O Faustino era um menino negro, único na escola de brancos. Frequentava o nono ano com apenas 14 anos. Invejado e desprezado pelos colegas mais velhos de ambos os sexos. Era meigo, cortês e admirado pelos professores. A Rosinha, chefe de turma, não desgostava dele, mas pretendia não desagradar aos restantes colegas e por isso, evitava-o. A Fernandinha de 17 anos, a mais velha da turma, repetente e indisciplinada, era colega de carteira da Rosinha. Gostava do Faustino e reparava na empatia que Rosinha nutria pelo Faustino.
Estavam no recreio. Necessitavam dum décimo elemento para um torneio de futebol. Apenas restava o Faustino. Uma das equipas teve de o acolher e colocou-o na defesa. Espanto! Corria e dominava a bola como ninguém. Em poucos minutos introduziu a bola na baliza adversária. Protestos. O árbitro, um professor, validou o golo e mostrou um cartão amarelo a um dos jogadores. O Jogo continuou com encontrões, rasteiras e atropelos ao "patinho feio", como lhe chamavam.
O começo de uma simpatia começava, mas a medo, sem demonstração nem manifestação. Em seguintes jogos disputavam-no e a equipa adversária castigava-o com pontapés, cambapés ou empurrões. Nunca se queixou.
Numa tarde de balburdia entre colegas femininos, Fernandinha agride a Rosinha que, desequilibrando-se, cai pela escadaria de pedra. Faustino que observara a cena, corre pelas escadas abaixo e tenta socorrer a colega. Depressa é incriminado pelos colegas que, apesar de nada terem visto, tentam arranjar um cúmplice. Faustino é expulso da escola.
Na cama do hospital encontra-se a Rosinha rodeada pela família. A medo, Faustino aproxima-se. Deixa um pacotinho com bolos e um papel escrito. A Rosinha desvia o olhar como que a evitá-lo. Faustino, sorrateiramente afasta-se. Os pais da miúda olham a caixa dos bolos e leem o papel. "Não tenho dinheiro para mais, deixo-te aqui dois bolos e espero que depressa regresses a casa."
No dia seguinte Faustino regressa com mais um pacotinho e mais um papel escrito. Esconde-se e espera que a Rosinha esteja só. Entra. Pousa o pacotinho em cima da mesa e diz à Belinha: «estás melhor? Desculpa, hoje só te pude trazer um bolo.» Rosinha olha-o mas não diz nada. Fecha os olhos.
Dois dias depois a garota tem alta. Tinha sofrido pequenas escoriações.
A mãe de Faustino preparava-se para sair quando lhe batem à porta.
Uma criança loira, com um ar comprometido, timidamente pergunta «o Faustino está?»
«Está sim o que querias?»
«Queria ir com ele à escola e falar com o senhor diretor»
«Para quê?»
«Não foi ele que me empurrou, foi uma colega, mas não me recordo qual.»
«És a Rosinha?»
«Sim, minha senhora.»
«FAUSTINO! Está aqui a tua colega Rosinha»
Faustino correu para a porta. «Não estás zangada comigo?»
«Não, eu sei que não foste tu que me empurraste, estavas longe de mim e foste o único que me tentou socorrer. Vem comigo, vamos à escola. Quero que duma vez por todas deixes de ser o "patinho feio", tu és bom e vamos resolver este assunto. Quero que voltes para a minha escola.»
A mãe de Faustino olhou as crianças saírem de mãos dadas em direção à escola e não pôde evitar uma lágrima.
Uma enorme faixa com a inscrição: BEM-VINDO PATINHO FEIO FAUSTINO, sobre as palavras PATINHO FEIO, um traço grosso a vermelho riscava-as. Os colegas receberam-no com palmas e gestos de amizade, dando-lhe palmadas amigáveis, gritando: «VIVA O FAUSTINO, VIVA O FASUTINO».
Na cama do hospital encontra-se a Rosinha rodeada pela família. A medo, Faustino aproxima-se. Deixa um pacotinho com bolos e um papel escrito. A Rosinha desvia o olhar como que a evitá-lo. Faustino, sorrateiramente afasta-se. Os pais da miúda olham a caixa dos bolos e leem o papel. "Não tenho dinheiro para mais, deixo-te aqui dois bolos e espero que depressa regresses a casa."
No dia seguinte Faustino regressa com mais um pacotinho e mais um papel escrito. Esconde-se e espera que a Rosinha esteja só. Entra. Pousa o pacotinho em cima da mesa e diz à Belinha: «estás melhor? Desculpa, hoje só te pude trazer um bolo.» Rosinha olha-o mas não diz nada. Fecha os olhos.
Dois dias depois a garota tem alta. Tinha sofrido pequenas escoriações.
A mãe de Faustino preparava-se para sair quando lhe batem à porta.
Uma criança loira, com um ar comprometido, timidamente pergunta «o Faustino está?»
«Está sim o que querias?»
«Queria ir com ele à escola e falar com o senhor diretor»
«Para quê?»
«Não foi ele que me empurrou, foi uma colega, mas não me recordo qual.»
«És a Rosinha?»
«Sim, minha senhora.»
«FAUSTINO! Está aqui a tua colega Rosinha»
Faustino correu para a porta. «Não estás zangada comigo?»
«Não, eu sei que não foste tu que me empurraste, estavas longe de mim e foste o único que me tentou socorrer. Vem comigo, vamos à escola. Quero que duma vez por todas deixes de ser o "patinho feio", tu és bom e vamos resolver este assunto. Quero que voltes para a minha escola.»
A mãe de Faustino olhou as crianças saírem de mãos dadas em direção à escola e não pôde evitar uma lágrima.
Uma enorme faixa com a inscrição: BEM-VINDO PATINHO FEIO FAUSTINO, sobre as palavras PATINHO FEIO, um traço grosso a vermelho riscava-as. Os colegas receberam-no com palmas e gestos de amizade, dando-lhe palmadas amigáveis, gritando: «VIVA O FAUSTINO, VIVA O FASUTINO».
Sem comentários:
Enviar um comentário