quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Novo Acordo Ortográfico

Há dias, estando eu a lanchar numa pastelaria da av. João XXI, mais propriamente na "Sabores21", uma pastelaria simpática e acolhedora onde costumo trabalhar com o computador, (esta pastelaria para além do acolhimento e dos deliciosos croissants, tem a vantagem de nos deixar sossegados e nos oferecer a possibilidade de ligação à Internet via "Wireless"), assisti a uma discussão entre dois clientes acerca do novo acordo ortográfico. Um a favor outro contra.
"Não concordo com a mudança", dizia um, "a abolição das consoantes nas palavras 'direção', 'ator', 'batismo', ação', etc. ", são brasileirismos que não me entram na cabeça." Concluía.
"Mas repara que a língua portuguesa é falada por mais de 200 milhões de pessoas e nós somos, aqui neste cantinho, apenas 10 milhões..." contestava o outro.
Pela idade deviam ser estudantes de uma Faculdade, provavelmente de letras. Aquele que discordava do novo acordo olhou-me como que a pedir a minha opinião. Sorri para ambos.
"Também a mim me custa a mudança; mais a mais que se escrevo de acordo com a nova ortografia, para além de sentir a falta dum acento, duma letra ou dum hífen, o corrector ortográfico acusa erro." Disse eu. "Todavia teremos que nos adaptar à nova ortografia; desde janeiro deste ano que está em vigor e em breve todos os computadores, dicionários, prontuários, etc. virão com actualizações dos novos conceitos e princípios fundamentais da gramática."
"Passaremos a escrever à brasileira?"
"Não é bem assim", respondi.
"Como não?" Retorquiu.
"A partir daqui haverá apenas uma língua escrita. A Língua Portuguesa. Toda a Comunidade de Países de Língua Portuguesa escreverá da mesma forma. Com uma única gramática e um só dicionário."
"A existência de duas grafias limita a dinâmica do idioma e os obstáculos têm surgido na literatura, no cinema, na imprensa e não só; nas propostas de negócios, na correspondência comercial, etc. Os oito países da CPLP, nas suas relações intracomunitárias, deparam-se com a dificuldade da forma como devem escrever."
"Mas deveríamos ser fiéis à Língua Pátria, à Língua de Camões", objectou o não concordante.
"E continuaríamos a escrever farmácia com 'ph', ou catorze com 'qu', ou outros arcaísmos"... acrescentei.
"Não estamos orgulhosamente sós, vivemos numa Europa onde o português é a 3.ª língua mais falada e a 5.ª no mundo. Não é aceitável que nos computadores ainda apareça 'português de Portugal e português do Brasil'."
"Recorde-se que existem quatro grande línguas nas relações internacionais: Inglês, Francês, Português e Espanhol. Não me recordo de ter visto em nenhuma delas 2 grafias, a não ser no Português. Não se pede que mudem a pronúncia; também aqui as temos do norte ao sul do País, um sem número de pronúncias distintas. O Brasileiro que continue a falar com as vogais bem abertas, mas a escrita essa, será a mesma; tal como o espanhol de Espanha e o espanhol da América do Sul ou das Caraíbas, com pronúncias distintas mas uma só escrita."
Os estudantes despediram-se com um agradecimento e saíram.
O mais velho, o discordante, não me pareceu muito convencido com a minha exposição.

1 comentário:

  1. Pois, caro Carlos Soares, porém o Inglês «British» não alterou a sua gramática por causa do Inglês «Americano», «Sul-Africano», etc...nem os Franceses fizeram alterações à sua gramática pelo facto de nas suas ex-colónias o Francês ter evoluído de outra forma. Portugal não é o único país que colonizou e que espalhou a sua Língua...temos que ser diferentes? Consideramos que é através desta medida que se faz a aproximação com os «Países-irmãos»???!!!!

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