Precisa-se secretária de administração - Era este o título de um anúncio publicado num matutino diário e mais informava: com bons conhecimentos de línguas e informática. Enviar currículo manuscrito, com foto, para a redação deste jornal.
Hélder Ribeiro, um quarentão solteiro, com um porte invejável, era o diretor de uma importante empresa de informática. Tinha mandado publicar um anúncio num jornal diário para recrutamento de uma secretária. Nessa mesma tarde da sua publicação resolve ele próprio deslocar-se à redação do jornal e levantar os possíveis currículos enviados. Havia 62. Voltou no dia seguinte e recolheu mais 18. No terceiro dia ainda conseguiu 7 cartas.
Oito e trinta da manhã, hora habitual de chegada ao escritório, Hélder Ribeiro lê as manchetes do dia, bebe um café e dirige-se para a sua secretária. Sobre ela estão três montinhos de cartas, currículos trazidos do jornal.
O primeiro monte de 7 cartas, último a ser recolhido, é analisado sem ser aberto. 5 dessas cartas não traziam selo pelo que teriam sido entregues ao balcão do jornal. Foram rasgadas sem serem abertas. Porquê ler cartas de pedido de emprego se só foram entregues três dias após a publicação do anúncio? Abertas e lidas as 2 restantes que foram enviadas por correio, verificou que uma delas se referia a uma candidata, cuja morada não distava muito longe da redação do jornal. De imediato foi para o lixo. Não podia aceitar que alguém, morando perto do jornal, necessitando de emprego enviasse a sua candidatura por correio, quando a poderia ter entregue dois dias antes. A última... que lástima erros ortográficos não faltavam. O primeiro grupo estava resolvido.
Depois de atender uma ou duas chamadas pegou no segundo grupo de cartas, as que tinham sido entregues no dia subsequente à publicação, as 18. Primeira escolha: 5 dessas cartas tinham sido feitas em computador. O anúncio pedia cartas manuscritas; lixo. 10 não traziam fotografia. As restantes 3 não testemunhavam muito a favor de quem as escreveu. Mais um grupo jazia no cesto dos papéis. Agora apenas faltava o último grupo, o maior, as 62, a ser examinado. As primeiras foram fáceis: falta de pontuação, frases sem nexo, letra indecifrável, erros de ortografia ou de sintaxe eram vulgares e mais de metade foram fazer companhia às outras no cesto dos papéis. Restavam 28 que teriam de ser lidas e apreciadas em pormenor. Tinha tempo, depois de almoço seriam dissecadas.
O mês de julho chegara quente e Hélder Ribeiro queria que alguém o substituísse nas suas férias de setembro. Necessitava urgentemente de uma secretária. Tinha já as férias marcadas para a Tailândia, eram 2 horas da tarde e queria resolver o problema da empregada.
Sentou-se à secretária e abriu as 28 restantes cartas amontoando-as em duas pilhas: à direita as que tinham uma letra fina, legível e agradável e bem elaborada; à esquerda as que apresentavam letra regular, não rebuscada, vulgar e despretensiosa e com as melhores aptidões. Pelo meio ia enviando para o cesto de papéis, umas porque a fotografia enviada demonstrava falta de recato, havendo mesmo uma que enviara uma foto em biquíni, outras porque vinham perfumadas ou escritas em tinta cor de rosa.
No lado esquerdo ficaram 3 cartas. No lado direito restavam 4. Por razões óbvias escolheu as da esquerda e deitou fora as da direita.
«Restam três» pensou, «as melhores, uma delas seria a eleita».
Apenas faltava o contacto pessoal, seria o exame "oral". Iria telefona-lhes de imediato e marcaria as três entrevistas para o dia seguinte: Amélia Rodrigues às 9:00, Maria José às 10:00 e Fernanda Lourenço às 11:00.
«Senhor Hélder, está aqui a D. Amélia Rodrigues,» anunciou a empregada, eram 9:10 da manhã.
«Mande entrar, Carolina»
Hélder Ribeiro arregalou os olhos, seria possível? À sua frente via uma vampe, parecia uma "estrela" de cinema. Minissaia, um generoso decote e um ondulante andar.
Estendeu-lhe a mão e apresentou-se: «Hélder Ribeiro.»
«Amélia Rodrigues,» apresentou-se ela por sua vez numa pequena vénia «desculpe o pequenino atraso, mas este trânsito...»
«Não tem importância, compreendo» interrompeu Hélder sem concordar minimamente.
Meia hora depois e após a sua apresentação, Hélder informa:
«Como deve calcular tenho outras candidatas ao lugar ou melhor, tenho mais duas.»
«Ah, sim com certeza.»
«Provavelmente marcarei com vocês as três um almoço ou um jantar para ultimarmos todos os pormenores.»
«Todas juntas.»
«Oh! Não. Prefere almoço ou jantar?»
Amélia Rodrigues, cruza os braços e debruça-se sobre a secretária, realçando ainda mais o seu peito e numa voz quente e sensual declara: «prefiro jantar... à luz das velas.»
Hélder levanta-se, estende-lhe a mão e informa: «em breve terá notícias,» disse, despedindo-se dela.
Amélia, de costas saracoteando as ancas, sem se voltar dá-lhe um aceno de adeus por cima do ombro.
Hélder murmura para si próprio: «ganharias mais como acompanhante de luxo».
Senta-se à secretária, pega na carta de Amélia e num isqueiro, acende-o e por cima da chama coloca a carta de Amélia.
Aguarda pela segunda candidata.
Maria José chega às 10 em ponto. Apresenta-se. É uma interessante mulher, com um vestido justo, mostrando os contornos de um corpo perfeito. Tem 38 anos embora não pareça. As suas habilitações e conhecimentos são na realidade satisfatórios. A Hélder agradou e pareceu-lhe ter conseguido o que pretendia, mas ainda faltava receber mais uma candidata. Procurou testá-la num convite.
«Maria José, não lhe posso garantir o lugar em virtude de ter mais uma candidata a entrevistar. Provavelmente teremos de marcar um almoço ou um jantar para acertarmos mais uns pormenores.»
«Por mim tanto faz, almoço ou jantar, sou livre.»
«Ok, Maria José, voltaremos a falar.»
«Falta uma,» pensou Hélder e aguardou pelas 11 horas.
Fernanda Lourenço era aquilo que se pode chamar uma estampa de mulher. Vestia um fato cinza claro, sóbrio, por baixo uma camisa branca ligeiramente decotada, deixando adivinhar um peito perfeito. Parecia uma executiva.
«Fernanda Lourenço,» apresentou-se ela a Hélder, com com vigoroso aperto de mão. Hélder olhou-a nos olhos e verificou o embaraço de Fernanda. Era muito bonita, com uma longa e negra cabeleira. Os seus olhos azuis contrastavam com a sua tez morena. Parecia um pouco nervosa.
«Que idade têm?» Perguntou Hélder.
«Tenho 29» respondeu Fernanda.
«Ah, bom, pensei que fosse menor» disse Hélder sorrindo.
Após meia hora de conversa, reconheceu que os seus conhecimentos e capacidades intelectuais e empresariais eram sem dúvida bastante elevados.
No final da entrevista, e para não fugir à regra, convidou-a para almoçar ou jantar. O embaraço de Fernanda foi total. Gaguejou, tossiu, mas lá se resolveu a dizer: «preferia o almoço, senhor Hélder».
Hélder tinha conseguido o que queria. Era uma mulher assim que idealizava.
Trinta dias depois estavam casados.
Oito e trinta da manhã, hora habitual de chegada ao escritório, Hélder Ribeiro lê as manchetes do dia, bebe um café e dirige-se para a sua secretária. Sobre ela estão três montinhos de cartas, currículos trazidos do jornal.
O primeiro monte de 7 cartas, último a ser recolhido, é analisado sem ser aberto. 5 dessas cartas não traziam selo pelo que teriam sido entregues ao balcão do jornal. Foram rasgadas sem serem abertas. Porquê ler cartas de pedido de emprego se só foram entregues três dias após a publicação do anúncio? Abertas e lidas as 2 restantes que foram enviadas por correio, verificou que uma delas se referia a uma candidata, cuja morada não distava muito longe da redação do jornal. De imediato foi para o lixo. Não podia aceitar que alguém, morando perto do jornal, necessitando de emprego enviasse a sua candidatura por correio, quando a poderia ter entregue dois dias antes. A última... que lástima erros ortográficos não faltavam. O primeiro grupo estava resolvido.
Depois de atender uma ou duas chamadas pegou no segundo grupo de cartas, as que tinham sido entregues no dia subsequente à publicação, as 18. Primeira escolha: 5 dessas cartas tinham sido feitas em computador. O anúncio pedia cartas manuscritas; lixo. 10 não traziam fotografia. As restantes 3 não testemunhavam muito a favor de quem as escreveu. Mais um grupo jazia no cesto dos papéis. Agora apenas faltava o último grupo, o maior, as 62, a ser examinado. As primeiras foram fáceis: falta de pontuação, frases sem nexo, letra indecifrável, erros de ortografia ou de sintaxe eram vulgares e mais de metade foram fazer companhia às outras no cesto dos papéis. Restavam 28 que teriam de ser lidas e apreciadas em pormenor. Tinha tempo, depois de almoço seriam dissecadas.
O mês de julho chegara quente e Hélder Ribeiro queria que alguém o substituísse nas suas férias de setembro. Necessitava urgentemente de uma secretária. Tinha já as férias marcadas para a Tailândia, eram 2 horas da tarde e queria resolver o problema da empregada.
Sentou-se à secretária e abriu as 28 restantes cartas amontoando-as em duas pilhas: à direita as que tinham uma letra fina, legível e agradável e bem elaborada; à esquerda as que apresentavam letra regular, não rebuscada, vulgar e despretensiosa e com as melhores aptidões. Pelo meio ia enviando para o cesto de papéis, umas porque a fotografia enviada demonstrava falta de recato, havendo mesmo uma que enviara uma foto em biquíni, outras porque vinham perfumadas ou escritas em tinta cor de rosa.
No lado esquerdo ficaram 3 cartas. No lado direito restavam 4. Por razões óbvias escolheu as da esquerda e deitou fora as da direita.
«Restam três» pensou, «as melhores, uma delas seria a eleita».
Apenas faltava o contacto pessoal, seria o exame "oral". Iria telefona-lhes de imediato e marcaria as três entrevistas para o dia seguinte: Amélia Rodrigues às 9:00, Maria José às 10:00 e Fernanda Lourenço às 11:00.
«Senhor Hélder, está aqui a D. Amélia Rodrigues,» anunciou a empregada, eram 9:10 da manhã.
«Mande entrar, Carolina»
Hélder Ribeiro arregalou os olhos, seria possível? À sua frente via uma vampe, parecia uma "estrela" de cinema. Minissaia, um generoso decote e um ondulante andar.
Estendeu-lhe a mão e apresentou-se: «Hélder Ribeiro.»
«Amélia Rodrigues,» apresentou-se ela por sua vez numa pequena vénia «desculpe o pequenino atraso, mas este trânsito...»
«Não tem importância, compreendo» interrompeu Hélder sem concordar minimamente.
Meia hora depois e após a sua apresentação, Hélder informa:
«Como deve calcular tenho outras candidatas ao lugar ou melhor, tenho mais duas.»
«Ah, sim com certeza.»
«Provavelmente marcarei com vocês as três um almoço ou um jantar para ultimarmos todos os pormenores.»
«Todas juntas.»
«Oh! Não. Prefere almoço ou jantar?»
Amélia Rodrigues, cruza os braços e debruça-se sobre a secretária, realçando ainda mais o seu peito e numa voz quente e sensual declara: «prefiro jantar... à luz das velas.»
Hélder levanta-se, estende-lhe a mão e informa: «em breve terá notícias,» disse, despedindo-se dela.
Amélia, de costas saracoteando as ancas, sem se voltar dá-lhe um aceno de adeus por cima do ombro.
Hélder murmura para si próprio: «ganharias mais como acompanhante de luxo».
Senta-se à secretária, pega na carta de Amélia e num isqueiro, acende-o e por cima da chama coloca a carta de Amélia.
Aguarda pela segunda candidata.
Maria José chega às 10 em ponto. Apresenta-se. É uma interessante mulher, com um vestido justo, mostrando os contornos de um corpo perfeito. Tem 38 anos embora não pareça. As suas habilitações e conhecimentos são na realidade satisfatórios. A Hélder agradou e pareceu-lhe ter conseguido o que pretendia, mas ainda faltava receber mais uma candidata. Procurou testá-la num convite.
«Maria José, não lhe posso garantir o lugar em virtude de ter mais uma candidata a entrevistar. Provavelmente teremos de marcar um almoço ou um jantar para acertarmos mais uns pormenores.»
«Por mim tanto faz, almoço ou jantar, sou livre.»
«Ok, Maria José, voltaremos a falar.»
«Falta uma,» pensou Hélder e aguardou pelas 11 horas.
Fernanda Lourenço era aquilo que se pode chamar uma estampa de mulher. Vestia um fato cinza claro, sóbrio, por baixo uma camisa branca ligeiramente decotada, deixando adivinhar um peito perfeito. Parecia uma executiva.
«Fernanda Lourenço,» apresentou-se ela a Hélder, com com vigoroso aperto de mão. Hélder olhou-a nos olhos e verificou o embaraço de Fernanda. Era muito bonita, com uma longa e negra cabeleira. Os seus olhos azuis contrastavam com a sua tez morena. Parecia um pouco nervosa.
«Que idade têm?» Perguntou Hélder.
«Tenho 29» respondeu Fernanda.
«Ah, bom, pensei que fosse menor» disse Hélder sorrindo.
Após meia hora de conversa, reconheceu que os seus conhecimentos e capacidades intelectuais e empresariais eram sem dúvida bastante elevados.
No final da entrevista, e para não fugir à regra, convidou-a para almoçar ou jantar. O embaraço de Fernanda foi total. Gaguejou, tossiu, mas lá se resolveu a dizer: «preferia o almoço, senhor Hélder».
Hélder tinha conseguido o que queria. Era uma mulher assim que idealizava.
Trinta dias depois estavam casados.



