domingo, 13 de dezembro de 2009
Fechado na despensa
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Medicinas Alternativas ou Convencionais
Nas terapias alternativas e milenares da China, como a acupunctura, tratamento por inserção de agulhas em pontos específicos do corpo; as massagens; a homeopatia, baseada na escolha correcta dum produto natural para a cura do doente; a fitoterapia, método terapêutico que utiliza plantas medicinais e suas aplicações na cura de doenças; a chi kung, também medicina tradicional chinesa que consiste no uso da energia; as hidromassagens, banhos turcos, saunas, banhos de lama e os modernos SPA que combatem o stress, as dores musculares, artrites, reumatismo, tonificam e desintoxicam, também não me convenceram ainda.
Também devemos ter em atenção que evitar a obesidade não é emagrecer a ponto de nos tornarmos anorécticos, como, principalmente modelos femininos que pretendem exibir os seus corpos nas “passerelles”.
O envelhecimento pode ser retardo desde que consigamos a ausência de doenças e alteremos os nossos hábitos alimentares em vez de gastarmos fortunas em medicamentos.
Fomos programados para viver, no máximo, até aos 120 anos, mas Aubrey de Grey, biólogo especialista em envelhecimento da Universidade de Cambridge (Reino Unido), desafia este limite e afirma que podemos chegar aos 500 anos.
O geneticista inglês Audrey de Grey tem uma tese muito ambiciosa. Segundo ele, o processo de envelhecimento é causado por sete tipos de danos a nível celular, no organismo. Se esses danos forem bloqueados a vida poderá estender-se por um tempo incalculável e o envelhecimento poderá ser tratado como uma doença.
Enxerto retirado da Internet. http://curacientífica.pt
Daqui a cem ou duzentos anos cá estarei para vos provar que este geneticista tem razão.
Vale uma aposta?
domingo, 29 de novembro de 2009
Ainda Sobre o "Novo Acordo Ortográfico"
Ainda sobre o Novo Acordo Ortográfico, e verificando que a minha tese, como era de esperar, não é defendida por muitos como por exemplo: Dr. Jaime Abreu, Dr. Vasco da Graça Moura, o conhecido e notável escritor, Dra. Rosalina Barbosa, e, tendo recebido desta última um comentário que de imediato agradeci e inseri no meu blogue, venho contender e responder:
“Minha cara Rosalina, o seu comentário oportuno e perspicaz não me convenceu. A comparação da língua portuguesa com a inglesa é demasiado utópica, se não vejamos: a língua inglesa é falada por 370 milhões de nativos e 750 milhões não nativos. Um quarto da população mundial fala inglês; os 53 Países da Comunidade Britânica, (Commonwealth), falam inglês; na Europa é a língua oficial n.º 1. Não são os 300 milhões de americanos que têm força para mudar ou prevalecer numa mudança de gramática a seu contento. O ‘British’ é demasiado inglês e poderoso para ser americanizado.”
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Novo Acordo Ortográfico
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Ruralidade e Urbanidade
Agro-Turismo - casas integradas em explorações agrícolas, e muitas vezes com possibilidades do turista acompanhar as actividades agrícolas. Foto e mensagem retiradas da Internet: http://www.casa-da-anta.com/
É bom “fugir” da cidade, do trânsito, do cansaço rotineiro, do corre-corre diário, do ar poluído, fugir da multidão, do ruído, das ruas saturadas de tráfego, dos prédios sem elevadores ou mesmo com eles, do trabalho, dos horários, dos centros comerciais, das filas de automóveis, das filas sem automóveis, enfim fugir de tudo, fugir do urbanismo, fugir da selva urbana a que nos vamos acostumando.
sábado, 26 de setembro de 2009
Ilha da Madeira
Alguns anos mais tarde regressei, mas desta vez em férias com a minha mulher. Visitámos o Porto Santo, viagem de barco, na altura o “Pirata Azul”. Um enjoo que nunca mais esquecerei. Não tive oportunidade de apreciar a Ilha como era de prever. Não mais lá voltei.
Em 2000 foi classificado pela UNESCO de Património Natural Mundial.
Duas fotos da praia da Calheta com o seu areal
sábado, 29 de agosto de 2009
A carta
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
O paradoxo e a inepta descoberta do Brasil
Decorria o ano do Senhor de 1500. O Pedrinho tornou-se Pedro Cabral, mais conhecido por Pedro Álvares Cabral. Tinha sido nomeado capitão-mor da armada. Teria então cerca de trinta e três anos de idade.Dez naus e três caravelas, (consta-se que possuía também um submarino, cinco séculos mais tarde vendido a um Ministro da Defesa), constituíam a sua frota.
Cerca de 1500 homens, entre funcionários públicos, soldados, padres, cozinheiros, repórteres fotográficos, jornalistas entre eles o Pedro Vaz de Caminha e três equipas de televisão, faziam parte da expedição a que se propôs fazer junto do então presidente da monarquia, D. Manuel I. Essa expedição destinava-se à Índia, mas pelo Ocidente, já que, pelo Oriente tinha sido feita anos anteriores, pelo senhor Vasco da Gama e constava-se que o Cabo das Tormentas estava amaldiçoado pelo gigante adamastor.
Após uma missa solene na ermida do Restelo, à qual compareceram todas as entidades eclesiásticas, o senhor D. Manuel I e sua corte, a televisão, rádio e imprensa, partiu a frota de Pedro Álvares Cabral rumo à Índia. Estávamos do ano de 1500, num Domingo dia 9 de Março.

Nota do autor: A data da partida tinha sido agendada para um mês antes e o atraso deveu-se à chegada dum astrolábio electrónico, encomendado à China por ser mais económico, em virtude do Vasco da Gama não poder ceder o seu pois iria necessitar dele para a sua viagem de férias a Cancún.
Alguns dias depois aportaram nos Açores. Ilha de São Miguel ou Ilha Verde como lhe chamaram. Foram recebidos com pompa pelo Governo Regional. Em Vila Franca do Campo organizaram-se festejos onde não faltou a presença de D. Amália Rodrigues que os presenteou com o fado da Mouraria. Aí permaneceram dois dias, mataram umas vacas e cozeram-nas nas Furnas, fizeram passeios a pé pelos caminhos turísticos, alugaram jipes e percorreram a ilha quase toda, visitaram os lugares recomendados pelas agências de viagens e banharam-se nas bonitas praias da ilha, etc.
Finalmente regressaram às naus para continuarem sua viagem, não sem deixarem a promessa de, no regresso, voltarem à ilha e presentear o Governo Regional com artesanato trazido da Índia.
Não havia trânsito nem desvios. Era sempre em frente. O vento ciclónico dos Açores ajudou-os na velocidade (na época não havia limite de velocidade no oceano Atlântico), mas infelizmente o excesso de velocidade provocou alguns despistes e algumas naus naufragaram.
Algumas semanas depois, já cansados de tanto mar, eis que o gajeiro do alto do mastro grita: Terra à vista! O Pedro que não ia em cantigas nem em gritos de gajeiros, ele próprio sobe ao mastro real e certifica-se. Com os seus binóculos de longo alcance avista umas ilhas dispersas. Desce. Consulta os seus canhenhos e mapas. Com o astrolábio, o sextante, a bússola e o GPS verifica que se encontram próximo do triângulo das Bermudas.
Mandou reunir os almirantes, capitães, tenentes e o motorista do barco. Informou: estamos a chegar ao triângulo das Bermudas. Sabeis o que isso significa? Antes de embarcar fui a consultar a Maya e ela contou-me que o Titanic irá afundar-se nestas águas. Este local é mais conhecido pelo triângulo do diabo. Além do mais estamos muito a norte. Temos que descer para sul e contornar o sul da Argentina.Apavorados entram em depressão e stress. Chamam os médicos de família (os que descontavam para caixa claro). Os outros vão tomando uns calmantes mesmo sem receita médica, e lá se vão aguentando.
Um mês depois, após tantas voltas perdem-se e atracaram naquilo que julgavam se uma ilha. Era 22 de Abril de 1500. Avistou-se uma extensa terra chã cheia de arvoredo. Ao longe um grande monte a que Cabral chamou de Monte Pascal. Àquela terra baptizou de Ilha de Vera Cruz, convencido de se tratar de uma ilha. Mais tarde e após reconhecer tratar-se de um continente, passou a chamar-se de Terra de Vera Cruz. (Hoje Porto Seguro no estado brasileiro da Baía).
Foi com grande espanto que se aperceberam de que entendiam a língua dos indígenas e lhe perguntaram que língua falavam. Portugês, responderam.Era um povo acolhedor e simpático. A recepção foi extraordinária. Beberam caipirinhas, dançaram o samba e aí ficaram uma semana. Mas tinham de partir, até à Índia ainda faltavam umas boas milhas. Perguntaram se havia naquela terra pimenta, canela, noz moscada, porcelanas, sedas, etc.
Um simpático brasileiro informou o Pedro de que estava enganado. Essas especiarias só se vendiam nos centros comerciais da Índia e não no Brasil. Teria de contornar para sul todo o continente e depois atravessar o oceano Pacífico e quando avistasse homens com os olhos em bico estaria no oriente. Aí não valeria a pena perguntar nada porque ninguém os compreenderia, mas era fácil: atravessaria todas aquelas ilhas e logo que avistasse a ilha de Ceilão e Maldivas, olharia para o norte e logo veria um país em forma de triângulo invertido. Estaria na Índia. Além do mais poderia confirmá-lo pela existência e visão dos enormes paquidermes a que chamavam elefantes e pelas lindas damas bem vestidas e pintadas com uma pinta colorida na testa.
Antes de partirem e como prova da boa recepção da parte do povo brasileiro e também para não darem por infrutífera a viagem, foram-lhes oferecidas madeiras exóticas, papagaios e vídeos do carnaval carioca.
O Pedro agradeceu as informações e oferendas e meteram-se ao caminho com destino ao destino.
Um ano depois, mais propriamente a 31 de Julho de 1501, estava de regresso a Portugal, tendo sido recebido como herói, apesar de ter perdido 9 barcos da sua frota.
sábado, 15 de agosto de 2009
O paradoxo e o incongruente Bolo-Rei
Em finais do século XIV, numa manhã de nevoeiro, reúnem-se para uma viagem à Europa. Pretendiam comprar oferendas para uma amiga comum que vivia em Aljubarrota, a Brites de Almeida. Admiravam-na pela sua valentia. Constava-se que tinha electrocutado uns castelhanos com o ferro eléctrico de engomar.
Rumaram aos Açores. Pretendiam comprar queijo, leite e ananases.
Dirigiram-se às vacas gordas, brancas de tanto leite e pretas da terra vulcânica. Eram tão idênticas que com dificuldade distinguiram as que davam leite e as que davam queijo, já que, sem dificuldade descobriram as que davam ananases, pois estas, além de serem acastanhadas, viviam em estufas.
Carregados das suas oferendas, perguntaram a um polícia o melhor caminho para Belém. Foi-lhes informado que era longe, que ficava entre o Castelo de S. Jorge e Algés.
Tinham pressa, queriam chegar antes do dia seis de Janeiro a fim de comprarem pastéis de belém, e só depois prosseguiriam a sua viagem para Aljubarrota. Por sorte deles passava na altura o eléctrico da estrela com destino Belém. Tomaram-no. Por azar deles chegaram no dia sete e encontraram a pastelaria fechada.
Ao mesmo polícia, que por sinal tinha vindo dois dias antes, de avião, perguntaram a que horas abria a pastelaria. - Oh, reis magros, a pastelaria só abre daqui a aproximadamente 624 anos, três meses e 8 dias, às oito horas da manhã. Desiludidos indagam-se: esperamos? Não vale a pena, diz o Baltazar. Até lá morreríamos de fome, diz o Gaspar. Que fazer então? Pergunta novamente o Belchior. Nestas indagações, hesitações, incertezas e outros sinónimos, não chegariam a quaisquer conclusões, não fora a sorte de por perto passar um anjo que lhes disse: não sois vós portadores de oferendas trazidas dessa maravilhosa ilha donde viestes? Porque não as levais para a Brites de Aljubarrota para que ela vos faça um bolo na sua padaria? (Não há dúvida que os anjos, não só os da guarda, nacional, mas também os outros, são uns óptimos conselheiros).
Assim fizeram. Perto do Palácio de Belém verificaram a existência duma casa que anunciava: “RENT-A-COCHE COM OU SEM CONDUTOR”. Depois das formalidades normais, do pedido da carta de condução, BI, NIF, etc. alugaram um de 4 cavalos e com GPS.
Imagens gentilmente cedidas pelo dono da Internet
Era já noite cerrada quando bateram à porta da padaria. A Brites veio abrir com a pá em punho, pensando tratar-se de castelhanos, (dias antes tinha dado cabo de seis). - Olá amigos reis, que magros estais, tendes fome? Quereis pão acabado de cozer? É oferta da casa. Uma vez que não tinham que pagar aceitaram e saciaram-se.
Depois de amena cavaqueira de muita conversa fiada, falando-se da crise, do preço da gasolina e do carvão, de que o pão teria de aumentar, mas não em tamanho, etc. lá adormeceram.
A Brites era uma interessante mulher, bonita, jovem cheia de graça, com um narizinho perfeito e um corpo escultural, uma boca de lábios carnudos e vermelhos. O lenço na cabeça dava-lhe um ar sensual, conforme podem verificar na foto abaixo, tirada na época. Tinha bigode e tudo.
Mais uma oferta da Internet. (fotografia tirada Em 1390, com uma máquina fotográfica digital)
Já o Sol ia alto quando os reis acordaram. Levantaram-se e depois de dejejuar foram dar uma volta pela cidade (na altura era a capital de Santo Condestável). Foi então que se lembraram da conversa com o anjo, no dia anterior em Belém. Dirigiram-se para a padaria e falaram com a Brites. - Ó Brites; podias fazer-nos um bolo. Temos leite, queijo e ananases, tu apenas dás o açúcar. A proposta era vantajosa para ambas as duas partes, ou melhor, para ambas as quatro partes, uma vez que eles eram três mais ela que era uma, os empregados não entravam na divisão do bolo, dava um total de quatro.
De imediato a cabeça da linda padeira começou a computar. Precisava de um molde, duma forma ou algo que servisse para a confecção do bolo que mais tarde se tornaria famoso. Após um clic no “enter” apareceu a palavra coroa. Era isso mesmo e a do rei Belchior era a mais indicada. - Ó Belchior, tens aí uma coroa que me emprestes?
Foi aquela colocada à disposição da padeira que, com a sua habilidade e destreza com a pá, confeccionou um lindo bolo.
Duas horas e dezoito minutos depois estava pronto. Foi provado, foi comido acompanhado com gasosas e pirolitos (estes mais tarde retirados do mercado pela ASAE) e foi aprovado. Discutiu-se o nome a atribuir ao bolo, de forma a não ferir susceptibilidades, nem ao bolo nem aos presentes. Alvitrou-se bolo Belchior, bolo da padeira, bolo dos magros, bolo da Brites, até que uma vez mais um clic da padeira e zás: Bolo-rei.
Ficou aprovado aquele nome. Bolo-rei ou o da Brites.
Para comemorar fez-se uma festa e deitaram-se foguetes. Convidaram-se o rei de Portugal D. João I, o de Castela D. Juan de Castella, D. Nuno Álvares Pereira e outras figuras públicas e políticas de ambos os países. Os partidos políticos de todos os quadrantes enviaram os seus representantes. Até veio Martim Moniz, mais conhecido pelo “portas”. O Afonso Henriques enviou a sua comitiva. A Brites pediu desculpa ao rei de Castella pela morte dos soldados castelhanos, desculpa essa aceite. Foi o fim da guerra entre Portugal e Castela. Houve abraços, beijos, choros, lágrimas e cravos vermelhos na ponta das espadas.
Assim nasceu a história do bolo-rei. Ainda hoje onde se come o melhor bolo-rei da Nacional é na bonita vila de Aljubarrota. A sua fama já vem de longe e atravessou todos os oceanos pacíficos ou não.
Agradecimentos
A todos os historiadores que me ajudaram na pesquisa destes feitos. Ao Senhor da Internet, aos meus amigos que durante quatro anos me incentivaram nestas pesquisas à minha família que me acompanhou pelos cinco cantos do mundo, (ou foram seis?) desde o Pólo à Polónia e do Árctico ao outro lado da ilha. Por tudo isto quero dizer duas palavras: Obri e gado.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
POR UMA VIDA MELHOR
Uma enorme armação de ferro galvanizado com altura entre os 8 a 10 metros, sustenta em toda a sua volta e até ao topo umas centenas de garrafas vazias de vidro verde, todas elas com o gargalo para o interior como se encaixadas numa garrafeira. É uma escultura curiosa, aparentemente sem sentido de arte, mas a sua grandiosidade é espectacular. Autora desta escultura, a jovem Joana de Vasconcelos nascida em Paris em 1971, que tem esculturas espalhadas por todo o País e estrangeiro. Talvez por esse motivo o mérito de a expor no CCB. É o que deparamos à entrada dessa sala de exposições.
A exposição localizada no piso -1 é composta por 5 salas, 3 com fotos e 2 com curtas-metragens, ladeadas à direita por um longo corredor, também este expondo fotos. Salas amplas e desprovidas de quaisquer móveis mostram as cerca de 50 fotografias a preto e banco, como convém neste caso, iluminadas por projectores. Do tecto não é enviada qualquer iluminação. Os projectores asseguram a iluminação suficiente à exposição.
São fotos confrangedoras da emigração portuguesa para França, mostrando desde a sua passagem clandestina a pé pelos Pirinéus, ao desembarque na gare de Austerlitz. Famílias carregadas de malas, sacos e filhos ao colo; os acampamentos em Noisy-le-Grand; os bairros de lata onde viviam velhos novos e crianças no meio dum lamaçal imundo; as barracas de lata onde estes viviam com as fotos dos entes queridos, que se assemelhavam às que têm sido demolidas em Lisboa; as longas filas nos chafarizes para obtenção de água; o trabalho árduo na construção civil; etc. As últimas fotos mostram um cartaz da CGT (Confederação Geral de Trabalhadores) de 1964 e o Piquete dos Sindicalistas da CGT, que dava ajuda e orientava os recém-chegados e lhes expunha os seus direitos (da forma como viviam seria que tinham direitos? Mais pareciam escravos do que trabalhadores com direitos). As curtas-metragens, uma em francês e outra em português, das quais vi algumas passagens, relatavam em pormenor todos estes casos. Portugueses emigrantes contam os momentos vividos na época. Os camiões que os transportavam como animais e os largavam na fronteira francesa a mais de 30 horas de caminho a pé para o destino. Os mais novos lá se iam aguentando, mas os mais velhos, ficando para trás, por vezes desmaiavam. Seguiam aos 200 de cada vez e diariamente. A sede era o inimigo principal. Bebiam das poças.
O filme de José Vieira, ele próprio emigrante em França, editado em Março de 2001, relatando muitas destas passagens tem como música de fundo as baladas de “Zeca Afonso”.
Vim transtornado com o que vi. É chocante relembrar tudo aquilo que os nossos conterrâneos passaram em busca de um mundo melhor.
Recordei antigos amigos que também partiram para França mas, sem todavia se queixaram das condições em que viviam. Por vergonha ou teriam tido mais sorte? Nunca o saberei.
Hoje, recebemos imigrantes de leste e vingamo-nos do que passámos. Não é justo. Conheço alguns imigrantes, principalmente de leste, pessoas trabalhadoras, cultas, uma delas era empregada de limpeza na firma onde trabalhei, uma senhora com curso de enfermagem. No meu condomínio que andava em obras de limpeza exterior, trabalhava um moldavo, pessoa correctíssima, electricista de profissão. Estava empregado exercendo a sua profissão mas saiu porque não o puseram na Segurança Social e não lhe passavam recibos. Teve de vir para as obras.
Milhares de portugueses emigraram para países longínquos, os açorianos para a América, os nortenhos para França, muitos para fugir à vida militar, outros por causa da ditadura salazarista, a repressão, a PIDE, a miséria, a falta de emprego e os baixos salários tudo isto contribuiu para este êxodo. O trabalho lá fora era duro, mas os emigrantes sujeitavam-se. Trabalhavam na construção civil, ou como empregados de mesa ou cozinha.
Pela comunicação social temos conhecimento de nova vaga de emigração. A vida sócio-económica actual, os sucessivos aumentos de bens de primeira necessidade, a falta de emprego e os baixos salários assim a proporciona. Hoje são os imigrantes do Brasil que vêm servir ao balcão, empregados nas lojas, bares ou mesmo serventes de pedreiro.
Os provenientes dos chamados países de leste, tal como os nossos emigrantes, vieram em busca de trabalho que não tinham, num País acolhedor e hospitaleiro sem antecedentes racistas. Sujeitam-se aos trabalhos que os portugueses “agora” não querem fazer, preferindo fazê-lo longe do seu País e dos olhares dos seus conterrâneos.
Temos a construção civil cheia desses povos, muitos deles com cursos superiores, educados e trabalhadores.
Em contrapartida recebemos outros, principalmente do Brasil, pessoal feminino que não conseguindo emprego, ou não aceitando o que se lhe oferece, dedicarem-se à venda do seu corpo.
A maioria dos imigrantes ao entrarem em Portugal tentam aprender a nossa língua e vemos muitos destes, em particular os de leste, com uma facilidade espantosa muito rapidamente dominam o português.
Na realidade é fundamental a aprendizagem da língua do país em que nos inserimos. Uma forma de comunicação e maior facilidade na integração nesse país. Não é por acaso que estes emigrantes são bem aceites em Portugal.
Qualquer português que emigre para França, por exemplo, se falar perfeitamente o francês depressa conseguirá uma colocação estável e bem remunerada. Caso contrário espera-o um emprego na construção civil onde a língua pouco importa.
Verdade seja dita: mercê dessa imigração a construção civil em Portugal vai laborando. Os construtores civis deveriam ter isto em atenção e pagar condignamente a esse pessoal.
O ditado “não faças aos outros, aquilo que não queres que te façam” deveria ser levado mais à letra.
Em busca de comida, procura de melhor ambiente, fuga aos Invernos rigorosos ou procura de acasalamento, os animais migram. O homem, por estes ou outros motivos, mas principalmente por procura de melhor salário, migram e cada vez mais. As migrações desenvolveram-se e aumentaram em todo o mundo nos últimos anos. A livre circulação de povos na zona euro, a evolução tecnológica dos transportes, a facilidade e rapidez com que nos deslocamos para qualquer parte do mundo, são a causa desse aumento desmesurado de migrações.
Na época, com regime ditatorial em que vivíamos, todos queriam viver condignamente e tentaram “a salto” um emprego e melhor salário num outro país. Sem saberem foram para o inferno.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
ILHA VERDE
- A LAGOA DAS SETE CIDADES, a ocidente da ilha.
- A LAGOA DO FOGO, ao centro.
- AS FURNAS, com a sua lagoa rasgada entre jardins e florestas carregada de flores, águas minerais e termais. O fervilhar das nascentes onde, por tradição se cozinha o famoso cozido.
- O ILHÉU DE VILA FRANCA, próximo da Vila Franca do Campo, uma Reserva Natural que dista cerca de 1km da costa.
A sua gastronomia como a caldeirada de peixe, o cozido das Furnas, os mariscos, ananases, queijos, licores, chás, o famoso "Bolo Lêvedo", etc; a simpatia dos micaelenses, o ameno clima, os seus cinco séculos de história com as inúmeras igrejas centenárias dum interior riquíssimo, o asseio e limpeza das cidades, vilas e aldeias... e até o nevoeiro no cume das montanhas oferece uma beleza, um bem estar e um desejo de voltar rapidamente a esta ilha.
Lisboa, 28 de Julho de 2009
Carlos Soares
terça-feira, 28 de julho de 2009
PORTUGAL NO ORIENTE
Eram 2 da tarde. Havia uma pequena fila para entrar. Aguardei pouco tempo e comecei pelo piso 0. “Máscaras da Ásia” – A visita não era guiada, mas as suas mensagens eram elucidativas.Estas máscaras outrora ligadas a rituais religiosos, davam a conhecer o aspecto visível de seres sobrenaturais, ou divindades mitológicas. Hoje são utilizadas em danças, espectáculos, festas ou teatros.
Da mitologia hindu, os deuses “Brahma”, “Vishnu”, Shiva”, entre outros, estão representados nesta exposição. Foram as que mais me despertaram a atenção pela sua riqueza e policromia. Máscaras grandes vermelhas com adornos dourados. Havia-as também representando animais, como o crocodilo, o macaco ou o demónio. Mais adiante vejo outra máscara de “Shiva” sob a forma de caçador. Uma enorme cauda de pavão, em leque, cont
orna-a; missanga prateada brilhante e penas vermelhas enfeitam toda a máscara. Um trabalho de artista e de paciência.Sri Lanka, Coreia, Indonésia, Tailândia, Japão, etc., estão representados nesta exposição com as suas não menos interessantes e diversificadas máscaras. Do Tibete chegam-nos as máscaras das filhas da Rainha dos Demónios… as coisas que aprendemos nestas exposições.
Subo ao primeiro piso por uma larga escadaria iluminada sob os degraus. É a exposição de Macau.
Máscara do teatro Wayan Wong (Indonésia)
As salas são escuras. As vitrinas expõem biombos, pinturas, sedas, marionetas, com uma iluminação muito ténue. As inscrições quase não se lêem. Fiz reparo disso a uma empregada. Foi-me informado que irão reparar essa falta. No entanto a luz de fraca iluminação é propositada, em virtude da preservação dos tecidos e desenhos que não devem estar expostos à claridade. De três em três meses são trocados por outros.
Nas paredes negras estão inscritos a branco os feitos, datas e nomes dos portugueses que aportaram a esses países do oriente no século XVI. As porcelanas, sedas e outros objectos de materiais raros e desconhecidos no ocidente, eram trazidos para a Europa.
Sendo os portugueses, o primeiro povo ocidental a chegar à China, as dezenas de crucifixos expostos são uma prova irrefutável dessa estada num mundo longínquo oriental de crenças pagãs.
Um dicionário datado de 1881 “Portuguez-China”, exposto numa vitrina confirma este feito.
Numa outra vitrina aprecio demoradamente uma maqueta de um pagode e de cada lado deste, dois altíssimos pagodes, com cerca de 14 andares cada. Pareceu-me feita de marfim e com tais pormenores que será um crime chamar-lhes de maquetas. O rendilhado, o trabalho minuciosamente recortado e pormenorizado, torna-a uma importante obra de arte.
No segundo piso o mesmo aspecto sombrio, paredes pintadas de preto, inscrições a branco. Sedas pintadas a negro e branco, marionetas, centenas de frascos de rapé estão expostos fazendo lembrar os actuais frascos de perfume. Porcelanas da Companhia das Índias, trajes de guerreiros japoneses, marionetas, estátuas, dragões, máscaras, poderão ser apreciadas neste piso. O Tibete, Japão, Índia, Timor, mostram-nos as culturas exuberantes, exóticas e milenares daqueles países.

