quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Os Quatro em Três Camas

Esta é a história verídica da minha amiga família Ribeiro, mas que certamente será comum a muitas outras famílias. Por motivos de privacidade não mencionarei os seus nomes. Serão conhecidos nesta narração por Pai, Mãe, Filho e Filha. O Pai, importante defensor da paz, a Mãe, conceituada defensora das leis, o Filho, estudante no 8.º ano e a Filha, estudante do 4.º ano, constituem o núcleo desta família. 

Como em qualquer família pai e mãe chegam à noite a casa; o pai conversa ou brinca com os filhos enquanto a mãe prepara o jantar. Depois do jantar reúnem-se na sala, assistem a um programa da TV. A mãe, como sempre, depois de arrumar a cozinha junta-se aos filhos e ao marido. A mais pequenita já sonolenta encosta a cabecita no regaço da mãe e poucos minutos depois adormece. A mãe pega no seu tesouro ao colo e levo-a para o quarto, deita-a e tenta sair sem ruído, mas a garotita tibubeia: 
«Mamã, fica aqui um bocadinho comigo.»
A mãe fica e acaba por adormecer também, fatigada do trabalho. O pai, se o programa da TV lhe não agrada, adormece no sofá. O filho julgando-se preterido, vai para o seu quarto e deita-se. O pai, acordando pouco depois e vendo-se sozinho, desliga a televisão e vai-se deitar.

Meia hora depois a mãe acorda, deixa o quarto da filha, prepara-se e vai juntar-se na cama com o marido. 

Tic tic, tic tic, os passitos da filhota conduzem-na ao quarto dos pais, com uma mão esfregando os olhitos e a outra segurando acima da cabeça a sua almofada.
«Mamã...» e sem esperar resposta deita-se entre a mãe e o pai. 

Como qualquer criança dorme agitando os braços e as pernas, pontapeando a mãe e bofeteando o pai. A mãe, com o sono mais leve, acorda e sorrateiramente vai deitar-se no quarto da filha. Entretanto o filho levanta-se, vai à casa de banho e os seus passos levam-no para o quarto do pais. Com o sono nem repara que é a irmã e o pai que estão na cama. 

O pai, com um filho de cada lado, acaba por acordar com os pontapés de um e palmadas de outro. Sorrateiramente esgueira-se e vai para o quarto da filha juntar-se à mulher. Entretanto a miúda acorda, sente a falta dos pais e vai procurá-los no seu quarto, deitando-se com eles. 

O filho acorda. Vê-se no quarto dos pais sozinho. Levanta-se choramingando e vai procurá-los. Deita-se conforme pode no meio de todos.

De manhã pai e mãe levantam-se, arranjam-se, preparam o pequeno-almoço, acordam as crianças e mais um dia decorre. 

A noite seguinte chega. A garota adormece enroscada à mãe. A mãe com cuidado pega nela ao colo e leva-a para o quarto...

«mamã, fica aqui um bocadinho comigo...»
...e começa mais uma noite de passeios entre camas.

«Sei onde me deito, mas não sei onde acordo», costuma dizer a mãe.  

4 comentários:

  1. ...filho no oitavo ano e choraminga? Não me parece!
    Enfim,ligeiramente exagerado!

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  2. Caro(a) anónimo,
    Na realidades tens razão no respeitante ao exagero, todavia é real este acontecimento. "crianças mimadas..."
    Um abraço para ti.

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  3. Caro Carlos Soares,
    Não me parecem crianças mimadas, parece-me até natural que a filha mais pequena desse casal deseje a companhia da mãe na cama....existe melhor companhia e melhor calor que o de uma mãe?
    Agora todo o resto parece-me bastante exagerado, mesmo sendo real (como afirma)!!!!
    Cumprimentos.

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  4. Meu caro(minha cara)
    Agradeço a sua mensagem. Se conhecesse esta família veria que não há exageros. Romanciado sim, mas exageros não. Em todos os meus blogues, tento ser o mais fiel possível às realidades quotidianas.
    Mais uma vez lhe peço que assine os seus comentários. Gosto de dialogar com quem não se esconde atrás dum anonimato. Um abraço.

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