terça-feira, 28 de julho de 2009

PORTUGAL NO ORIENTE

Há pouco tempo, tendo reparado a existência do Museu do Oriente, em Alcântara, não resisti à tentação duma visita.
Eram 2 da tarde. Havia uma pequena fila para entrar. Aguardei pouco tempo e comecei pelo piso 0. “Máscaras da Ásia” – A visita não era guiada, mas as suas mensagens eram elucidativas.
Estas máscaras outrora ligadas a rituais religiosos, davam a conhecer o aspecto visível de seres sobrenaturais, ou divindades mitológicas. Hoje são utilizadas em danças, espectáculos, festas ou teatros.
Da mitologia hindu, os deuses “Brahma”, “Vishnu”, Shiva”, entre outros, estão representados nesta exposição. Foram as que mais me despertaram a atenção pela sua riqueza e policromia. Máscaras grandes vermelhas com adornos dourados. Havia-as também representando animais, como o crocodilo, o macaco ou o demónio. Mais adiante vejo outra máscara de “Shiva” sob a forma de caçador. Uma enorme cauda de pavão, em leque, contorna-a; missanga prateada brilhante e penas vermelhas enfeitam toda a máscara. Um trabalho de artista e de paciência.
Sri Lanka, Coreia, Indonésia, Tailândia, Japão, etc., estão representados nesta exposição com as suas não menos interessantes e diversificadas máscaras. Do Tibete chegam-nos as máscaras das filhas da Rainha dos Demónios… as coisas que aprendemos nestas exposições.
Subo ao primeiro piso por uma larga escadaria iluminada sob os degraus. É a exposição de Macau.
Máscara do teatro Wayan Wong (Indonésia)
As salas são escuras. As vitrinas expõem biombos, pinturas, sedas, marionetas, com uma iluminação muito ténue. As inscrições quase não se lêem. Fiz reparo disso a uma empregada. Foi-me informado que irão reparar essa falta. No entanto a luz de fraca iluminação é propositada, em virtude da preservação dos tecidos e desenhos que não devem estar expostos à claridade. De três em três meses são trocados por outros.
Nas paredes negras estão inscritos a branco os feitos, datas e nomes dos portugueses que aportaram a esses países do oriente no século XVI. As porcelanas, sedas e outros objectos de materiais raros e desconhecidos no ocidente, eram trazidos para a Europa.
Sendo os portugueses, o primeiro povo ocidental a chegar à China, as dezenas de crucifixos expostos são uma prova irrefutável dessa estada num mundo longínquo oriental de crenças pagãs.
Um dicionário datado de 1881 “Portuguez-China”, exposto numa vitrina confirma este feito.
Numa outra vitrina aprecio demoradamente uma maqueta de um pagode e de cada lado deste, dois altíssimos pagodes, com cerca de 14 andares cada. Pareceu-me feita de marfim e com tais pormenores que será um crime chamar-lhes de maquetas. O rendilhado, o trabalho minuciosamente recortado e pormenorizado, torna-a uma importante obra de arte.
No segundo piso o mesmo aspecto sombrio, paredes pintadas de preto, inscrições a branco. Sedas pintadas a negro e branco, marionetas, centenas de frascos de rapé estão expostos fazendo lembrar os actuais frascos de perfume. Porcelanas da Companhia das Índias, trajes de guerreiros japoneses, marionetas, estátuas, dragões, máscaras, poderão ser apreciadas neste piso. O Tibete, Japão, Índia, Timor, mostram-nos as culturas exuberantes, exóticas e milenares daqueles países.


Três horas depois saio da exposição. Medito e recordo Camões:

Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto de alevanta.

Canto Primeiro – estância 3
São 17 horas. A fila para entrar é de uma extensão de umas centenas de metros.
É gratificante verificar o interesse que o povo português nutre pela cultura. Ou seria porque a entrada era gratuita?
Lisboa, 27 de Julho de 2009
Carlos Soares

3 comentários:

  1. a historia é bem interessante, consegue prender o leitor até ao fim na expectativa de saber o resultado dessa malfadada carta,que afinal acaba com desfecho tipo hitscok.
    bem apresentada e com muito suspense-

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  2. Este comentário refere-se ao Blogue a CARTA, e por lapso foi editado em PORTUGAL NO ORIENTE.

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