Um azar
nunca vem só, mas quando o azar se prolonga por todos os dias da semana, algo
vai mal.
Foi o que se
passou comigo na passada semana. Todos os dias uma pequena peripécia atacou-me.
Eu passo a explicar.
Via Facebook, recebo um convite para uma
festa de aniversário de um sobrinho neto. É-me enviada a morada, dia e hora do
evento. O local é Casal de Cambra. Há anos, pensava eu, não passava por aquela
localidade, pelo que, à cautela, iria lá passar com a ajuda do GPS. Assim fiz.
6 de agosto, segunda-feira anoto a
morada no GPS e sigo o itinerário aconselhado.
- Siga pela estrada indicada, siga 300 m ao
encontro da rotunda, saia na segunda saída. Siga 6 km. Mantenha-se à direita. Saia
na saída a 200 m, siga durante 8 km. Etc.Etc.
Depois de
vários quilómetros pelo eixo Norte-Sul, continuo pela A8, dou voltas e mais
voltas e finamente chego ao destino. Espanto! Estou à porta do meu irmão. Ligo
à minha cunhada.
“ALICE…
estou à tua porta. Não está em casa? Como se chama esta localidade?”
“Casal de
Cambra” respondeu.
“Não sabia,
pensei que fosse Caneças.”
Expliquei-lhe
que, não conhecendo o nome da rua onde moravam nem sequer o n.º da porta, tinha
resolvido localizar o local do evento que afinal seria em casa dela.
7 de agosto, terça-feira vou lavar o
carro a um autosserviço, adquiro uma ficha para a aspiração e qual o meu
espanto, não tenho tapetes. Na garagem onde costumo lavar o carro, mostraram-me
alguns tapetes, mas nenhum era meu. Provavelmente deixei-os num autosserviço qualquer.
8 de agosto, quarta-feira. São 6 da
tarde. Queria aproveitar o resto da tarde para umas tacadas de golfe. Alguém
estacionou em segunda fila impossibilitando-me de sair com o meu carro.
Percorri todas as lojas em volta, mas ninguém sabia a quem pertencia o carro
mal estacionado. Ao fim de muitos minutos resolvi buzinar, mas sem que alguém
aparecesse. Aguardei cerca de meia hora e desisti. Voltei para casa.
9 de agosto, quinta-feira, vou como
habitualmente às quintas, para o escritório. Aguardada uma mensagem depois das
18H00, de forma que, ao sair do escritório, ligo a rede móvel e localizo-me no messanger. Ao descer as escadas, tropeço
(mas não caio), cai o telemóvel que galgou alguns degraus. Verifiquei que não
tinha sofrido danos, mas não sei como, alguns emojis foram enviados para alguém.
10 de agosto, sexta-feira. Não, não foi
uma sexta-feira negra. Foi uma sexta-feira normal, sem incidentes. Pensei que
os azares tinham acabado, mas qual quê, voltaram e mais violentos.
11 de agosto, sábado. Fui ao
aniversário do meu sobrinho neto. Depois de jantar regresso a casa, deixo a
minha mulher à porta e procuro um lugar para estacionar. Tinha levado as chaves
de casa e guardado no porta-luvas. Agora não as encontrava. Ligo para casa, mas
não, não estavam em casa. Depois de procurar em todos os compartimentos do
carro e com a ajuda da lanterna do telemóvel lá as consegui encontrar.
12 de agosto, domingo. Preparava-me
para sair e ir almoçar a casa de um sobrinho, quando me batem à porta. Tinha o
vidro do carro aberto. Desci de imediato. Claro que o vidro da porta do meu
lado estava totalmente descido. As portas destrancadas. Os óculos de sol tinham
desaparecido. O GPS, guardado no porta-bagagens, evaporou-se. Vá lá que me
deixaram 2 moedas de 50 cêntimos que guardo no porta-luvas para
estacionamentos.
A tragédia
continua.
Regresso a
casa pelas 18H00. Deixo e minha mulher à porta, procuro estacionamento e volto
para casa. Dentro do elevador, procuro a chave da porta, mas o porta-chaves
cai-me e em vez de me cair aos pés, cai para o alçapão do elevador.
Com a ajuda
dos vizinhos, tentam com um íman recolher as chaves, mas sem resultado. O íman era
fraco e não suportava o peso das chaves. Conseguiu-se abrir a porta do elevador
no rés-do-chão. Não era muito fundo e prontifiquei-me descer para recolher o
porta-chaves. Escorreguei, no óleo, caí de costas. A custo me levantei. Não me
magoei, mas os braços, o polo e calças ficaram negros, cheios de óleo. Rasguei
as calças, por sinal novas. Tomei um banho e depois de me esfregar com uma luva
de sisal, lá consegui ficar minimamente lavado.
Que mais me
iria acontecer? Pensei ir hoje, segunda-feira, a um cartomante, um astrólogo ou
talvez mandar rezar uma missas pelos meus pecados, mas sou tão bonzinho… penso
não ter pecados que o justificasse. Resolvi desistir de fazer fosse o que
fosse. A segunda-feira decorreu sem incidentes e então pensei que o melhor
seria desabafar convosco e pedir: REZEM POR MIM.
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