domingo, 13 de janeiro de 2013

O Rei Embevedado de Amor

O termo embevedado deverá tratar-se um misto entre embebedado e embevecido (mas quem sou eu para pôr em dúvida tal palavra quando esta foi escrita por um licenciado em história?), não importa o que penso, apenas pretendo informar que este é o início de um título de um livro recentemente lido, aproveitando a oportunidade para agradecer ao meu amigo Pedro a sua ideia da oferta, sabendo que adoro livros de história.
 
Sérgio Luís de Carvalho, licenciado em História Medieval, escreveu: ‘O rei embevedado de amor, A rainha pé de cabra, As amantes feiticeiras do rei que casou com a cunhada’ e é sobre este livro publicado em outubro passado que inicio o meu blogue.
 
Trinta e quatro réis governaram o nosso país até à presente data. Bem?, mal?, não sei. Não descendo deles, não são do meu tempo.
A história de Portugal é-nos contada na primária de uma forma épica, carregada de heróis, descobridores, guerreiros, conquistadores, etc., etc. Sérgio de Carvalho mostra-nos o outro lado da história (não contestando claro está o que aprendemos na escola), mas descrevendo-nos de uma forma airosa e divertida cheia de sensacionalismo, o irónico, o bizarro e a desconhecida vivência dos nossos monarcas e suas esposas reais.
 
São histórias reais (reais de reis e de veracidade), conforme se poderá verificar pelas fontes bibliográficas consultadas. São mais de duzentas histórias dos trinta e quatro monarcas, trágicas, carregadas de assassínios, incestos, bigamias, pedofilia e outras misérias reais.
Os trovadores com as suas cantigas de escárnio e maldizer (a comunicação social da época), dão-nos a conhecer a vida íntima dessa realeza, como se de revistas do jet-set se tratasse.
A subtileza mordaz dada a cada página por Sérgio Luís de Carvalho obriga-nos a sorrir, como por exemplo quando descreve na vida íntima de D. Dinis, cujo passatempo favorito era atraiçoar a sua real esposa, D. Isabel de Aragão:
‘A sua joie de vivre estendia-se às mulheres, como é de supor. São várias as amantes conhecidas, como D. Branca Lourenço de Valadares, ou D. Maria Rodrigues de Chacim, como D. Aldonça Rodrigues da Telha ou D. Maria Pires, para não falar das freiras do Mosteiro de Odivelas, com as quais, segundo rezam as lendas e más-línguas, ele mantinha animados encontros pela calada da noite. Dessas amantes nasceram vários bastardinhos…’  e mais adiante continua ‘«Foi el-rei D. Dinis […] mui dado a mulheres. E segundo parece não conversou com poucas. Conversou? Ora aqui está um belo eufemismo.’ E mais adiante continua: ‘Aos prazeres do corpo D. Dinis acrescentava os prazeres do espírito. Tanto melhor.
E no meio de toda esta atividade sensual, como ficava a rainha?’
Ou então compara os feitos da época aos feitos (ou não feitos) de hoje, como se pode ler no reinado de D. Manuel II, após o regicídio de D. Carlos e de D. Luís:
‘…Também segundo se pensa, este Ribeiro fora um dos homens que, no Terreiro do Paço, teriam participado no atentado. Mas o inquérito feito posteriormente nada apurou de concreto sobre a identidade de todos os implicados nem sobre as ramificações políticas. Quem estava envolvido? Que ligações tinham? Quem lhes deu as armas? Agiram individualmente ou sobre instruções precisas? Como de costume, o inquérito deu em nada – uma tradição portuguesa que, como vemos, já vem de longe…’
 
Uma leitura agradável, descrita com seriedade e isenta de sensacionalismos, Sérgio Luís de Carvalho mostra-nos o lado obscuro da nossa história ou melhor da história dos nossos reais governantes de uma forma divertida.

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