terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O Crime não Compensa

Maria, empregada da limpeza daquele escritório na avenida da Liberdade, entrou e, mal abriu a porta do escritório deparou-se com o seu patrão debruçado sobre a secretária. Um jorro de sangue escorria da cabeça do senhor Fausto. Apavorada galgou escadas abaixo numa gritaria e, já na rua, com uma cara de terror continuou com a gritaria.
«Que aconteceu minha senhora?» Alguém perguntou.
Tartamudeando conseguiu articular: «o senhor Fausto matou-se.»
«Quem é o senhor Fausto?» Indagou o mesmo transeunte.
«É o meu patrão, lá em cima, está morto.»
O passante tentou acalmá-la, discando do seu telemóvel para o 112.
«Acalme-se e aguarde aqui um pouco, vem aí já uma ambulância.»
Esmeralda, uma jovem senhora, elegante e bastante atraente, não aparentando os 30 anos que já tinha, era casada com Fausto Cerqueira, cavalheiro na casa dos 50, bem formado e seu sócio numa prestigiada empresa imobiliária.
Há cerca de 10 anos Fausto e Gustavo, este último bastante mais novo, amigos de longa data, tinham planeado formar a sua própria empresa de venda de andares.
Tendo adquirido prática numa imobiliária onde eram ambos empregados resolveram montar o seu próprio negócio. Entretanto Fausto, recentemente casado com Esmeralda, licenciada em gestão de empresas e necessitando de um contabilista, por acordo comum, formou-se uma sociedade a três.
A imobiliária laborava em plenitude, mercê de uma boa colaboração entre sócios e empregados.
Um alvoroço de carros da polícia, ambulância, pessoal forense e outros agentes, coordenavam à porta ou dentro do escritório, composto por 3 salas. Estava vedada a entrada de qualquer pessoa externa a estes serviços no escritório. Curiosos e empregados de outros andares, aglutinavam-se tentando perceber o porquê daquela azáfama.
Fausto jazia sobre a secretária com uma arma na mão, banhado em sangue. A morte ocorrera algumas horas antes. Fotógrafos, pessoal de luvas cirúrgicas, inspetores, investigavam tudo. Uma folha de papel dobrada, com uma pequena mensagem e assinada tinha sido colocada sobre o computador. Tudo que parecesse importante era recolhido em saquetas de celofane com o máximo cuidado. Um inspetor baixa-se e deteta um pequeno objeto debaixo da secretária. Parecia um botão. Tudo indicava tratar-se de um suicídio.
Recolhidas todas as provas julgadas suficientes, o pessoal forense retirou-se e o cadáver recolheu ao Instituto de Medicinal Legal. Foram chamadas a depor todos os empregados e sócios. Tudo apontava para um caso de suicídio e dias depois seria encerrado o processo, não fora um pormenor que despertou a curiosidade do inspetor da P.J., a carta deixada pelo defunto era demasiado lacónica. Leu-a mais uma vez não compreendendo a razão de tal missiva isenta de explicações. Uma pessoa quando pretende suicidar-se, pode optar por fazê-lo sem explicações ou, se pretende divulgar ser esse o seu desejo fá-lo deixando uma missiva mais concludente, nunca “Estou cansado da vida e de todos.” Apenas isto, e assinado.
«Faça o favor de entrar senhor inspetor.» Disse Esmeralda para o inspetor da P.J. que acabara de lhe bater à porta.
Esmeralda, vestida de luto, mas com gosto, não deixava de ser uma interessante mulher. As suas longas e bem arranjadas unhas pintadas de vermelho escuro, tal como as vira no dia anterior na esquadra, mostravam ser uma pessoa requintada que pouco ou nada fazia em casa. Vivia num belo apartamento não acessível a qualquer pessoa.
«D. Esmeralda, o seu falecido marido utilizava o computador para escrever a clientes ou fornecedores?»
«Pouco. Ele não gostava de escrever. Pedia-me sempre para ser eu a fazê-lo.» Retorquiu Esmeralda e perguntou: «porquê?»
«A carta que deixou é tão parca em palavras… não lhe parece?»
«Ele era assim. Falava muito, mas escrever não era com ele. Não sei se era trauma, por todos gozarem com ele por escrever de cima para baixo.» Disse isto ao mesmo tempo que, com a mão esquerda fingia escrever sobre a mesa.
O inspetor olhou para o imaginário papel onde Esmeralda fingiu escrever.
«Mas… como é possível escrever de cima para baixo? Só se o fizer com a mão esquerda.»
«O meu marido era esquerdino.» Respondeu.
«Não estranhou o seu marido não ter vindo jantar nessa noite?»
«Ele telefonou-me a dizer que ia ao Porto nessa noite e dormiria lá, tinha um assunto a tratar no dia seguinte, muito cedo.»
«Era normal esse procedimento?» Indagou o inspetor.
«Raramente, mas acontecia.»
«A D. Esmeraldo ficou sozinha cá em casa?»
«Não. Fui a casa da minha mãe e dormi lá.»
Após mais uma breve conversa informal, o inspetor Ferreira despede-se com um até breve.
Já na rua, liga ao seu colega e pede-lhe que siga de imediato para o escritório. Há algo de muito importante sobre o suicídio de Fausto Cerqueira.
No escritório, o inspetor e colega olham as fotografias do malogrado Fausto.
«Não há dúvida. O tiro foi no lado direito da cabeça. Achas que um canhoto se serve da mão direita no derradeiro momento?»
«Não me parece.» Disse Jorge, colega do inspetor Ferreira e continuou «a porta da entrada do gabinete fica precisamente do lado direito de quem está sentado à secretária.»
«Estás a pensar o mesmo que eu? Mas quem e porquê o assassínio?» Pensa em voz alta o inspetor.
«Há também um novo caso que descobri esta tarde» disse Jorge e continuou «a carta não foi assinada pelo defunto, mas sim digitalizada, além disso não tem impressões digitais.»
«Quer dizer que alguém com luvas redigiu a carta no computador e digitalizou a sua assinatura.»
«Sim, é verdade. Creio que temos um caso de assassínio.» Ajustou Jorge.
«Vamos começar pelo princípio. A D. Esmeralda nessa noite dormiu em casa da mãe. O seu sócio estava em casa com sua mulher. Todavia, alguém com chave do escritório entrou, seriam cerca das 9 da noite, hora da morte do senhor Fausto, segundo o médico.»
«A senhora da limpeza também tem chave do escritório, mas segundo o seu depoimento, há 7 dias que lá não ia. Fazia a limpeza uma vez por semana» disse Jorge continuando, «não me parece obra dela.»
«Também creio. E por que motivo o faria?»
«Há mais um personagem nesta história, mas não estou a ver quem.» Informou o inspetor.
«Vamos voltar a falar com todos. Qualquer coisa nos está a escapar.» Afirmou Jorge.
«Analisaste o botão que estava debaixo da secretária?» Perguntou o inspetor.
«Sim, parece um botão de uma manga de casaco de homem. Provavelmente um casaco castanho e, curiosamente, sem impressões digitais. Mas, num dos buracos do botão, encontrámos um fragmento de verniz, provavelmente verniz de unhas de senhora.»
«Sim? De que cor?»
«Vermelho escuro, cor de sangue.»
«QUÊ? Conheço alguém que usa essa cor de verniz, D. Esmeralda.»
Mais uma vez o inspetor se desloca a casa de D. Esmeralda, levando o botão dentro duma saqueta transparente.
«Não, não conheço, parece-me um botão de casaco de homem. O meu sócio, Gustavo, tem um casaco que poderá faltar esse botão.»
«Não teria tocado nele sem querer?» Perguntou o inspetor.
«Não tenho ideia nenhuma.»
Sem mais detalhes o inspetor despede-se e segue para casa de Gustavo.
«Boa tarde senhor Gustavo.» Disse o inspetor quando este lhe abriu a porta.
«Faça o favor de entrar» convidou o visitado e continuou «minha mulher Luísa.» Apresentou Gustavo ao inspetor.
Ao apertar-lhe a mão, o inspetor não deixou de reparar nas unhas de Luísa, verificando que não usava verniz.
«Senhor Gustavo. Este botão pertencerá a algum dos seus fatos?»
«Não me parece, pelo menos não dei por falta de nenhum. Luísa! Reparaste se me falta algum botão em algum dos meus fatos?» Perguntou Gustavo mostrando-lhe o botão.
«Não reparei, mas esse botão parece igual aos das mangas do teu fato castanho claro. Eu vou ver.» Segundos depois Luísa traz um casaco e mostra a manga com a falta do referido botão. «É deste casaco, não tinha reparado. Onde o encontrou inspetor?»
«No escritório do seu marido. Deve ter caído. Não se importam que eu leve o casaco por uns dias? Desculpem, mas são ossos do ofício.»
Claro que não se importaram e o casaco, ou melhor, o local onde deveria ter existido o botão em falta, foi analisado à lupa.
«Repara Jorge» disse o inspetor ao seu colega continuando «este botão não caiu normalmente, foi cortado com uma tesoura. Vê o aglomerado de linhas todas da mesma altura.»
Inspetor e colega davam voltas aos apontamentos tentando descobrir o que não batia certo.
«Inspetor!» Gritou Jorge como que tivesse descoberto algo importante. «São apenas conjeturas, mas, repare: D. Esmeralda corta o botão do casaco do seu sócio e com a unha retira as linhas que ficam no botão deixando-o debaixo da secretária para mais tarde ser descoberto por nós. Incrimina o seu sócio e, com seu marido morto, fica sozinha na sociedade.»
«É bem observado, mas também pode ser obra de Gustavo, seu sócio.»
«Então e o verniz.» Pergunta Jorge.
«Pode ter retirado uma partícula do computador de Esmeralda e inseri-lo no botão, a fim de a incriminar.»
«Nesse caso temos dois suspeitos. O difícil é saber quem é o autor. Ambos têm álibis perfeitos.»
«Pode haver um cúmplice, ou de um, ou de outro. Também pode haver conivência entre ambos. Vamos seguir todos os seus passos 24 horas por dia. Alguma coisa se descobrirá.»
Após 3 dias de apertada vigia tanto a Esmeralda como a Gustavo, em nada logrou a sentinela ministrada pelos agentes da Judiciária. Ambos mantinham a rotineira trabalho/casa e pouco mais. Os seus telefones foram colocados sob escuta, mas nem com isso se fez qualquer luz. O desespero da P.J. não a desincentivou. Mais tarde ou mais cedo desvendariam o caso.
Enquanto os agentes colocados em locais estratégicos e munidos de binóculos perscrutavam as entradas e saídas dos vigiados, o inspetor e ajudante examinavam, ampliavam e folheavam as dezenas de fotos tiradas no local do crime.
«INSPETOR!» Grita Jorge correndo de encontro a este empunhando uma foto em tamanho gigante. «Olhe estas pegadas aqui junto à secretária do assassinado.»
Uma fotografia ampliada mostrava um vestígio de uma pegada e, junto à mesma, pequenos grãos que pareciam ser de terra.
Jorge e inspetor de imediato se dirigiram para o local do crime, guardado por um agente à civil.
«Alguém entrou aqui?» Perscrutou o inspetor identificando-se.
«Não senhor inspetor.»
Entraram, limpando cuidadosamente os pés como se entrassem num salão real. Olharam o local onde antes tinham visto a pegada na foto. O inspetor baixou-se, recolheu dois ou três grãos de terra avermelhada, mediu a pegada, anotou num caderninho alguns apontamentos, tirou mais 3 ou 4 fotos e saíram.
Já no laboratório o inspetor chegara à conclusão de que se tratava de pó de tijolo, o mesmo que é usado nos cortes de ténis. A pegada era de um ténis, n.º 44. Alguém, provavelmente jogador de ténis, tinha ali entrado. Era um homem com certeza. Quem?
Oito dias após a apertada vigilância às duas personagens em questão, eis que algo de interessante se desenrola aos olhos dos incansáveis detetives: um automóvel para muito próximo da porta de Esmeralda. Um cavalheiro de estrutura hercúlea sai do carro e toca a uma das campainhas do prédio onde mora Esmeralda. Era um prédio moderno, de nove andares com uma habitação por piso. O amplo hall de entrada deixava ver uma larga escadaria de mármore com cinco degraus. Ao fundo, um elevador eletrónico mostrava com algarismos luminosos o andar onde se detinha o ascensor. Com a sua zoom fotografou o carro o homem o andar onde se deteve o elevador, o 5.º, o mesmo onde morava Esmeralda. Eram 9 horas e 5. Dez minutos depois, desce, volta a entrar no carro e arranca. Não valia a pena segui-lo. O agente oculto na sua viatura estava de posse do nome e morada do proprietário da viatura. Agora seria mais um personagem a auscultar.
Renato, sócio gerente de uma imobiliária nos arredores de Lisboa, era um cavalheiro alto, de compleição atlética.
Era quinta-feira e um agente da judiciária espia à porta do seu escritório os passos de Renato. Cerca das 6 e meia da tarde, Renato, o mesmo que dois dias antes entrara na casa de Esmeralda dirige-se para casa e minutos depois sai equipado com fato de treino e raquetes de ténis. Entra no carro e converge para um clube de ténis próximo. Tratava-se de um clube privado, destinado a sócios e convidados. Ao portão, o agente aguarda cerca de uma hora, olhando os frequentadores daquele clube que vão entrando e outros saindo após terminado o jogo.
Toca a campainha e, mostrando o seu crachá, pergunta se o senhor Renato ainda se encontra a jogar.
«Está sim, está a jogar no campo n.º 3. Deve estar a terminar.» Informa o empregado.
«Discretamente informe o pessoal da limpeza do campo que me deixe examinar o piso logo que o senhor Renato acabe o jogo e, assim que o senhor Renato saia do balneário, informe-me. Estarei junto ao campo.»
«O senhor Renato não costuma ir ao balneário; veste o fato de treino no campo e segue logo para casa. Há algum problema?»
«Não, não há problema nenhum, faça o que lhe digo e mantenha-se discreto.»
De longe o inspetor assiste aos últimos momentos da partida de ténis e, tal como era previsto, Renato despede-se do seu adversário, veste o fato de treino e abandona o campo.
Aguardando o tempo suficiente para a saída de Renato, o inspetor entra no campo de máquina fotográfica em punho, lupa e fita-métrica. Analisa, fotografa e mede as marcas deixadas pelos ténis de Renato.
Nas instalações da P.J., inspetor e ajudante, analisam as fotografias. Não restavam dúvidas, as marcas eram idênticas. As pegadas no escritório eram as mesmas deixadas no campo de terra batida daquele corte de ténis.
«Que fazemos agora, inspetor?» Pergunta Jorge, ao seu superior.
«Vamos intimar Esmeralda e Renato para comparecerem aqui, ambos no mesmo dia e à mesma hora.»
Segunda-feira 9 da manhã, Esmeralda apresenta-se na P.J.
«Tem mais alguma novidade, inspetor?» Pergunta Esmeralda ao cumprimentar o inspetor.
«Talvez, mas aguarde uns minutos nesta sala, por favor.» Disse o inspetor pegando-lhe amavelmente pelo braço e introduzindo-a num pequeno gabinete onde apenas uma secretária e quatro cadeiras compunham o mobiliário. Alguns minutos depois alguém bate à porta e simultaneamente fazem entrar um segundo personagem, o senhor Renato.
«Senhor Renato. Peço-lhe só dois minutos, volto já.» Disse o agente que o introduziu na mesma sala onde se encontrava Esmeralda.
Esmeralda e Renato olham-se espantados. «Não sabia que também vinhas.»Disse em voz sumida Esmeralda.
«Chiu» disse Renato olhando-a e fazendo um impercetível sinal para que mantivesse distante e calada, mostrando-lhe com o olhar uma minúscula câmara de vídeo. Tarde de mais. Esta curta conversa e gestos foram captados pelas câmaras dissimuladas no gabinete. Minutos depois o inspetor e ajudante entram no gabinete.
«Façam o favor de nos acompanhar.» Disse o inspetor.
Jorge, dando o braço a Renato, pede-lhe para o acompanhar, enquanto o inspetor leva Esmeralda para outro gabinete.
«Senhor Renato» começa Jorge, «conhece D. Esmeralda?»
«Não. Deveria conhecer?»
«Na passada semana esteve em sua casa, mais precisamente na terça-feira, pelas 9 horas e 5 minutos, saindo 10 minutos depois.»
«Ando a ser vigiado?» Indaga furioso Renato.
«Sim, anda. O que fez no dia 9 de setembro pelas 21 horas?»
«Sei lá? Que dia de semana era?»
«Quinta-feira»
«Estive a jogar ténis.»
«A que horas saiu do clube de ténis?»
«Cerca das 9, porquê?»
«Foi o dia em que o marido de D. Esmeralda se suicidou.»
«Bom. É verdade que fui a casa de D. Esmeralda. Tinha assuntos de negócio a tratar com ela. Foi Esmeralda que me pediu, para tratarmos de assuntos da empresa do marido, uma vez que ele se tinha suicidado, pretendia um novo sócio e como eu tinha uma imobiliária, pensámos juntar as duas empresas.»
«Sabia que o seu defunto marido era canhoto?» Renato numa fração de segundo empalideceu, mas rapidamente se recompôs e retorquiu.
«Sabia sim, mas porquê? Isto é uma investigação?»
«É sim, uma investigação. O senhor Gustavo não se suicidou, foi assassinado.»
«E que tenho eu a ver com isso? Não respondo a mais nenhuma pergunta sem a presença do meu advogado.»
«Muito bem. Pode telefonar ao seu advogado, volto dentro de minutos.» Disse Jorge deixando Renato sozinho no gabinete.
Não passaram dois minutos e novamente Jorge, desta vez acompanhado pelo seu chefe, irrompeu no cubículo.
«Senhor Renato» começou o inspetor, «a sua amiga Esmeralda já confessou tudo. São ambos coniventes na morte de Gustavo. As provas estão nas pisadas de ténis deixadas no escritório do malogrado assassinado. Os seus ténis denunciaram-no.»
Renato empalideceu.
«Foi ela…» e arrependendo-se do que disse, continuou «Esmeralda foi forçada a mentir. Vocês obrigaram-na a mentir.
«Ambos vão ficar detidos até julgamento. As provas de que dispomos são suficientes para isso. Fale com o seu advogado e voltaremos a falar, mas desta vez em tribunal.»
 
 
Esmeralda, autora da carta de suicídio, dera a Renato a chave do escritório, o revólver retirado da secretária do marido, o botão do casaco do seu sócio a fim de o comprometer e a carta supostamente redigida pelo marido. Fora provada a relação entre ambos havia mais de um ano. Pretendiam eliminar marido e sócio, e juntar ambas as empresas imobiliárias numa só. Tudo ficou comprovado e confessado. O crime não compensa.

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