terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Diário de Lolita

Dezasseis meses completam o meu nascimento a 5 de fevereiro. Sou já uma senhora. É triste verificar que nem um gato me enviou os parabéns. Estou no facebook, no Google, no sítio Vivehoje, sou uma gatinha conhecida em todo o mundo, mas a verdade é que não me escrevem. Para vos ser franca também não estou muito preocupada com isso. Gatos não me faltam, é só eu querer. Tenho muito tempo.
          Não sei se sabem, gatas e gatos amigos, mas a nossa vida não é tão fácil como devem imaginar. Os nossos donos não nos compreendem. Não são tão felinos como nós. Pensam que ter uma companhia das nossas é apenas dar-nos de comer e fazerem-nos festinhas. Não sabem das nossas necessidades, dos nossos desejos, do interesse que temos em cheirar tudo, de bisbilhotar todos os cantinhos da casa.
          Calculem o que passo quando salto para cima da mesa ou do balcão da cozinha, ou corro para dentro de um armário. É cansativo ouvir a minha dona:
          «Salta já daí, Lolita»
          «Lolita sai de cima da mesa.»
          «Lolita, não te quero em cima do balcão.»
          «Sai de dentro do armário, Lolita.»
          É demais. Cansa ouvir constantemente reprimendas. Enfim, é humana e como tal não compreende que, quando salto para cima duma mesa ou dum balcão, pretendo pôr-me à sua altura, mas a minha dona não quer que eu, sendo eu pequenina, tenha de estar à altura dela. Parece que gosta de ver-me de rastos, no chão.
          Há dias descobri um brinquedo que estava numa estante. Uma base com muitas pedrinhas redondas verdes. Dei uma sapatada numa que caiu ao chão, produzindo um barulho agradável sobre o chão de mosaico. Rebolava no chão e eu corria atrás dela até que a bolinha fugiu para debaixo do sofá. Fui logo buscar outra e outra. Eram algumas vinte. Estava sozinha em casa e fartei-me de brincar. Quando a minha dona chegou e viu o tabuleiro só com uma bolinha, começou a gritar comigo. Arredou móveis e sofás e escondeu-me as bolinhas. Não compreendo por que razão, não brincando ela com as bolinhas, não me deixa a mim brincar…
          Enfim, cá vou aguentando esta vida privada das brincadeiras que mais gosto, até um dia. Sim sim, até um dia. Já andei a investigar da minha janela se encontrava um gato jeitoso. Há um que mora mesmo em frente a mim, mas deve ser gay, faço-lhe olhinhos, mas ele, nada. Faz de conta que não existo. Um parvalhão.
          Um dia destes descobri que por baixo de mim havia gatos. Fugi pela escada abaixo e, enquanto os meus donos não me descobriram, sentei-me à porta deles. Ouvi uns miados amaricados. Ou são gays ou capados, mas também não tenho pressa, sou muito nova ainda.
          Quando chegar a altura, agarro nos meus brinquedos, no meu prato da comida, na minha mantinha, meto tudo dentro de um saquinho e saio de casa.
          Envio-vos uns miaus de amizade e em breve voltarei a escrever.

2 comentários:

  1. Está o máximo!!! Lolita nao desesperes, os humanos são mesmo assim e também já não há gatos como antigamente!!! Ah! mas os humanos são gente boa e em particular, os teus donos são uns queridos. Um beijinho com muita amizade.
    Alexandra Rosado

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  2. Obrigado Xana. Vejo que me compreendes. Tenho pena de não te conhecer. Ouvi dizer que tens um cão grande. Gostava de brincar com ele. Vou pedir aos meus donos que me levem a tua casa. Os meus donos gostam muito de ti. Adeus até breve. A minha dona disse-me que um dia ias tomar café com ela. Quando fores passa por minha casa para eu te fazer mais umas queixinhas. Beijinhos grandes.
    Lolita

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