quarta-feira, 23 de junho de 2010

José Saramago

Ficou o País mais pobre no respeitante à cultura; não ponho isso em causa, mas não haverá um quanto de exagero? Não haverá um pouco de mediatísmo em redor de tudo isto?


José Saramago, o polémico, adorado por uns e desprezado e odiado por outros, deixou a vida terrena. Todos desejamos que a sua alma repouse em paz, embora a sua ideologia não previsse que a tivesse.


Não teria sido o controverso "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" em 1991 e mais ainda o Nobel recebido em 1998, que fez exaltar e insuflar a importância de José de Sousa Saramago? A sua literatura será assim tão importante que mereça a atribuição em 1995 do Prémio Camões? São dúvidas que se me debatem após a leitura de alguns dos seus livros.


Não sendo letrado, mas após a leitura de: A Viagem do Elefante; Ensaio sobre a Cegueira; Todos os Nomes; perguntei-me: Que pretende este escritor dizer? Que moral posso tirar destes livros? Para além da forma estranha e estilo da sua escrita, utilizando frases e períodos compridos e pontuação duma forma não convencional; os diálogos inseridos nos mesmos parágrafos obrigam-nos a retroceder na leitura para uma melhor compreensão. Os travessões são inexistentes e por vezes confundem-nos num certo diálogo se é real ou apenas um pensamento.
Dirão uns: «é um estilo de escrita, por sinal já adoptado por alguns novos escritores.»
Pergunto eu: «mas não há normas? A partir de agora serão substituídas as normas por estilos?»
Cada escritor optará por um estilo e em breve ninguém entenderá o que é correcto ou errado.
Memorial do Convento; não o consegui acabar; tenho aqui uns quantos livros que comprei e outros que me ofereceram ainda não lidos, porquê perder tempo com o Memorial do Convento se não me agrada aquele tipo de escrita?
Eu sei o que me vão dizer, mas não tenho culpa de não ser do meu agrado esta escrita, ou não estar preparado para "uma literatura tão evoluída".
Não é por discordar da sua ideologia que critico os seus livros. Gosto muito de ler e pela primeira vez, em centenas de livros lidos, uns bons outros maus (para o meu gosto claro), não o acabei.
Recentemente passou na TV o filme Ensaio sobre a Cegueira. Sabia que fora apresentado no 61.º Festival de Cannes, mas não foi por isso que me deu vontade de o ver. Tive curiosidade em saber como o cineasta brasileiro Fernando Meirelles se descalçaria, produzindo um filme do livro, que à partida me parecia difícil se não impossível de transpor para a película. Conseguiu-o com mérito. De uma forma geral os livros são superiores aos filmes; são minimizados alguns comentários, suprimidas muitas cenas e como é óbvio muitas vezes impossível transportar para a tela uma ideia, um pensamento. Desta vez foi o filme que suplantou o livro.

sábado, 19 de junho de 2010

1910 - 2010

A Real Fábrica da Cordoaria da Junqueira data de 1779. Tal como o nome indica, está sedeada na Junqueira, a Belém. Era ali que se fabricavam as cordas de sisal, se teciam as velas e bandeiras para as Naus que navegaram por esse mundo fora. Actualmente dedicada ao "fabrico" de exposições e eventos.
Não resisti em visitá-la.

"Viva a República", representada neste espaço de mais de uma dúzia de salas com paredes cobertas por centenas de fotografias sobre um fundo cor de sangue, do sangue derramado pelo regicídio a 1 de Fevereiro de 1908, pelo assassínio de Sidónio Pais, a 14 de Dezembro de 1918 e muitas outras mortes. Recortes de jornais, descrições em grandes cartazes alusivas aos acontecimentos na época. De 1878, ano do primeiro programa republicano, até à Constituição de 1933, a cronologia está bem patente nas sucessivas salas e corredores que as separam, estes igualmente decorados com gigantescas fotos, cartazes, jornais, etc.


Dezenas de filmes da época compõem a exposição; filmes da revolução; filmes mudos de inocentes passagens, como por exemplo: a actividade têxtil na Covilhã; filmes de guerra; filmes de pesadelos; filmes de tropas; filmes do Terreiro do Paço. Filmes restaurados e passados ao sistema digital, graças à Cinemateca e ao ANIME.
A passagem pela primeira guerra mundial, as greves, a fome, os tumultos e saques a estabelecimentos comerciais, provocados pela escassez de bens alimentares, os sucessivos golpes de estado e queda de governos, tudo isso muito bem representado nesta exposição.
No amplo Hall de entrada deparamos com a recepção, onde a simpatia de duas senhoras nos acolhem com um sorriso. Ao fundo em frente, um diapositivo da República e à esquerda um filme duma banda tocando a "Portuguesa". Uns quantos "RRR" vermelhos decoram o chão, R de República. É o início da exposição.

Por estreitos corredores vamos passando de salão em salão. De 31 de Janeiro de 1891, data em que o Partido Republicano desencadeou no Porto a primeira tentativa gorada contra a Monarquia, passando pelos comícios na Avenida Almirante Reis, (antiga Avenida D. Amélia), ou as fotos de José Relvas proclamando a República da varanda da Câmara Municipal de Lisboa. Tudo isto bem documentado com fotografias e filmes.




Um outro filme numa outra sala e o Escudo Nacional focado por um projector. Os rostos de 4 dos revolucionários do 5 de Outubro: José Relvas; António José de Almeida; Cândido dos Reis e Miguel Bombarda, nomes sobejamente conhecidos como nomes de ruas, largos ou hospitais.
A exposição mostra-nos o percurso do triunfo da ideia republicana, a participação de Portugal na Primeira Grande Guerra, a vida política, social, cultural e artística.
A eleição do Presidente Arriaga a 24 de Agosto de 1911, a partida de tropas para África, lideradas por Afonso Costa, a eleição de Sidónio Pais em 1918, no dia 28 de Abril e a sua morte no dia 14 de Dezembro desse mesmo ano, tudo isto documentado com filmes, fotografias e jornais.
A subida ao "trono" de Salazar e Américo Tomás é igualmente retratada por fotos e filmes.





















Uma exposição a não perder por aqueles que gostam de história.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Neologismos

Que DESDE OS Americanos se lembraram de Comecar Chamar EAo uma pretos "afro-Americanos", vista com um Acabar com a Raças Por via gramatical TEM, ISTO Sido Pegado fartote um. Como nsa Anos criadas 70, passaram uma Chamar-se "Domésticas empregadas" e preparam-se ágora parágrafo receber uma menção de "auxiliares de Apoio Doméstico".

De Igual MoDo extinguiram-se NAS Escolas OS Que passaram contínuo Todos um "auxiliares da Acção Educativa". Os Vendedores de Medicamentos, prosapia Alguma com.br, tratam-se Por "delegados de Informação Médica". E, MESMO Pelo Processo transmudaram-se OS caixeiros-in Viajantes "Técnicos de Vendas".

O aborto eufemizou-in se "interrupção Voluntária da Gravidez". grupos étnicos São Os "Grupos de Jovens. " Os Operários fizeram-se de repente "Colaboradores". Como Fabricas, essas, vistas de Dentro "São Unidades produtivas", vistas da estranja São "Centros de DECISÃO Nacionais".

O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o Passo a literacia galopante.
Desapareceram dos comboios como 1. ª e 2. Classes ª, parágrafo nao Ferir uma susceptibilidade das Massas sociais hierarquizadas, MAS Por imperscrutáveis Necessidades de Tesouraria continuam cobrar-se uma precos NAS classes Distintos "
Conforto e Turística".

A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: «Sou Mãe Solteira ...», ágora, Se Quiser Acompanhar Novos Tempos OS, alterar desenvolvi uma letra da pungente melodia:« Tenho UMA família "monoparental"... »- eis o verso da cançoneta novo, Se Quiser Fazer jus à Modernidade impante.


Aquietadas Pela Televisão, por ai Crianças irrequietas pinotes EAo veem e 'terroristas JÁ SE nao, Diz-se modernamente hum dez Que "disfuncional hiperactivo Comportamento".
Do MESMO modo, e parágrafo Felicidade dos
encarregados de Educação, OS Brilhantes Programas escolares extinguiram OS Alunos cábulas, os tais Estudantes Serao, quando Muito, "Crianças de Desenvolvimento Instável".

HÁ CEGOS Ainda, infelizmente. Mas Como A Palavra Fosse considerada desagradável e comeu aviltante, Quem Vê nao e considerado "invisual". (O Termo e gramaticalmente impróprio, Como Seria impróprio Chamar "inauditivos"EAo surdos; Mas o politicamente correcto marimba-se Pará como regras gramaticais ...)

Como putas passaram um ser "senhoras de Alterne". Pará COMPOR O Ramalhete e ares daRem si mesmo, como gentes cultas da praça desbocam-se in implementações, posturas pró-Activas, Políticas fracturantes e Outros barbarismos da Linguagem.
E, ASSIM
linguajamos o Português, vagueando Perdidos Entre uma "Política correcção 'EO novo-riquismo Linguistico.

ESTAMOS COM lixados Este novo português; admiração Que o Pessoal tenha CADA Vez Mais nao esgotamentos e stress. JA nao se Diz O Que PENSA SE, TEM de se Pensar O Que Diz se de forma politicamente Correcta.

E Ainda Falta esclarecer Que Tradicionais 'estao in anões OS vias de Passar uma "verticalmente desfavorecidos cidadaos"...
Os Idiotas e imbecis Passam um designar-se Por "
atitude com indivíduos nao vinculativa".
Os pretos passaram um ser "PESSOAS de cor".
O mongolismo Passou um designar-se "
síndroma do cromossoma 21".
Os Gordos e Magros OS passaram um ser "
PESSOAS COM Disfunção Alimentar".
Os mentirosos Passam um ser "
PESSOAS COM Muita Imaginação"
Os desfalques Que Fazem Empresas NAS e São descobertos São "
Grande PESSOAS COM Visão Empresarial Mas Que estao rodeados de invejosos".
Políticos e autarcas do Pará, Que AFIRMAR "IMPUNIDADE eu tenho judicial, substituido FOI POR"Estar de Consciência tranquila".
O Conceito de Corrupção organizada FOI substituido Pela Palavra "
Sistema".
Difícil, dramático, desastroso, congestionado, Problematico, etc, serviços Passou um sinónimo de Complicado.
E assim vai o nosso léxico e a Nossa Gramática.
Texto retirado de um e-mail recebido de autor desconhecido e, adaptado para este blogue