sexta-feira, 7 de maio de 2010

Um de muitos outros dias

Dedico este blogue a todos os meus amigos, em especial aos reformados e principalmente àqueles de quem o ócio se apoderou.

Acordei cedo. Talvez pelas sete da manhã. Levantei-me e fui para a sala ler. Há já um par de semanas que não abria o livro "O Cônsul Desobediente", uma biografia de Aristides de Sousa Mendes, romanceado pela autora Sónia Louro; a história dum cônsul português em Bordéus que concedeu cerca de 30.000 vistos para salvar outras tantas vidas das garras de Hitler, desafiando Salazar. Interrompi a leitura para ouvir o noticiário das 8, na TSF, retomando-a de seguida. Cerca das 10 liguei o PC. Li o correio electrónico. Respondi a dois e-mail. Dei uma passagem pelos jornais diários. As manchetes eram comuns: as eleições na Grã-Bretanha e a vitória do partido conservador; a notícia do deputado Ricardo Rodrigues e o furto dos gravadores dos repórteres da revista Sábado; a aprovação do empréstimo à Grécia; as cinzas do vulcão islandês a aproximarem-se do espaço aéreo português; etc. etc. Dei uma vista de olhos pelo jornal financeiro e verifiquei que a bolsa abriu a cair 2,98%, não por jogar na bolsa, mas porque esta é o termómetro da crise. O PSI 20 desceu 0,78%.

Meio-dia. Arranjo-me e tomo o pequeno-almoço. Volto para o computador e acabo uns mapas de que vou necessitar na próxima quarta-feira para a empresa onde sou administrador.

Meio dia passado, vou procurar ocupar a parte da tarde. Investigo na Internet a agenda de exposições. No CCB está uma de Joana Vasconcelos, porque não visitá-la?
Perto das 4 horas da tarde entro no CCB. Está repleto de crianças do 1.º ano ao secundário, havia-as de todas as idades. As professoras descreviam o que iam vendo e com uma atenção deslumbrante os alunos ouviam e perguntavam: quem era a Joana, o porquê daquele tipo de escultura, porque esculpiam um sapato com tachos e tampas de tachos...



(Pormenor dos tachos, panetas e tampas)

Tudo servia para questionarem. Com uma paciência de professora lá iam explicando o porquê das coisas, a arte e horas de trabalho despendidas com esta ou aquela escultura.

Por exemplo: esta cabina, outrora uma cabina de cobrança de bilhetes para uma feira, foi adquirida para, dentro da mesma, serem introduzidos dezenas de espelhos, colocados de formas irregulares, onde uma pessoa, dentro dela se vê fragmentada.


Esculturas de tricô, croché, elaborados durante anos, com paciência de artista ou objectos tais como espanadores, garrafas, blisters de comprimidos de "valium" ou "aspirina", tampões higiénicos, utensílios de todo o género. Tudo serviu para duma forma engenhosa elaborar umas esculturas que só à Joana Vasconcelos lembra.















São seis da tarde, regresso a casa. Antes de jantar visito a minha página do facebook, comento uma publicidade dum sobrinho meu (os seus famosos croissants), uma mensagem de uma amiga a convidar todos a embandeirarem as janelas com as bandeiras do Benfica (que bonito seria o País salpicado de vermelho).
São oito horas da tarde.
Vejo o telejornal.
Janto.
Abro o correio electrónico.
Envio mais uns e-mail.
Escrevo este blogue.
São duas da manhã.
Amanhã será um novo dia.
Deito-me com a certeza de que o dia seguinte será aproveitado em todos os minutos.

5 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Transcrição do comentário da minha amiga Kika:
    ESTOU ADORANDO LER SEUS ESCRITOS. ESSE DE HOJE, FALANDO DO COTIDIANO, ME FEZ REFLETIR EM QTAS HORAS A GENTE PERDE SEM SENTIR.COMO VIVEMOS SEM PERCEBER PEQUENOS DETALHES PQ SIMPLESMENTE FOCAMOS NOSSA VISÃO EM ALGO E ESQUECEMOS NOSSO REDOR. KIKA

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  3. Cara amiga Kika.
    Tomara poder viver sem dormir. Sempre que penso nos vinte e poucos anos que passei a dormir... o que poderia eu ter feito em benefício da humanidade; o que teria eu aprendido em prol da cultura; o que teria eu ensinado a todos os que querem aprender; enfim não ilusões irrealistas.

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  4. MEU AMIGO
    TOMO ESSE SEU COMENTÁRIO COMO REMÉDIO PARA MINHA INSÔNIA. TENHO ESCRITO NAS MADRUGADAS COMO UMA FORMA DE BUSCAR LEMBRANÇAS DE INFÂNCIA, DE FILHOS, DE LUGARES POR ONDE JÁ ANDEI. MAS, FALTA-ME A CORAGEM DE COLOCAR PARA QUE OUTRAS PESSOAS LEIAM. VENDO SEUS ESCRITOS, QUE TANTO APRECIO, VOU COMEÇAR A ELABORAR ESSA IDÉIA.

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  5. Caro amigo "anónimo". Obrigado pelo seu comentário. Pelo que me dá a perceber deverá ser brasileiro. Benvindo ao mundo dos sonhadores. Não hesite em escrever o que lhe apetecer. Se quiser poderá fazê-lo aqui no meu blogue, mas aconselho-o a criar um seu. Escreva, escreva o que lhe vier à ideia, escreva o que lhe der na gana, mas escreva. Se criar um novo blogue informe-me que serei seu seguidor e comentador.
    Um abraço
    Carlos Soares

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