Há imagens que
nos ficam na memória e esta tenho-a tão presente como se tivesse acontecido
ontem.
Há tempos, após um suculento jantar,
apeteceu-me uma bebida. Queria beber um digestivo sem pressa, saborear a bebida
e digerir bem a refeição. Escolhi um hotel de 5 estrelas. A majestosa entrada,
o bom acolhimento do pessoal, a música e todo o ambiente foram bálsamos para me
ajudar a esse fim. Sentei-me confortavelmente, pedi uma aguardente velha.
Enquanto esperava pela bebida olhava os clientes do hotel, na maioria
estrangeiros, tentando imaginar o que cada um deles fazia ou de onde vinha.
Havia homens de negócios, turistas, mas na maioria casais. Estes últimos seriam
turistas por certo. Despertou-me a atenção um casal de meia-idade. Tomavam
sumos. Olhavam-se com ternura. A mão dela por vezes acariciava o companheiro.
Ele sorria, embora demonstrando pouco à vontade. Ela mais afoita, insistia. O
cavalheiro segredou-lhe qualquer coisa e levantaram-se. Foram para o jardim,
traseiras do hotel. Através do vidro pude observá-los. Caminhavam de um lado
para o outro conversando muito juntos, mas sempre com aquele ar de enamorados.
Estava um pouco de vento e poucos minutos depois regressaram ao interior. Deram
uma volta pelo enorme salão e sentaram-se num canto, longe dos olhares, não tão
longe que não os pudesse observar. As cenas de amor continuaram. Lembraram-me
os jovens que, sem pudor ou propositadamente, beijam as namoradas na rua. Nunca
compreendi o motivo de tais atos. Não condeno, mas acho descabido tal procedimento.
Quererão dizer ao mundo que se amam? Não seria muito mais bonito demonstrarem um
ao outro que se amam sem espetáculo? Sem testemunhas? O amor não precisa de ser
demonstrado, necessita sim de ser comprovado. Não era o caso daquele casal,
claro, mas gostei de os ver. Seriam casados? Duvido. Provavelmente não se viam
há algum tempo ou então conheceram-se recentemente e amaram-se. A minha
observação era discreta. Não queria estragar o idílio daquele casal. Gostei de
ver que o amor não tem idade.
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