Ainda jovem, na casa dos trinta, era já Diretor Geral em Portugal de uma multi-nacional operadora telefónica. Normalmente poucos e-mails recebia no seu correio privado.
Uma manhã, ao ligar o computador, verificou a existência de correio na sua caixa privada. Admirado abriu e leu a mensagem:
Caro Fernando,
Perdoe-me este meu atrevimento. Sou viúva há dois anos. Conheço-o e admiro-o não só como diretor dessa companhia, mas também pela sua conduta como homem. Não lhe venho pedir emprego nem pretendo aborrecê-lo com queixumes. A minha timidez obriga a dirigir-me a si por este meio.
Há muito que o rondo e discretamente o olho, embora nos tenhamos cruzado poucas vezes. Sei que é casado e penso que feliz.
Sou viúva e tendo apenas 32 anos, o meu espelho diz-me que sou atraente. Não me julgue mal. Sou uma mulher sensata, recatada e é a primeira vez que me dirijo a um homem. Gostaria de ter em si um amigo, um confidente. Será ousadia demais da minha parte pedir-lhe para me acompanhar a tomarmos um café... apenas um café?
Não me alongo mais e, se não me responder compreendê-lo-ei perfeitamente.
Os meus sinceros cumprimentos.
Filomena, Filó para amigos.
Fernando Oliveira, releu o e-mail. Sorriu e pensou: queres brincar, pois iremos brincar.
Isabel Oliveira, dona de uma pequena agência de publicidade, tinha como sócia a Isaura, uma amiga íntima de há longa data. Apenas cinco pessoas trabalhavam naquela empresa e todas mulheres. Nas horas vagas Isabel e Isaura entretinham-se no facebook, com fotos falsas brincavam com os pseudopretendentes.
«Enviei-lhe ontem o e-mail, Isaura» disse Isabel à sua sócia.
«Vê lá o que fazes. Tem cuidado. Se ele descobre... é perigoso.»
«Tenho a certeza que ele não me responde. Vais ver»
Enganava-se. Nessa mesma tarde recebe o seguinte e-mail:
Minha cara Filó,
O seu e-mail deixou-me ansioso. Conhecemo-nos? Quem é você? Não quererá antes dar-me o seu MSN para assim podermos em direto "conversar"? Não vejo qualquer problema em tomarmos um café juntos, mas gostaria de saber algo mais a seu respeito.
Aguardo seu comentário.
Fernando.
«ISAURA! ISAURA! ELE RESPONDEU, ANDA VER» gritou Isabel.
«Ainda te metes em alguma alhada Isabel», retorquiu Isaura.
«Vou criar um novo MSN para comunicar com ele.»
Nessa mesma tarde Isabel enviou um e-mail ao marido com o seu MSN.
De minuto a minuto olhava o canto inferior direito do seu PC auscultando a entrada do marido. Só no dia seguinte viu satisfeito o seu desejo.
«Olá Filó, bom dia»
«Bom dia Fernando, estava a ver que me tinha desprezado»
«Não estive no escritório ontem à tarde. Não tem foto no seu hotmail...»
«Não gosto de pôr a minha foto na Internet, os pretendente já são muitos sem ela...»
«Vou começar a tratar-te por tu, vês algum inconveniente?»
«Não, não. Eu farei o mesmo. Estava ansiosa pelo teu contacto.»
«De onde me conheces? Trabalhas aqui perto? O que fazes? Como és?»
«Calma, uma pergunta de cada vez. Conheço-te da tua rua, moro perto de tua casa, mas tu sais muito cedo e raramente te vejo. Tenho um escritório de representações na baixa. Um dia vi-te entrar para o teu escritório e perguntei na portaria por ti, fingindo estar interessada numa rede de telefones.»
«Sua atrevida. Tu conheces-me e eu? Não tenho o mesmo direito?»
«No nosso encontro conhecer-me-ás e não te vais desiludir.»
«Vaidosa»
«Sei o que valho. Tenho muitos espelhos em casa. Entretanto dou-te algumas dicas, pode ser que te recordes de me ter visto. Sou morena, cabelo preto comprido, normalmente visto saias ou vestidos e saltos muito altos, como sou baixa... tenho olhos verdes.»
«Deves ser aquilo a que se chama uma "brasa", não?»
«Admiradores não me faltam, mas enviuvei há dois anos e ainda não perdi a cabeça.»
«Mentirosa. Então porque me procuraste?»
«Agora o vaidoso és tu. Eu apenas te convidei para um café, como amigo. Recordas-te?»
«Está bem. Perdoa-me. Foi a brincar. Quando é que queres encontrar-te comigo?»
«Hoje é terça-feira. Amanhã é um dia difícil para mim. Que tal na quinta?»
«Pode ser. Marca o local e hora»
«Amanhã envio-te uma mensagem»
«Isaura! Ele caiu. Vai encontrar-se comigo na Verssailles. E agora o que faço?»
«Não vás» respondeu a amiga.
«Mas assim não sei se ele aparece.»
«Mandamos a Catarina, ela é de confiança. Mostra-lhe a fotografia do teu marido e ela fica lá a ver o seu comportamento.»
Catarina segui para a Verssaille meia hora antes da hora indicada.
Catarina segui para a Verssaille meia hora antes da hora indicada.
«D. Isabel, aquele senhor da foto não apareceu. Estive lá das 3 até agora e não apareceu.»
«Tens a certeza, Catarina?»
«Absoluta. Estive sentada mesmo à entrada e reparei em todos os homens que entravam. Aquele senhor é demasiado charmoso para passar despercebido.»
«Ok, obrigada Catarina.»
Isabel ficou desconsertada. Não sabia o que fazer. No seu PC não viu o Fernando em linha. Porque não aparecera? Era estranho, deveria ter comparecido... ou não? Aguardaria uma mensagem sua. Deveria haver uma forte razão.
Nestes pensamentos nem repara que Fernando acabara de entrar em contacto.
«Olá Filó, que aconteceu? Não pudeste comparecer?» Isabel mais confusa ficou. Dizer-lhe que sim, que esteve à sua espera? Ele tinha razão. Não comparecera. Mas se Fernando esteve lá como é que Catarina não o viu? Resolveu dizer a verdade.
«Perdoa-me Fernando. Um imprevisto reteve-me no escritório e como não podia contactar-te...»
«Por esta vez perdoo-te. Marca outro encontro, mas recorda-te que não te conheço. Tu terás de te dirigir a mim, embora pela descrição que de ti fizeste não será difícil reconhecer-te.
«Está bem. Na próxima segunda-feira estás disponível? Poderíamos almoçar juntos, para te compensar da minha falta.»
«Está bem. Terei muito gosto. Escolhe o restaurante e a hora.
Em casa nada fazia prever que o marido andasse comprometido com uma "Filó". Continuava o mesmo marido terno e afável. Na próxima segunda-feira faziam cinco anos de casados e ele tinha marcado um almoço com outra. Isabel começou a temer que algo de mal pudesse vir a acontecer. A sua amiga bem a avisara. Mas já agora levaria o caso até ao fim. Na segunda-feira iria almoçar com ele e logo lhe diria das boas.
O relógio do escritório de Isabel marcava 12h30. Do escritório ao restaurante demoraria cerca de trinta minutos. Meteu-se no carro e pelo caminho imaginou a cena. Ela ao entrar, o marido ficaria espantado. Qual seria a sua reação? Ainda pensou em voltar para trás, mas assim ficaria na eterna dúvida. Não. Iria e ele é que tinha procedido mal. Logo no dia do seu aniversário de casamento. Era demais. E se acontecesse o contrário?, não tinha pensado nisso. Se o marido julgasse que era ela que andava a meter-se com outro Fernando? Não, não. Isso não ia acontecer. Ela sabia bem que o marido nunca pensaria assim.
Pouco passava da uma. A tremer e até com certo receio, entra no pequeno mas requintado restaurante.
Um cavalheiro sorridente, sentado muito próximo da porta de entrada, levanta-se e aproxima-se de Isabel.
«Olá Filó!, mentiste-me, não tens olhos verdes ou usa lentes de contacto?»
«Quem é o senhor???» Disse Isabel muito espantada.
«Sou o Fernando, mas... não me conheces? Disseste-me que me conhecias bem...»
«Há qualquer coisa que não entendo. Eu conheço bem o Fernando Oliveira. Quem é o senhor?»
«Eu sou Fernando Ferreira, a Filó marcou este restaurante para eu a conhecer.»
«Peço desculpa mas há um enorme equívoco. Tenho de me retirar.»
«Mas, almocemos e conversaremos durante o almoço» insistiu o cavalheiro.
«Não. Peço desculpa. Esqueça o meu e-mail. Esqueça tudo o que se passou. Por favor não me contacte mais. Eu queria encontrar-me com alguém que conheço bem e não com um desconhecido» disse Isabel e sem mais delongas abandona o restaurante.
A sua cabeça não conseguia raciocinar. Quem era aquele homem? Teria ela andado a corresponder-se com um desconhecido? Dirigiu-se para o escritório. Não almoçou nem conseguiu trabalhar. Fechou-se no seu gabinete e não atendeu ninguém. Mexia e remexia em papéis mas não conseguia vê-los. Durante mais de duas horas não conseguiu tirar o estranho personagem que a aguardava para almoçar. Agora compreendia por que a sua empregada não vira o seu marido na Verssailles, seria aquele cavalheiro que lá estivera à sua espera? De repente correu para o computador. O seu primeiro e-mail enviado era sem dúvida para o seu marido, embora assinado com Filó. Como era possível aquele senhor ter-se correspondido com ela através do MSN? Nada fazia sentido. Bruscamente o seu telemóvel toca. Era o seu marido. Atendeu a tremer e receosa: «querida, não faças jantar para hoje. Vamos jantar fora.É o dia do nosso aniversário. Vou-te buscar ao escritório às oito.»
Com um enorme ramo de flores, Fernando Oliveira entra pelo escritório da mulher e dá-lhe um beijo muito terno.
«Despacha-te, estou cheio de fome» disse o marido, sorrindo para Isabel.
«Eu também. Não almocei...» mas logo se arrependeu do proferido.
«Porquê» perguntou Fernando
«Muito que fazer» mentiu Isabel.
No restaurante, o marido como sempre muito atencioso, olhava-a carinhoso. Isabel não se sentia bem desde a hora do almoço.
Repentinamente Isabel dá um salto e põe-se de pé. E, numa vós abafada diz: «vamos embora.»
«O que aconteceu? Parece que viste o diabo.»
«Não é nada, mas não me sinto bem» disse Isabel não tirando os olhos do cavalheiro à sua frente, que entretanto lhe sorria. Era o mesmo com quem se encontrara à hora de almoço.
O marido olhando na direção do olhar da mulher viu o cavalheiro e saudou-o: «Olá Ferreira»
«Conheces aquele homem?» Perguntou Isabel.
«É um colaborador meu. Faz hoje anos e vem com a sua mulher jantar. Fui eu que lhe recomendei este restaurante.»
«Sabias que ele vinha aqui?»
«Sim. Porquê? Mas senta-te. O Ferreira anda maluco com uma correspondente, uma "Filó", que conheceu na Net.
Isabel ficou lívida. Não sabia o que dizer nem como comportar-se. Não queria estar ali. Mas se insistisse em saír não seria pior? Fernando, olhando para trás diz para o Ferreira e sua acompanhante: «por que não vêm comemorar connosco?, sentem-se aqui.»
Isabel queria gritar. Tirem-me daqui, pensou.
«O que estás a fazer Fernando?»
«A convidá-los para a nossa mesa, importas-te»
Isabel ficou calada. Não sabia o que fazer nem dizer.
«Então Ferreira. Sempre te decidiste a vir a este restaurante?, apresento-te a minha mulher, Isabel.»
«Muito prazer minha senhora» e apontando para a simpática e sorridente esposa, «a minha mulher Ana Ferreira.»
Isabel cada vez mais perplexa não conseguia estar sentada sem se remexer incomodada.
Ana Ferreira e o marido, pareciam brincar com a situação. Olhavam Isabel e sorriam. Isabel encolhida, não pronunciava palavra.
«Oh! Ferreira, sempre conheceste a "Filó"?,» disse Fernando e simultaneamente olhou para a mulher.
Isabel levantou-se vermelha de raiva. Estavam a brincar com ela.
Todos se levantaram. Fernando, o marido, pegou-lhe num braço com delicadeza e disse-lhe ao ouvido. «Senta-te que vais ter uma agradável surpresa.»
Isabel estava transtornada. O marido tentou acalmá-la.
«Hoje fazemos cinco anos de casados, parece que foi ontem.»
Depois de ver a mulher um pouco mais calma disse: «Quiseste brincar comigo e eu fiz-te a vontade.»
«Brincar? Como? Que queres dizer?» Respondeu a mulher com os olhos arregalados.
«Recordas-te do primeiro e-mail que me enviaste? Assinaste Filó, mas esqueceste que apenas o diretor Ibérico, o nosso banco e tu, têm acesso a esse endereço. Nem no escritório o conhecem. Consequentemente, só poderia ser teu. O Ferreira apenas me fez o favor de, em meu lugar, estar presente no restaurante. Se tivesses ficado um pouco mais, verias a sua linda esposa, Ana a chegar.»
Todos riram, menos Isabel que, com ar envergonhado deu um meigo encontrão ao marido e lhe disse: «Seu mausão a enganar a sua mulherzinha.»
«Quem, eu?» Interrogou o marido.
«Tens a certeza, Catarina?»
«Absoluta. Estive sentada mesmo à entrada e reparei em todos os homens que entravam. Aquele senhor é demasiado charmoso para passar despercebido.»
«Ok, obrigada Catarina.»
Isabel ficou desconsertada. Não sabia o que fazer. No seu PC não viu o Fernando em linha. Porque não aparecera? Era estranho, deveria ter comparecido... ou não? Aguardaria uma mensagem sua. Deveria haver uma forte razão.
Nestes pensamentos nem repara que Fernando acabara de entrar em contacto.
«Olá Filó, que aconteceu? Não pudeste comparecer?» Isabel mais confusa ficou. Dizer-lhe que sim, que esteve à sua espera? Ele tinha razão. Não comparecera. Mas se Fernando esteve lá como é que Catarina não o viu? Resolveu dizer a verdade.
«Perdoa-me Fernando. Um imprevisto reteve-me no escritório e como não podia contactar-te...»
«Por esta vez perdoo-te. Marca outro encontro, mas recorda-te que não te conheço. Tu terás de te dirigir a mim, embora pela descrição que de ti fizeste não será difícil reconhecer-te.
«Está bem. Na próxima segunda-feira estás disponível? Poderíamos almoçar juntos, para te compensar da minha falta.»
«Está bem. Terei muito gosto. Escolhe o restaurante e a hora.
Em casa nada fazia prever que o marido andasse comprometido com uma "Filó". Continuava o mesmo marido terno e afável. Na próxima segunda-feira faziam cinco anos de casados e ele tinha marcado um almoço com outra. Isabel começou a temer que algo de mal pudesse vir a acontecer. A sua amiga bem a avisara. Mas já agora levaria o caso até ao fim. Na segunda-feira iria almoçar com ele e logo lhe diria das boas.
O relógio do escritório de Isabel marcava 12h30. Do escritório ao restaurante demoraria cerca de trinta minutos. Meteu-se no carro e pelo caminho imaginou a cena. Ela ao entrar, o marido ficaria espantado. Qual seria a sua reação? Ainda pensou em voltar para trás, mas assim ficaria na eterna dúvida. Não. Iria e ele é que tinha procedido mal. Logo no dia do seu aniversário de casamento. Era demais. E se acontecesse o contrário?, não tinha pensado nisso. Se o marido julgasse que era ela que andava a meter-se com outro Fernando? Não, não. Isso não ia acontecer. Ela sabia bem que o marido nunca pensaria assim.
Pouco passava da uma. A tremer e até com certo receio, entra no pequeno mas requintado restaurante.
Um cavalheiro sorridente, sentado muito próximo da porta de entrada, levanta-se e aproxima-se de Isabel.
«Olá Filó!, mentiste-me, não tens olhos verdes ou usa lentes de contacto?»
«Quem é o senhor???» Disse Isabel muito espantada.
«Sou o Fernando, mas... não me conheces? Disseste-me que me conhecias bem...»
«Há qualquer coisa que não entendo. Eu conheço bem o Fernando Oliveira. Quem é o senhor?»
«Eu sou Fernando Ferreira, a Filó marcou este restaurante para eu a conhecer.»
«Peço desculpa mas há um enorme equívoco. Tenho de me retirar.»
«Mas, almocemos e conversaremos durante o almoço» insistiu o cavalheiro.
«Não. Peço desculpa. Esqueça o meu e-mail. Esqueça tudo o que se passou. Por favor não me contacte mais. Eu queria encontrar-me com alguém que conheço bem e não com um desconhecido» disse Isabel e sem mais delongas abandona o restaurante.
A sua cabeça não conseguia raciocinar. Quem era aquele homem? Teria ela andado a corresponder-se com um desconhecido? Dirigiu-se para o escritório. Não almoçou nem conseguiu trabalhar. Fechou-se no seu gabinete e não atendeu ninguém. Mexia e remexia em papéis mas não conseguia vê-los. Durante mais de duas horas não conseguiu tirar o estranho personagem que a aguardava para almoçar. Agora compreendia por que a sua empregada não vira o seu marido na Verssailles, seria aquele cavalheiro que lá estivera à sua espera? De repente correu para o computador. O seu primeiro e-mail enviado era sem dúvida para o seu marido, embora assinado com Filó. Como era possível aquele senhor ter-se correspondido com ela através do MSN? Nada fazia sentido. Bruscamente o seu telemóvel toca. Era o seu marido. Atendeu a tremer e receosa: «querida, não faças jantar para hoje. Vamos jantar fora.É o dia do nosso aniversário. Vou-te buscar ao escritório às oito.»
Com um enorme ramo de flores, Fernando Oliveira entra pelo escritório da mulher e dá-lhe um beijo muito terno.
«Despacha-te, estou cheio de fome» disse o marido, sorrindo para Isabel.
«Eu também. Não almocei...» mas logo se arrependeu do proferido.
«Porquê» perguntou Fernando
«Muito que fazer» mentiu Isabel.
No restaurante, o marido como sempre muito atencioso, olhava-a carinhoso. Isabel não se sentia bem desde a hora do almoço.
Repentinamente Isabel dá um salto e põe-se de pé. E, numa vós abafada diz: «vamos embora.»
«O que aconteceu? Parece que viste o diabo.»
«Não é nada, mas não me sinto bem» disse Isabel não tirando os olhos do cavalheiro à sua frente, que entretanto lhe sorria. Era o mesmo com quem se encontrara à hora de almoço.
O marido olhando na direção do olhar da mulher viu o cavalheiro e saudou-o: «Olá Ferreira»
«Conheces aquele homem?» Perguntou Isabel.
«É um colaborador meu. Faz hoje anos e vem com a sua mulher jantar. Fui eu que lhe recomendei este restaurante.»
«Sabias que ele vinha aqui?»
«Sim. Porquê? Mas senta-te. O Ferreira anda maluco com uma correspondente, uma "Filó", que conheceu na Net.
Isabel ficou lívida. Não sabia o que dizer nem como comportar-se. Não queria estar ali. Mas se insistisse em saír não seria pior? Fernando, olhando para trás diz para o Ferreira e sua acompanhante: «por que não vêm comemorar connosco?, sentem-se aqui.»
Isabel queria gritar. Tirem-me daqui, pensou.
«O que estás a fazer Fernando?»
«A convidá-los para a nossa mesa, importas-te»
Isabel ficou calada. Não sabia o que fazer nem dizer.
«Então Ferreira. Sempre te decidiste a vir a este restaurante?, apresento-te a minha mulher, Isabel.»
«Muito prazer minha senhora» e apontando para a simpática e sorridente esposa, «a minha mulher Ana Ferreira.»
Isabel cada vez mais perplexa não conseguia estar sentada sem se remexer incomodada.
Ana Ferreira e o marido, pareciam brincar com a situação. Olhavam Isabel e sorriam. Isabel encolhida, não pronunciava palavra.
«Oh! Ferreira, sempre conheceste a "Filó"?,» disse Fernando e simultaneamente olhou para a mulher.
Isabel levantou-se vermelha de raiva. Estavam a brincar com ela.
Todos se levantaram. Fernando, o marido, pegou-lhe num braço com delicadeza e disse-lhe ao ouvido. «Senta-te que vais ter uma agradável surpresa.»
Isabel estava transtornada. O marido tentou acalmá-la.
«Hoje fazemos cinco anos de casados, parece que foi ontem.»
Depois de ver a mulher um pouco mais calma disse: «Quiseste brincar comigo e eu fiz-te a vontade.»
«Brincar? Como? Que queres dizer?» Respondeu a mulher com os olhos arregalados.
«Recordas-te do primeiro e-mail que me enviaste? Assinaste Filó, mas esqueceste que apenas o diretor Ibérico, o nosso banco e tu, têm acesso a esse endereço. Nem no escritório o conhecem. Consequentemente, só poderia ser teu. O Ferreira apenas me fez o favor de, em meu lugar, estar presente no restaurante. Se tivesses ficado um pouco mais, verias a sua linda esposa, Ana a chegar.»
Todos riram, menos Isabel que, com ar envergonhado deu um meigo encontrão ao marido e lhe disse: «Seu mausão a enganar a sua mulherzinha.»
«Quem, eu?» Interrogou o marido.
Kiko,
ResponderEliminarmais um texto e, noto que vc cria situações que prendem nossa atenção. são finais inimagináveis. Penso em várias situações. Até na amiga do escritório traindo com o marido...., mas afinal, vc é um escritor criativo. Realmente o título diz tudo: brincadeiras perigosas: internet é isso aí. Tudo pode acontecer. Parabéns por mais um texto de alto nível.
beijinhos.
Kika