, sob a responsabilidade da Casa do Marquês, entidade que venceu o concurso para concessão e exploração daquele espaço.
Recentemente requalificada e aberta ao público, a Estufa Fria de Lisboa constitui um dos ex libris da capital. Inicialmente pensada apenas como abrigo para plantas, é atualmente um dos espaços verdes mais aprazíveis da capital, onde se podem desfrutar agradáveis momentos entre    lagos, cascatas, regatos, obras de estatuária e centenas de espécies de plantas exóticas,   oriundas de todo o mundo.

 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Os Gémeos


            A propósito do nascimento de gémeos no final do ano, tendo um nascido segundos antes da meia-noite e outro depois da meia-noite, o embaraço que iria ser num futuro próximo. Nasci em 2013 e o meu irmão em 2014, somos gémeos.          

 
            Um canal de televisão deu a notícia mais ou menos assim:
           «O primeiro bebé nascido em 2014 nasceu passava uns segundos da meia-noite. A mãe, de gémeos, deu à luz o primeiro bebé uns segundos antes da meia-noite…»

 
            Um jurista deu a mesma notícia da seguinte forma:           
          «Deu entrada na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, ao 31 de dezembro do ano de dois mil e treze, Maria Fernanda da Conceição Fernandes de Albuquerque, portadora do Bilhete de Identidade, n.º 345654438, passado pelo Arquivo de Identificação de Lisboa.
            Artigo 1.º - A puérpera acima mencionada gerou dois gémeos.
            a) O primeiro nasceu uns segundos antes da meia-noite e o segundo depois da meia-noite.
            b) Uma vez que um nasceu em 2013 e o segundo em 2014, será aquele estabelecimento de Maternidade obrigado a passar certidão de nascimento com hora e data de nascença das crianças.
            c) Como se poderá verificar, sendo os bebés gémeos, dificilmente poderão dizer-se de gémeos, uma vez que nasceram em anos diferentes.
            d) Cabe à judicatura pronunciar-se sobre este vulnerado caso.»
  

 
            A notícia dada pelo gabinete do Ministério das Finanças:
            «O caso da mãe que deu à luz dois gémeos na passagem do ano e, como nasceram com diferença de alguns segundos, tendo um nascido no dia 31 de dezembro e outro no dia 1 de janeiro, não obsta que tenham nascido em anos diferentes. Nestas circunstâncias pedem os pais para que seja dada a mesma data de nascimento a ambos, prometendo recorrer a tribunal e, caso seja preciso recorrer da sentença se negativa, para o Supremo.
            Este caso poderá levar anos e custos que prevejo de alguns milhões, que sairão do erário público.»         


 
            Outra notícia sobre o mesmo caso, mas desta vez de um psicólogo:
            «O facto das crianças gémeas terem nascido em anos diferentes, poderá ter consequências para as crianças, não só psíquicas como também éticas. Os pais poderão igualmente sofrer danos morais irreparáveis.
            Como vão, não só as crianças como também os pais, dar a conhecer a todo o mundo que um nasceu em 2013 e outro em 2104, mas todavia são gémeos? É um caso que vai obrigar toda a família a recorrer a psicólogos, hospitais e talvez a hospícios.»

 
            A notícia vinda de um deputado:
            «É um caso que provavelmente irá ser discutido na Assembleia da República e provavelmente irá ser decretada uma lei que proíba todas as mães de darem à luz gémeos entre as 23 horas e a meia-noite.»

 
            Uma outra notícia vem em um periódico algures no Alentejo:
            «A Maria pariu 2 gémeos.»

 
            Depois de analisadas todas estas notícias, decidi-me ir visitar os recém-nascidos. O que presenciei foi o motivo deste meu blogue.
            Os dois bebés olhavam-se e sorriam. Embora no mesmo berço, tinham lençóis distintos. O mais afoito olha o outro e exclama:
            «Olá, eu sou menino, e tu?»
            «Não sei!» Responde o outro.
            «Vê e diz-me.»
            «Como?»
            «Levanta o lençol e vê.»
            O outro, depois de levantar várias vezes o lençol exclama. «Não sei ver.»
            «Espera um pouco que eu vejo.» Disse o primeiro enquanto gatinhava pelo berço e levantava o lençol.
            Muito corado e medo disse: «tu és uma menina.»
            «Como viste?»
            «Tens sapatinhos cor-de-rosa.»