quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
O Concerto
domingo, 12 de dezembro de 2010
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
A Herança
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Os Quatro em Três Camas
sábado, 27 de novembro de 2010
A Secretária
Oito e trinta da manhã, hora habitual de chegada ao escritório, Hélder Ribeiro lê as manchetes do dia, bebe um café e dirige-se para a sua secretária. Sobre ela estão três montinhos de cartas, currículos trazidos do jornal.
O primeiro monte de 7 cartas, último a ser recolhido, é analisado sem ser aberto. 5 dessas cartas não traziam selo pelo que teriam sido entregues ao balcão do jornal. Foram rasgadas sem serem abertas. Porquê ler cartas de pedido de emprego se só foram entregues três dias após a publicação do anúncio? Abertas e lidas as 2 restantes que foram enviadas por correio, verificou que uma delas se referia a uma candidata, cuja morada não distava muito longe da redação do jornal. De imediato foi para o lixo. Não podia aceitar que alguém, morando perto do jornal, necessitando de emprego enviasse a sua candidatura por correio, quando a poderia ter entregue dois dias antes. A última... que lástima erros ortográficos não faltavam. O primeiro grupo estava resolvido.
Depois de atender uma ou duas chamadas pegou no segundo grupo de cartas, as que tinham sido entregues no dia subsequente à publicação, as 18. Primeira escolha: 5 dessas cartas tinham sido feitas em computador. O anúncio pedia cartas manuscritas; lixo. 10 não traziam fotografia. As restantes 3 não testemunhavam muito a favor de quem as escreveu. Mais um grupo jazia no cesto dos papéis. Agora apenas faltava o último grupo, o maior, as 62, a ser examinado. As primeiras foram fáceis: falta de pontuação, frases sem nexo, letra indecifrável, erros de ortografia ou de sintaxe eram vulgares e mais de metade foram fazer companhia às outras no cesto dos papéis. Restavam 28 que teriam de ser lidas e apreciadas em pormenor. Tinha tempo, depois de almoço seriam dissecadas.
O mês de julho chegara quente e Hélder Ribeiro queria que alguém o substituísse nas suas férias de setembro. Necessitava urgentemente de uma secretária. Tinha já as férias marcadas para a Tailândia, eram 2 horas da tarde e queria resolver o problema da empregada.
Sentou-se à secretária e abriu as 28 restantes cartas amontoando-as em duas pilhas: à direita as que tinham uma letra fina, legível e agradável e bem elaborada; à esquerda as que apresentavam letra regular, não rebuscada, vulgar e despretensiosa e com as melhores aptidões. Pelo meio ia enviando para o cesto de papéis, umas porque a fotografia enviada demonstrava falta de recato, havendo mesmo uma que enviara uma foto em biquíni, outras porque vinham perfumadas ou escritas em tinta cor de rosa.
No lado esquerdo ficaram 3 cartas. No lado direito restavam 4. Por razões óbvias escolheu as da esquerda e deitou fora as da direita.
«Restam três» pensou, «as melhores, uma delas seria a eleita».
Apenas faltava o contacto pessoal, seria o exame "oral". Iria telefona-lhes de imediato e marcaria as três entrevistas para o dia seguinte: Amélia Rodrigues às 9:00, Maria José às 10:00 e Fernanda Lourenço às 11:00.
«Senhor Hélder, está aqui a D. Amélia Rodrigues,» anunciou a empregada, eram 9:10 da manhã.
«Mande entrar, Carolina»
Hélder Ribeiro arregalou os olhos, seria possível? À sua frente via uma vampe, parecia uma "estrela" de cinema. Minissaia, um generoso decote e um ondulante andar.
Estendeu-lhe a mão e apresentou-se: «Hélder Ribeiro.»
«Amélia Rodrigues,» apresentou-se ela por sua vez numa pequena vénia «desculpe o pequenino atraso, mas este trânsito...»
«Não tem importância, compreendo» interrompeu Hélder sem concordar minimamente.
Meia hora depois e após a sua apresentação, Hélder informa:
«Como deve calcular tenho outras candidatas ao lugar ou melhor, tenho mais duas.»
«Ah, sim com certeza.»
«Provavelmente marcarei com vocês as três um almoço ou um jantar para ultimarmos todos os pormenores.»
«Todas juntas.»
«Oh! Não. Prefere almoço ou jantar?»
Amélia Rodrigues, cruza os braços e debruça-se sobre a secretária, realçando ainda mais o seu peito e numa voz quente e sensual declara: «prefiro jantar... à luz das velas.»
Hélder levanta-se, estende-lhe a mão e informa: «em breve terá notícias,» disse, despedindo-se dela.
Amélia, de costas saracoteando as ancas, sem se voltar dá-lhe um aceno de adeus por cima do ombro.
Hélder murmura para si próprio: «ganharias mais como acompanhante de luxo».
Senta-se à secretária, pega na carta de Amélia e num isqueiro, acende-o e por cima da chama coloca a carta de Amélia.
Aguarda pela segunda candidata.
Maria José chega às 10 em ponto. Apresenta-se. É uma interessante mulher, com um vestido justo, mostrando os contornos de um corpo perfeito. Tem 38 anos embora não pareça. As suas habilitações e conhecimentos são na realidade satisfatórios. A Hélder agradou e pareceu-lhe ter conseguido o que pretendia, mas ainda faltava receber mais uma candidata. Procurou testá-la num convite.
«Maria José, não lhe posso garantir o lugar em virtude de ter mais uma candidata a entrevistar. Provavelmente teremos de marcar um almoço ou um jantar para acertarmos mais uns pormenores.»
«Por mim tanto faz, almoço ou jantar, sou livre.»
«Ok, Maria José, voltaremos a falar.»
«Falta uma,» pensou Hélder e aguardou pelas 11 horas.
Fernanda Lourenço era aquilo que se pode chamar uma estampa de mulher. Vestia um fato cinza claro, sóbrio, por baixo uma camisa branca ligeiramente decotada, deixando adivinhar um peito perfeito. Parecia uma executiva.
«Fernanda Lourenço,» apresentou-se ela a Hélder, com com vigoroso aperto de mão. Hélder olhou-a nos olhos e verificou o embaraço de Fernanda. Era muito bonita, com uma longa e negra cabeleira. Os seus olhos azuis contrastavam com a sua tez morena. Parecia um pouco nervosa.
«Que idade têm?» Perguntou Hélder.
«Tenho 29» respondeu Fernanda.
«Ah, bom, pensei que fosse menor» disse Hélder sorrindo.
Após meia hora de conversa, reconheceu que os seus conhecimentos e capacidades intelectuais e empresariais eram sem dúvida bastante elevados.
No final da entrevista, e para não fugir à regra, convidou-a para almoçar ou jantar. O embaraço de Fernanda foi total. Gaguejou, tossiu, mas lá se resolveu a dizer: «preferia o almoço, senhor Hélder».
Hélder tinha conseguido o que queria. Era uma mulher assim que idealizava.
Trinta dias depois estavam casados.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Mariana e Pedro no Paraíso
Era uma vez um casal, a Mariana e o Pedro, os Sousas, que viviam numa aldeia, uma aldeia como muitas aldeias, com terreno para amanhar, gado para o pastoreio, árvores para podar e frutos para colher. As poucas centenas de habitantes daquele lugar viviam desafogadamente, sem luxos claro, mas sem necessidades visíveis; a Mariana e o Pedro eram dos poucos que não tinham um bocadinho de terra para amanhar e semear. «Poderíamos ser felizes, não fora a ambição deles...» dizia o Pedro.
«Sim, se o Adão não tivesse comido a maçã...» dizia ela.
«Se a Eva não lha tivesse dado...» dizia ele.
E passavam horas a atribuir culpas, ora a Adão, ora a Eva.
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«Pensei na Mariana e no Pedro para essa tarefa; claro que serão recompensados.»
Mariana e Pedro olharam-se com um ar tão espantado que não articularam palavra de estarrecidos que estavam.
Nessa noite mal dormiram fazendo conjeturas de quanto iriam ganhar, certamente não seriam os mesmos 400 euros que cada um ganhava. Seria que iriam para lá morar? Comeriam da despensa do senhor D. Salomão? Se assim fosse tudo o que ganhassem seria para vestir e amealhar.
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«Sim, agora és o capataz. O senhor D. Salomão vai ter uma reunião com todo o pessoal e teremos de estar presentes. Seremos os seus novos patrões.»
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Cerca de quatro meses após a partida de D.Salomão, a Mariana continuava a cismar com o conteúdo da enigmática arca. Que mal poderia advir se ela espreitasse? As dobradiças eram novas, não tinha fechadura, era só levantar um pouquinho o tampo e espreitar. Pena era que o marido não colaborasse, teria de o convencer. Mas como?
Não aguentava mais, tinha de ser hoje, esperaria pelo marido e à noite desvendariam o mistério.
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«Pedro! Abri a arca, não tem nada dentro.» Mentiu Mariana.
«Tu és doida mulher, como foste capaz de fazer isso?»
«Não percebo porque não deixa o senhor D. Salomão mexer numa arca vazia...»
«Tens a certeza que está vazia?»
«Tenho, marido; queres confirmar?» E agarra-lhe no braço puxando-o para o hall. «Vê com os teus próprios olhos»
Pedro agacha-se e a medo levanta a tampa.
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No mesmo instante entra em casa o senhor D. Salomão que de imediato lhes aponta o dedo na direção da porta, gritanto: "PONHAM-SE NA RUA IMEDIATAMENTE."
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A estória de Adão e Eva repetiu-se e voltará a repetir-se.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Noite de Natal Inesquecivel
Há longos anos, talvez em meados dos anos 50, numa noite de Natal, estávamos eu e minha mãe, sozinhos.
Como sempre, uma árvore de Natal e um presépio não faltavam nunca na nossa casa, nem nesse ano; mas faltou o calor da família, do Zé Maria, do Toninho, (meus irmãos), do pai, da tia Eduarda e do primo Francisco. Estávamos sós; sós e tristes, afinal era noite de Natal. Por que todos nos tinham abandonaram naquela noite?
Apanhámos um elétrico e saímos no Rossio. Passeámos pela rua Augusta e parávamos para ver as montras; entrámos numa loja de roupas. A mãe comprou não sei o quê, pagou e saímos. Descemos essa rua e seguimos para a rua da Madalena. Entrámos na igreja da Madalena. Ali ficámos uns momentos. A minha mãe rezava e chorava.quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Sê Feliz Onde Quer Que Vivas
Pouco mais de uma dúzia de banhistas, na sua maioria estrangeiros, banhava-se nas águas quentes de Copacabana. Uma grande parte dos veraneantes, estrangeiros e não só, corriam ou passeavam no "calçadão". Um rapazola mulato, sob um guarda-sol, oferecia aos passantes as suas bebidas frescas, resguardadas do calor numa mala térmica.
Vivia numa favela, no morro do Corcovado. A namorada, uma brasileira bonita e bem constituída, empregada de balcão numa loja de roupa de senhora, no centro do Rio de Janeiro, vivia com os pais numa casa próximo da praia da Tijuca.segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Aposentação
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Escrever, apenas escrever
Há uns dias atrás um leitor dos meus blogues, (não se identificou por isso não sei o seu nome) escrevia-me: «também gostava de escrever, mas não sei o quê, nem como começar.» Respondi-lhe pelo meu blogue, não sei se leu, que escrevesse qualquer coisa, mesmo sem assunto, mas que escrevesse aquilo que lhe ia na alma, mas que escrevesse.
Hoje, após algum tempo de interregno, no meu blogue claro, resolvi, tal como lhe tinha dito, escrever: escrever por escrever, mesmo sem assunto, mas escrever. Espero que este leitor leia este blogue e se entusiasme.
Não sei ainda o que daqui vai sair mas tão pouco Interessa, O principal é escrever, desde que não sejam disparates, asneiras, maldizeres, imbecilidades, cretinices tudo nos é permitido.
Poderemos escrever sobre o que se passou hoje, ontem ou na semana passada, poderemos escrever sobre aquele telefonema que recebemos ou que fizemos; da conversa no café com o nosso amigo ou pura e simplesmente descrever o dia passado no trabalho ou das notícias lidas e ouvidas; a propósito: têm ouvido o folhetim "Carlos Queiroz"? Aquele senhor do futebol que disse palavrões e mandou uns senhores da brigada antidoping para a c... da mãezinha deles? Temos de concordar que não é bonito, que não fica bem a um senhor que seleciona a equipa nacional de futebol, dizer palavras feias, palavras injuriosas, palavras que nem eu, que não sou selecionador de uma equipa de futebol, seria capaz de dizer.
Se estiverem com o senhor Queiroz, digam-lhe por favor que não me leve a mal; mas eu corroboro com o senhor Laurentino Dias, digníssimo Secretário de Estado do Desporto e na decisão da pena a aplicar de seis meses de suspensão a que está sujeito. Como amigo do senhor Queiroz, eu dar-lhe-ia mais seis meses ou ainda mais; mas como não sou da Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP)... todavia acho por bem que tencione apresentar recurso no Tribunal Arbitral do Desporto e, com um pouquinho de sorte, se não disser mais palavrões, poderá ser que a pena lhe seja reduzida de seis meses para cento e setenta e nove dias.
sábado, 3 de julho de 2010
A EDP e a Cultura
POVO - assim se chama a exposição.
Dividida por meia dúzia de salas onde a "Política", "Trabalho", "Habitação", "Consumo" e "Sociedade", estão patentes, mostra-nos não só a arte do povo e para o povo, como também textos literários e frases (sloganes) que fazem parte da história, como estas:
- o POVO é sereno;
- o POVO é quem mais ordena;
- diz-me quem és;
- ganharás o pão com o suor do teu rosto;
- casas do POVO;
- queres fiado? Toma!;
- se isto não é o POVO, onde é que está o POVO?
Maria Eugénia Cunhal, Fundação Calouste Gulbenkian, EDP, Museo Extremeño Ibero Americano Arte Contemporaneo (MEIAC) -Badajoz, Casa das Histórias Paula Rego, Museu Nacional Soares dos Reis, Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, etc., etc. Estes são alguns dos coleccionadores que emprestam à galeria as suas obras, tornando este espaço num lugar de cultura, ócio e prazer.
...............
Esta exposição, tal como deveriam todas ser, é de entrada gratuita. Um POVO, para além do seu PIB, mede-se também pela sua cultura, pelos seus conhecimentos. A cultura não vem da escola. A cultura não se estuda, adquire-se. O acesso às bibliotecas, exposições, colóquios, palestras, deveriam ser todas com entrada livre.
«A cultura é tudo aquilo que resta depois de se ter esquecido tudo o que se aprendeu.»
Frase da novelista sueca Lagerlof, Selma (1858-1940)
quarta-feira, 23 de junho de 2010
José Saramago
sábado, 19 de junho de 2010
1910 - 2010
Um outro filme numa outra sala e o Escudo Nacional focado por um projector. Os rostos de 4 dos revolucionários do 5 de Outubro: José Relvas; António José de Almeida; Cândido dos Reis e Miguel Bombarda, nomes sobejamente conhecidos como nomes de ruas, largos ou hospitais.
Uma exposição a não perder por aqueles que gostam de história.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Neologismos
Desapareceram dos comboios como 1. ª e 2. Classes ª, parágrafo nao Ferir uma susceptibilidade das Massas sociais hierarquizadas, MAS Por imperscrutáveis Necessidades de Tesouraria continuam cobrar-se uma precos NAS classes Distintos "Conforto e Turística".
Do MESMO modo, e parágrafo Felicidade dos encarregados de Educação, OS Brilhantes Programas escolares extinguiram OS Alunos cábulas, os tais Estudantes Serao, quando Muito, "Crianças de Desenvolvimento Instável".
E, ASSIM linguajamos o Português, vagueando Perdidos Entre uma "Política correcção 'EO novo-riquismo Linguistico.
Os Idiotas e imbecis Passam um designar-se Por "atitude com indivíduos nao vinculativa".
O mongolismo Passou um designar-se "síndroma do cromossoma 21".
Os Gordos e Magros OS passaram um ser "PESSOAS COM Disfunção Alimentar".
Os mentirosos Passam um ser "PESSOAS COM Muita Imaginação"
Os desfalques Que Fazem Empresas NAS e São descobertos São "Grande PESSOAS COM Visão Empresarial Mas Que estao rodeados de invejosos".
O Conceito de Corrupção organizada FOI substituido Pela Palavra "Sistema".
Difícil, dramático, desastroso, congestionado, Problematico, etc, serviços Passou um sinónimo de Complicado.