Ele: - «Faça o favor…»
Ela: - «Obrigada.»
Ele: - «Que andar?»
Ela: - «4.º»
Ele: - «Eu também, é familiar do sr.
Leonel?»
Ela: - «Não, o sr. Leonel foi quem me vendeu
o apartamento.»
Ele: - «Mas…»
Ela: - «Que se passa?
Ele: - «Elevadores velhos, volta e meia,
zás, uma paragem.»
Ela: - «E agora?»
Ele: - «Não se preocupe, carregamos no
alarme e o administrador resolve o problema.»
Ela: - «É habitual?»
Ele: - «Sim, volta e meia… vá lá que ao
menos desta vez ficámos com luz.»
Ela: - «Mas… ninguém aparece?
Ele: - «Provavelmente não está em casa. Vou
telefonar-lhe. Espero que tenha rede aqui dentro.»
Ela: - «Não há mais ninguém que nos ajude?»
Ele: - «Infelizmente não. Neste prédio a
maioria são viúvas reformadas.
Senhor Fonseca? Ficámos trancados no elevador. O quê?
Bonito… ok, ok.
Ela: - «Que aconteceu?»
Ele: - «Está no Porto, volta só amanhã.»
Ela: - «E agora?»
Ele: - «Dormimos aqui.»
Ela: - «Não brinque… ligue para os
bombeiros.»
Ele: - «É claustrofóbica?
Ela: - «Felizmente não, mas dormir num
elevador…»
Ele: - «Vou ligar para a assistência dos
elevadores, espero que não estejam em greve.»
Ela: - «Ó senhor… desculpe, como se chama?»
Ele: - «Sousa. César Sousa.»
Ela: - «Senhor Sousa, por favor, ligue lá
para o homem do elevador, são sete horas e ainda vou fazer o jantar.»
Ele: - «Senhor Sousa, sou no escritório,
para amigos sou simplesmente César… e que tal se mandássemos vir uma piza?»
Ela: - «Senhor César…»
Ele: - «César, sem senhor.
Boa Noite, sou o condómino do 4.º direito. Estamos
trancados no elevador... não, está no Porto… ok, que remédio, até já.»
Ela: - «Que foi agora, César?»
Ele: - «Está no Cacém. Logo que se despache,
vem, mas com o trânsito a esta hora na IC 19…»
Ela: - «Logo hoje…»
Ele: - «Logo hoje porquê? Tinha onde ir?»
Ela: - «Não, mas estou cheia de fome.»
Ele: - «Quer uma piza?»
Ela: - «Não gosto, nas com a fome que tenho…
não almocei e comia-a de boa vontade.»
Ele: - «Isabel… há quanto tempo vive aqui?
Nunca a vi antes, embora seja minha vizinha.»
Ela: - «Há 15 dias.»
Ele: - «Ah, bem me parecia. A Isabel o que
faz?»
Ela: - «Sou decoradora, trabalho numa
empresa de móveis.»
Ele: - «Curioso...»
Ela: - «Curioso por quê?»
Ele: - «A minha ex., também o era.».
Ela: - «É divorciado?»
Ele: - «Não, sou solteiro, a minha ex.
namorada.»
Ela: - «Zangaram-se?»
Ele: - «Quer dizer… acabámos, feitios
iguais, sagitarianos… nunca se deram.»
Ela: - «Qualquer dia fazem as pazes.»
Ele: - «Dificilmente. Fomos 6 meses felizes.
Tentámos mais um tempo, mas acabámos por nos convencer que o fim era o melhor.»
Ela: - «Segue-se pelos signos?»
Ele: - «Oh, não. Não ligo a isso, é um
antilogismo que não merece ser levado a sério.»
Ela: - «Tenho um primo afastado, sagitário,
uma joia de rapaz, mas com um feitiozinho…»
Ele: - «Todos temos “um feitiozinho”. E a
Isabel, de que signo é?»
Ela: - «Afinal… sempre liga os signos.»
Ele: - «Pura curiosidade.»
Ela: - «Ouviu?»
Ele: - «O quê?»
Ela: - «Pareceu-me ouvir tocar uma campainha
… que horas são?»
Ele: - «8 e 45.»
Ela: - «Há quase 2 horas que aqui estamos.»
Ele: - «O tempo passou depressa. Estava tão
bem acompanhado…»
Ela: - «Diz isso porque não deve ter fome.»
Ele: - «Por acaso tenho…»
Voz: - «Já vos tiro daí.»
Ela: - «Repare… já estamos a descer.
Finalmente.»
Ele: - «Libertados... Isabel, por certo não
vai fazer jantar a esta hora… permita-me que a convide para me acompanhar no
jantar.»
Ela: - «Dada a hora, aceito, mas com a
condição de pagarmos a meias.»
Ele: - «Ok…»
Ela: - «Se não se importa dê-me 5 minutos.
Tenho de ir a casa num instante.»
Ele: - «Tudo bem, aproveito vou também a
casa, mas vou a pé.»
Ela: - «Sim, sim, não arrisco. Vou também pelas
escadas. Bato-lhe à porta quando estiver pronta.»
Ela: - «Desculpe a demora, não resisti a um
duche.»
Ele: - «Mas, mas, onde vamos jantar?»
Ela: - «Aqui perto, estamos rodeados de bons
restaurantes.»
Ele: - «Mas… mas… que bem Isabel. Com esse
vestido, parece uma estrela de cinema.»
Ela: - «Que exagero, César.»
Ele: - «`Peixe ou carne?»
Ela: - «Escolha o César, com a fome que
estou… tudo o que vier eu como.»
Ele: - «Aqui, servem um bife com pimenta que
é uma delícia.»
Ela: - «Costuma cá vir?»
Ele: - «Às vezes, sim. Gosta de bife?»
Ela: - «Sim, mas muito mal passado.»
Ele: - «Eu também, de outra forma não o como.»
Ela: - «Oh, César, porque me olha assim?
Ele: - «Desculpe, Isabel. Estava tão absorto…
pensei estar no céu com um anjo a olhar-me… permita-me que lhe diga, a Isabel é
muito bonita, deve ter namorado e eu aqui a olhá-la… por favor não me leve a
mal.»
Ela: - «Obrigado, César, pelo galanteio, mas
considero-me uma mulher normal, além disso, se tivesse namorado, não estava
aqui sentada consigo, a jantar, mas, mal o conheço.»
Ele: - «Perdoe-me, mas…»
Ela: - «César, por favor… não me interprete
mal. Gostei do seu galanteio, foi simpático, mas fale-me de si…»
Ele: - «Lá vai: nasci há 32 anos, licenciei-me
em gestão, sou romântico, meigo, tenho uma pequena empresa de publicidade e
quando tiver um cliente de um produto de higiene oral, convido-a para meu
modelo e…
Ela: - «Hahaha…»
Ele: - … hoje conheci uma mulher
maravilhosa.»
Ela: - «Oh, César… não me envaideça. Tontinho.»
Ele: - «Obrigado pela sua companhia, nunca
tão bem me soube um jantar.»
Ela: - «Fico-lhe em débito um jantar, quando
não tiver companhia, telefone-me, prometo-lhe um jantar à luz de velas… em minha
casa… ah… o jantar será confecionado por mim… uma SAGITARIANA.
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