sábado, 19 de junho de 2010

1910 - 2010

A Real Fábrica da Cordoaria da Junqueira data de 1779. Tal como o nome indica, está sedeada na Junqueira, a Belém. Era ali que se fabricavam as cordas de sisal, se teciam as velas e bandeiras para as Naus que navegaram por esse mundo fora. Actualmente dedicada ao "fabrico" de exposições e eventos.
Não resisti em visitá-la.

"Viva a República", representada neste espaço de mais de uma dúzia de salas com paredes cobertas por centenas de fotografias sobre um fundo cor de sangue, do sangue derramado pelo regicídio a 1 de Fevereiro de 1908, pelo assassínio de Sidónio Pais, a 14 de Dezembro de 1918 e muitas outras mortes. Recortes de jornais, descrições em grandes cartazes alusivas aos acontecimentos na época. De 1878, ano do primeiro programa republicano, até à Constituição de 1933, a cronologia está bem patente nas sucessivas salas e corredores que as separam, estes igualmente decorados com gigantescas fotos, cartazes, jornais, etc.


Dezenas de filmes da época compõem a exposição; filmes da revolução; filmes mudos de inocentes passagens, como por exemplo: a actividade têxtil na Covilhã; filmes de guerra; filmes de pesadelos; filmes de tropas; filmes do Terreiro do Paço. Filmes restaurados e passados ao sistema digital, graças à Cinemateca e ao ANIME.
A passagem pela primeira guerra mundial, as greves, a fome, os tumultos e saques a estabelecimentos comerciais, provocados pela escassez de bens alimentares, os sucessivos golpes de estado e queda de governos, tudo isso muito bem representado nesta exposição.
No amplo Hall de entrada deparamos com a recepção, onde a simpatia de duas senhoras nos acolhem com um sorriso. Ao fundo em frente, um diapositivo da República e à esquerda um filme duma banda tocando a "Portuguesa". Uns quantos "RRR" vermelhos decoram o chão, R de República. É o início da exposição.

Por estreitos corredores vamos passando de salão em salão. De 31 de Janeiro de 1891, data em que o Partido Republicano desencadeou no Porto a primeira tentativa gorada contra a Monarquia, passando pelos comícios na Avenida Almirante Reis, (antiga Avenida D. Amélia), ou as fotos de José Relvas proclamando a República da varanda da Câmara Municipal de Lisboa. Tudo isto bem documentado com fotografias e filmes.




Um outro filme numa outra sala e o Escudo Nacional focado por um projector. Os rostos de 4 dos revolucionários do 5 de Outubro: José Relvas; António José de Almeida; Cândido dos Reis e Miguel Bombarda, nomes sobejamente conhecidos como nomes de ruas, largos ou hospitais.
A exposição mostra-nos o percurso do triunfo da ideia republicana, a participação de Portugal na Primeira Grande Guerra, a vida política, social, cultural e artística.
A eleição do Presidente Arriaga a 24 de Agosto de 1911, a partida de tropas para África, lideradas por Afonso Costa, a eleição de Sidónio Pais em 1918, no dia 28 de Abril e a sua morte no dia 14 de Dezembro desse mesmo ano, tudo isto documentado com filmes, fotografias e jornais.
A subida ao "trono" de Salazar e Américo Tomás é igualmente retratada por fotos e filmes.





















Uma exposição a não perder por aqueles que gostam de história.

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