Decorria o ano de 2004. Nunca tinha visitado África, nem mesmo Tânger. Os programas da agência de viagens, a preço acessível, convidavam a uma visita à Tunísia. Acordei as condições e, uma vez que estávamos no verão e minha mulher gosta de praia lá fui conhecer a Tunísia mediterrânica.
Em hotel de cinco estrelas em Hammamet, com praia privativa, comida razoável, atendimento impecável, piscina grande com bar ao centro, aí passei as manhãs dos 15 dias que lá permaneci. Assisti a filmagens publicitárias de biquínis produzidas por uma empresa inglesa, li um volumoso livro que me acompanhou na viagem, bebi sumos exóticos e conversei com turistas e pessoal do hotel.
A única manhã que fui à praia deparei com a polícia marítima montada em camelos passeando e vigiando a praia. As necessidades fisiológicas destes dromedários eram depositadas na areia junto à água, formando pequenos "croquetes". Algumas crianças entretinham-se a atirá-las uns aos outros na brincadeira desconhecendo a sua origem. Por sinal eram portugueses e eu alertei-os para o facto. De imediato o pai chamou-os à atenção agradecendo-me.
Embora a língua oficial dos tunisinos seja o árabe, toda a gente fala o francês com uma perfeição que nos espanta.
Um dia, numa excursão a Tunes, por sinal com um guia português, foi-nos recomendado: esta é a principal avenida e o centro de Tunes; ao cimo, depois daquele arco, mas sempre pela rua principal, poderão visitar as lojas de artesanato, mas cuidado, não se metam em ruelas, poderão perder-se.
Todos os excursionistas seguiram juntos avenida acima entrando nas lojas, comprando ou apenas mirando. Eu e minha mulher éramos convidados pelos feirantes a admirar este ou aquele objeto, cheirar este ou aquele perfume. Um tunisino, vendo-me de máquinas fotográfica, convidou-me a ir a um local onde poderia obter boas fotos da cidade vista do miradouro. Seguimo-lo. Subimos uma escadaria, cortámos à direita, subimos mais uns degraus, cortámos à esquerda, voltamos a subir, voltámos à esquerda, à direita. Por todo o lado apenas se viam lojas de artesanato. O pânico começou a apoderar-se de mim. Não saberia voltar atrás. Com o meu mau francês, e tentando não mostrar receio, exclamei de repente: «Ah! são quase 5 horas. O autocarro vem-nos buscar às 5, temos de correr, por favor indique-nos o caminho mais rápido.»
Amavelmente e sem demora o tunisino acompanhou-nos à saída.
Numa visita a Sousse, uma pequena, bonita e limpa cidade, muito idêntica às nossas aldeias alentejanas, com paredes caiadas de branco e faixas e portais azuis, o nosso guia informou-nos: «estas casas são brancas e contornadas a azul por causa das moscas. As moscas pensam que isto é o azul do mar e não se aproximam.»
Verdade ou não o certo é que não se viam moscas naquela cidade.
Em Yasmine, visitámos uma Medina. Como sempre, não gostando de filas indianas, desviei-me do grupo e, com minha mulher entrámos pela Medina adentro. Quando olhámos para trás não vimos vivalma. Retrocedemos, mas não sei como, fomos dar a uma rua sem saída. Perguntei como sair dali. Um tunisino indicou-me o caminho por uma rua. Também não tinha saída. Voltei para trás e perguntei zangado ao mesmo tunisino pela saída. Sorriu e indicou-me outra rua. Vim parar ao mesmo sítio; o tunisino já lá não estava. Desesperado dei mais umas voltas e novamente perguntei, desta vez a uma tunisina que me indicou o caminho da saída.
Fomos convidados pelo hotel a visitar uma fábrica de tapetes. Uma dúzia de turistas faziam parte da visita. Saímos de manhã e visitámos a "fábrica" onde 2 senhoras teciam os tapetes num tear.
«Este tapete demora cerca de um ano a acabar.» Disse-nos o guia tunisino.
O armazém, (claro que se tratava dum armazém e não duma fábrica), possuía umas boas centenas de tapetes enrolados e armazenados, para além de umas bebidas licorosas, artesanato e bar. Calculei as dezenas de anos que todos aqueles tapetes teriam demorado a ser confecionados se não fossem as máquinas automáticas a fabricá-los.
«Tenho aqui uns tapetes lindos,» disse-me o empregado do armazém, puxando-me amavelmente por um braço e, antes de eu abrir a boca estendeu dois ou três tapetes no chão.
«Obrigado mas não uso tapetes em casa por causa da gata.»
«Tem uma gata?» e de imediato puxa por mais dois tapetes. «Estes tapetes são fabricados com uma lã preparada para repelir gatos e outros animais...»
«Oh! Não, obrigado, não uso tapetes no chão por causa do pó.»
«Olhe para este tapete de parede, meu senhor.» Tive de lhe voltar as costas para me ver livre dos tapetes e do empregado. Mesmo assim ainda voltou a contatar-me mais duas vezes, enquanto eu admirava o artesanato, a oferecer um preço especial por um certo tapete.
Numa noite no bar do hotel, uma turista do nosso grupo comentava a viagem ao deserto e o passeio em cima de um camelo.
«O homem pediu-me 5 euros por um passeio de camelo» dizia ela. «Ofereci-lhe 2 euros e aceitou, mas quando regressámos obrigou-me a pagar os 3 euros em falta, caso contrário teria de saltar lá do alto do camelo, pois ele não o fazia sentar sem o pagamento, são uns ciganos.» Sem querer perguntei:
«Quem?»
Gostei das aventuras, gostei da Tunísia que se inicia num tipo de turismo europeu, gostei daquele povo muçulmano, na sua maioria sunitas. Gostei de ver o contraste das
mulheres árabes vestidas com suas burkcas e outras vestidas como as europeias. Não notei grande diferença entre o trato europeu e o árabe. Ao contrário do que disse aquela turista, nada de cigano vi naquele povo. Recordo uma compra que a minha mulher fez, duma pulseira de "prata pura", o vendedor ofereceu-se para gravar um nome na mesma sem aumentar o preço.
«Escreva "Lola" em árabe,» disse minha mulher ao vendedor. E escreveu. Perguntei a um passeante tunisino o que lia na pulseira.
«Lola» respondeu.
Pena é que uma mês depois da minha comadre Lola ter usado a pulseira, todo o banho de prata tenha desaparecido deixando à vista o material de que era feita, "zamac" (liga de zinco utilizada na fundição de certos porta-chaves baratos).
«Tenho aqui uns tapetes lindos,» disse-me o empregado do armazém, puxando-me amavelmente por um braço e, antes de eu abrir a boca estendeu dois ou três tapetes no chão.
«Obrigado mas não uso tapetes em casa por causa da gata.»
«Tem uma gata?» e de imediato puxa por mais dois tapetes. «Estes tapetes são fabricados com uma lã preparada para repelir gatos e outros animais...»
«Oh! Não, obrigado, não uso tapetes no chão por causa do pó.»
«Olhe para este tapete de parede, meu senhor.» Tive de lhe voltar as costas para me ver livre dos tapetes e do empregado. Mesmo assim ainda voltou a contatar-me mais duas vezes, enquanto eu admirava o artesanato, a oferecer um preço especial por um certo tapete.
Numa noite no bar do hotel, uma turista do nosso grupo comentava a viagem ao deserto e o passeio em cima de um camelo.
«O homem pediu-me 5 euros por um passeio de camelo» dizia ela. «Ofereci-lhe 2 euros e aceitou, mas quando regressámos obrigou-me a pagar os 3 euros em falta, caso contrário teria de saltar lá do alto do camelo, pois ele não o fazia sentar sem o pagamento, são uns ciganos.» Sem querer perguntei:
«Quem?»
mulheres árabes vestidas com suas burkcas e outras vestidas como as europeias. Não notei grande diferença entre o trato europeu e o árabe. Ao contrário do que disse aquela turista, nada de cigano vi naquele povo. Recordo uma compra que a minha mulher fez, duma pulseira de "prata pura", o vendedor ofereceu-se para gravar um nome na mesma sem aumentar o preço.
«Escreva "Lola" em árabe,» disse minha mulher ao vendedor. E escreveu. Perguntei a um passeante tunisino o que lia na pulseira.
«Lola» respondeu.
Pena é que uma mês depois da minha comadre Lola ter usado a pulseira, todo o banho de prata tenha desaparecido deixando à vista o material de que era feita, "zamac" (liga de zinco utilizada na fundição de certos porta-chaves baratos).
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