sábado, 15 de agosto de 2009

O paradoxo e o incongruente Bolo-Rei

Era uma vez um rei que tinha 2 amigos. Por mera casualidade esses dois amigos eram igualmente reis. Eram reis porque cada um reinava em seu país. Mesmo em pequeninos nunca reinaram juntos. Tinham algo em particular, o seu aspecto físico: eram magros. Eram magros não por passarem fome, pois ganhavam muito bem e até recebiam subsídio de férias e de Natal, mas sim por praticarem o desporto da anorexia. Eram conhecidos por “os três reis magros”.

Em finais do século XIV, numa manhã de nevoeiro, reúnem-se para uma viagem à Europa. Pretendiam comprar oferendas para uma amiga comum que vivia em Aljubarrota, a Brites de Almeida. Admiravam-na pela sua valentia. Constava-se que tinha electrocutado uns castelhanos com o ferro eléctrico de engomar.

Rumaram aos Açores. Pretendiam comprar queijo, leite e ananases.
Dirigiram-se às vacas gordas, brancas de tanto leite e pretas da terra vulcânica. Eram tão idênticas que com dificuldade distinguiram as que davam leite e as que davam queijo, já que, sem dificuldade descobriram as que davam ananases, pois estas, além de serem acastanhadas, viviam em estufas.
Carregados das suas oferendas, perguntaram a um polícia o melhor caminho para Belém. Foi-lhes informado que era longe, que ficava entre o Castelo de S. Jorge e Algés.
Tinham pressa, queriam chegar antes do dia seis de Janeiro a fim de comprarem pastéis de belém, e só depois prosseguiriam a sua viagem para Aljubarrota. Por sorte deles passava na altura o eléctrico da estrela com destino Belém. Tomaram-no. Por azar deles chegaram no dia sete e encontraram a pastelaria fechada.
Ao mesmo polícia, que por sinal tinha vindo dois dias antes, de avião, perguntaram a que horas abria a pastelaria. - Oh, reis magros, a pastelaria só abre daqui a aproximadamente 624 anos, três meses e 8 dias, às oito horas da manhã. Desiludidos indagam-se: esperamos? Não vale a pena, diz o Baltazar. Até lá morreríamos de fome, diz o Gaspar. Que fazer então? Pergunta novamente o Belchior. Nestas indagações, hesitações, incertezas e outros sinónimos, não chegariam a quaisquer conclusões, não fora a sorte de por perto passar um anjo que lhes disse: não sois vós portadores de oferendas trazidas dessa maravilhosa ilha donde viestes? Porque não as levais para a Brites de Aljubarrota para que ela vos faça um bolo na sua padaria? (Não há dúvida que os anjos, não só os da guarda, nacional, mas também os outros, são uns óptimos conselheiros).

Assim fizeram. Perto do Palácio de Belém verificaram a existência duma casa que anunciava: “RENT-A-COCHE COM OU SEM CONDUTOR”. Depois das formalidades normais, do pedido da carta de condução, BI, NIF, etc. alugaram um de 4 cavalos e com GPS.

Imagens gentilmente cedidas pelo dono da Internet

Era já noite cerrada quando bateram à porta da padaria. A Brites veio abrir com a pá em punho, pensando tratar-se de castelhanos, (dias antes tinha dado cabo de seis). - Olá amigos reis, que magros estais, tendes fome? Quereis pão acabado de cozer? É oferta da casa. Uma vez que não tinham que pagar aceitaram e saciaram-se.
Depois de amena cavaqueira de muita conversa fiada, falando-se da crise, do preço da gasolina e do carvão, de que o pão teria de aumentar, mas não em tamanho, etc. lá adormeceram.

A Brites era uma interessante mulher, bonita, jovem cheia de graça, com um narizinho perfeito e um corpo escultural, uma boca de lábios carnudos e vermelhos. O lenço na cabeça dava-lhe um ar sensual, conforme podem verificar na foto abaixo, tirada na época. Tinha bigode e tudo.

Mais uma oferta da Internet. (fotografia tirada Em 1390, com uma máquina fotográfica digital)

Já o Sol ia alto quando os reis acordaram. Levantaram-se e depois de dejejuar foram dar uma volta pela cidade (na altura era a capital de Santo Condestável). Foi então que se lembraram da conversa com o anjo, no dia anterior em Belém. Dirigiram-se para a padaria e falaram com a Brites. - Ó Brites; podias fazer-nos um bolo. Temos leite, queijo e ananases, tu apenas dás o açúcar. A proposta era vantajosa para ambas as duas partes, ou melhor, para ambas as quatro partes, uma vez que eles eram três mais ela que era uma, os empregados não entravam na divisão do bolo, dava um total de quatro.

De imediato a cabeça da linda padeira começou a computar. Precisava de um molde, duma forma ou algo que servisse para a confecção do bolo que mais tarde se tornaria famoso. Após um clic no “enter” apareceu a palavra coroa. Era isso mesmo e a do rei Belchior era a mais indicada. - Ó Belchior, tens aí uma coroa que me emprestes?
Foi aquela colocada à disposição da padeira que, com a sua habilidade e destreza com a pá, confeccionou um lindo bolo.
Duas horas e dezoito minutos depois estava pronto. Foi provado, foi comido acompanhado com gasosas e pirolitos (estes mais tarde retirados do mercado pela ASAE) e foi aprovado. Discutiu-se o nome a atribuir ao bolo, de forma a não ferir susceptibilidades, nem ao bolo nem aos presentes. Alvitrou-se bolo Belchior, bolo da padeira, bolo dos magros, bolo da Brites, até que uma vez mais um clic da padeira e zás: Bolo-rei.

Ficou aprovado aquele nome. Bolo-rei ou o da Brites.
Para comemorar fez-se uma festa e deitaram-se foguetes. Convidaram-se o rei de Portugal D. João I, o de Castela D. Juan de Castella, D. Nuno Álvares Pereira e outras figuras públicas e políticas de ambos os países. Os partidos políticos de todos os quadrantes enviaram os seus representantes. Até veio Martim Moniz, mais conhecido pelo “portas”. O Afonso Henriques enviou a sua comitiva. A Brites pediu desculpa ao rei de Castella pela morte dos soldados castelhanos, desculpa essa aceite. Foi o fim da guerra entre Portugal e Castela. Houve abraços, beijos, choros, lágrimas e cravos vermelhos na ponta das espadas.

Assim nasceu a história do bolo-rei. Ainda hoje onde se come o melhor bolo-rei da Nacional é na bonita vila de Aljubarrota. A sua fama já vem de longe e atravessou todos os oceanos pacíficos ou não.

Agradecimentos
A todos os historiadores que me ajudaram na pesquisa destes feitos. Ao Senhor da Internet, aos meus amigos que durante quatro anos me incentivaram nestas pesquisas à minha família que me acompanhou pelos cinco cantos do mundo, (ou foram seis?) desde o Pólo à Polónia e do Árctico ao outro lado da ilha. Por tudo isto quero dizer duas palavras: Obri e gado.

2 comentários: