Boticas, vila
transmontana a cerca de 20 km de Chaves, possui agora um hotel de quatro
estrelas bastante acolhedor. Esta localidade atraente rodeada de montanhas onde
tenho amigos, é visitada amiudadas vezes não só por esse motivo, mas também
pela natureza e calma que aí podemos desfrutar. A vila com os seus pouco mais
de 1.200 habitantes (5.750 em todo o Concelho, censos de 2011), possui uma
gastronomia invejável onde o fumeiro da vitela barrosã é rei e a truta recheada
rainha. A igreja gótica de Lampiões e as românicas de Beça e Covas de Barroso
não podem deixar de ser visitadas.
Quando reservei o hotel para um fim
de semana, não me apercebi da ligação entre a arte e a saúde pela água, tal
como se intitula o hotel: Boticas Hotel
Art & SPA. Apercebi-me disso
quando ali cheguei.
Nos anos 80 do passado século, estando
eu ao serviço da Bic esferográficas,
deslocava-me com frequência à cidade do Porto e aí expunha os nossos artigos,
primeiramente em salões de hotéis e posteriormente em instalações próprias. A
nossa gama era constituída por esferográficas da marca Bic, Biro e Ballograf, relógios Cartier,
isqueiros, máquinas de barbear e poucos mais, artigos para revenda e para promoção
publicitária.
Foi nessa altura que conheci alguns
pintores nortenhos como o Nadir Afonso
entre outros, infelizmente já não fazendo parte dos vivos. Convidava-os nessas alturas
para tomarem uma bebida e numa conversa informal pedi-lhes que expusessem as
suas pinturas nas paredes vazias das nossas exposições. Foram verdadeiras obras
de arte a decorar os nossos humildes artigos.
Nadir Afonso (1920-2013) era, para
além de notável pintor, um diplomado em arquitetura. Simpático, pensador e um
interlocutor admirável. A sua fundação em Chaves, inaugurada em julho de 2014,
homenageou o pintor e arquiteto flaviense (obra de Siza Vieira).
Foi com imensa alegria e espanto
que, ao chegar ao hotel de Boticas, deparo com um hotel acolhedor anexando o “Centro de Arte Nadir Afonso”. Não pude
deixar de o visitar. As suas cerca de uma centena de obras ali expostas,
fizeram-me recordar os anos que trabalhei na BIC e os serões agradáveis passados com aquele simpático artista
plástico e filósofo.
A obra orçada em cerca de 2,5
milhões de euros (a maior parte comparticipada pelo FEDER, foi, na altura,
muito contestada por uns, uma obra megalómana e lembraram a migração de
cerca de 30% dos botiquenses nos últimos vinte anos e aplaudida por outros que
reconheciam o valor patrimonial dedicado a Boticas, uma vez que a mãe de Nadir era
de Sapelos, uma aldeia do Concelho de Boticas.
Independentemente de concordar ou discordar
deste projeto, a verdade é que gosto de Boticas e seus arredores, gosto dos botiquenses
e gostei do hotel. Desejo o maior sucesso àquela unidade hoteleira que para além
do bom serviço, dá trabalho a umas dezenas de pessoas.
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