A propósito do nascimento de
gémeos no final do ano, tendo um nascido segundos antes da meia-noite e outro
depois da meia-noite, o embaraço que iria ser num futuro próximo. Nasci em 2013 e o meu irmão em 2014, somos
gémeos.
Um canal de televisão deu a notícia mais ou menos assim:
«O primeiro bebé nascido em 2014 nasceu passava uns segundos da meia-noite. A mãe, de gémeos, deu à luz o primeiro bebé uns segundos antes da meia-noite…»
«O primeiro bebé nascido em 2014 nasceu passava uns segundos da meia-noite. A mãe, de gémeos, deu à luz o primeiro bebé uns segundos antes da meia-noite…»
Um jurista deu a mesma notícia da seguinte forma:
«Deu entrada na Maternidade Alfredo
da Costa, em Lisboa, ao 31 de dezembro do ano de dois mil e treze, Maria Fernanda
da Conceição Fernandes de Albuquerque, portadora do Bilhete de Identidade, n.º
345654438, passado pelo Arquivo de Identificação de Lisboa.
Artigo 1.º - A puérpera acima mencionada gerou dois
gémeos.
a) O primeiro nasceu uns segundos antes da meia-noite e o
segundo depois da meia-noite.
b) Uma vez que um nasceu em 2013 e o segundo em 2014,
será aquele estabelecimento de Maternidade obrigado a passar certidão de
nascimento com hora e data de nascença das crianças.
c) Como se poderá verificar, sendo os bebés gémeos,
dificilmente poderão dizer-se de gémeos, uma vez que nasceram em anos
diferentes.
d) Cabe à judicatura pronunciar-se sobre este vulnerado
caso.»
A notícia dada pelo gabinete do Ministério das Finanças:
«O caso da mãe que deu à luz dois gémeos na passagem do
ano e, como nasceram com diferença de alguns segundos, tendo um nascido no dia
31 de dezembro e outro no dia 1 de janeiro, não obsta que tenham nascido em
anos diferentes. Nestas circunstâncias pedem os pais para que seja dada a mesma
data de nascimento a ambos, prometendo recorrer a tribunal e, caso seja preciso
recorrer da sentença se negativa, para o Supremo.
Este caso poderá levar anos e custos que prevejo de
alguns milhões, que sairão do erário público.»
Outra notícia sobre o mesmo caso, mas desta vez de um
psicólogo:
«O facto das crianças gémeas terem nascido em anos
diferentes, poderá ter consequências para as crianças, não só psíquicas como
também éticas. Os pais poderão igualmente sofrer danos morais irreparáveis.
Como vão, não só as crianças como também os pais, dar a
conhecer a todo o mundo que um nasceu em 2013 e outro em 2104, mas todavia são
gémeos? É um caso que vai obrigar toda a família a recorrer a psicólogos,
hospitais e talvez a hospícios.»
A notícia vinda de um deputado:
«É um caso que provavelmente irá ser discutido na
Assembleia da República e provavelmente irá ser decretada uma lei que proíba
todas as mães de darem à luz gémeos entre as 23 horas e a meia-noite.»
Uma outra notícia vem em um periódico algures no
Alentejo:
«A Maria pariu 2 gémeos.»
Depois de analisadas todas estas notícias, decidi-me ir
visitar os recém-nascidos. O que presenciei foi o motivo deste meu blogue.
Os dois bebés olhavam-se e sorriam. Embora no mesmo
berço, tinham lençóis distintos. O mais afoito olha o outro e exclama:
«Olá, eu sou menino, e tu?»
«Não sei!» Responde o outro.
«Vê e diz-me.»
«Como?»
«Levanta o lençol e vê.»
O outro, depois de levantar várias vezes o lençol exclama.
«Não sei ver.»
«Espera um pouco que eu vejo.» Disse o primeiro enquanto gatinhava
pelo berço e levantava o lençol.
Muito corado e medo disse: «tu és uma menina.»
«Como viste?»
«Tens sapatinhos cor-de-rosa.»
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