No número 20 da rua da Sofia, em Coimbra, num 2.º andar, viviam quatro estudantes. Era ali que funcionava uma das muitas repúblicas estudantis. A "República dos Monarcas". O Carlos Alves, estudante na faculdade de medicina, filho dum famoso médico trasmontano, liderava esta república. Por ser um dos mais endinheirados do grupo, organizava variadíssimas festas, não só em Coimbra como também fora da cidade.
O Dr. Fernando Alves cirurgião em Vila Real, vivia desafogadamente, mas gostava de controlar os gastos dos seus dois filhos. O mais velho estudava medicina em Coimbra e o mais novo ainda andava na secundária em Vila Real. Carlos Alves, o mais velho, bom estudante, mas um contador de histórias que conseguia do pai sempre os seus intentos. O pai sabia e intimamente apreciava. Todas as vezes que o Carlos lhe pedia dinheiro extra, algo de invulgar iria acontecer.
Numa tarde de junho, reunidos na República dos Monarcas, um dos elementos do grupo comenta para os colegas:
«Vocês sabem do concerto que vão dar em Lisboa os "Excélios" este fim de semana?» (Excélios, era um grupo rock inglês, muito em voga naquela altura).
«É no estádio do Sporting, não é?» Pergunta o Samuel.
«Serão caros os bilhetes?» Indaga outro.
«Não sei, mas da minha parte arranjo pelos menos 250,00 euros, é só falar o meu pai,» prontificou-se de imediato o Carlos «vejam quanto conseguem angariar mais e veremos com as passagens e entradas em quanto fica.»
Não foi difícil convencer o papá que de imediato lhe transferiu aquela quantia.
«Para que a tua mãe fique descansada filho, depois do espetáculo mal regresses a Coimbra, envia-nos um e-mail a dizer que chegaste bem e se gostaste dos Excélios.» Pede-lhe o pai.
«Está bem papá, prometo. Dê beijinhos à mãe.»
O preço de ingresso no Sporting para assistir ao concerto dos Excélios era bastante acessível, o problema era conseguir entradas. Há mais de três meses que estavam esgotadas. Não iria devolver o dinheiro ao pai claro está, fariam uma festança na Figueira da Foz inaugurara recentemente uma discoteca, jantariam na Figueira e acabariam a noite na discoteca. Apanhariam o comboio de regresso às seis.
Domingo sete da manhã, estavam os estudantes a chegar a casa perdidos de sono e bem bebidos, mas Carlos Alves, como filho exemplar, teria de escrever ao pai como prometera.
Bebeu um café bem forte e tomou uma aspirina, sentou-se ao computador e, que diria ao pai?
Papá, conforme prometido aqui estou a escrever-vos. Chegámos bem, graças a Deus. O espetáculo foi um êxito. Aqueles Excélios são o máximo. Valeu a pena. O John Wels saltou do palco esteve no meio da multidão e voltou ao palco em ombros. O público delirou.
Três raparigas espetadoras, subiram ao palco e acompanharam o John com uma afinação surpreendente. Uma delas agarrou-se ao John de tal maneira que foram precisos dois seguranças para a retirarem do palco. Entrou em histeria. Foi levada par o hospital pelos bombeiros.
Aquele John tem uma voz que mesmo sem micro conseguia ser ouvido no meio do relvado. Olhe pai, estou convencido que se o pai lá estivesse teria delirado com aquele grupo e teria gritado como todos: "JOHN, TU ÉS O MÁXIMO".
Bem pai, já cumpri o prometido agora vou dormir. Beijinhos para vós e até logo.
São dez da manhã de domingo, o dr. Fernando Alves sai para comprar o jornal e tomar café. Lê a manchete dum diário sobre os Excélios e sorri. Volta para casa e liga o computador.
Conhecia o filho e sabia que teria um e-mail dele. Nunca até à presente data tinha faltado a uma promessa. Estava desejoso de saber o que o filho lhe contaria. Quando acabou disse para consigo próprio: Vê-se mesmo que és meu filho, sacana.
O cirurgião atira para cima do computador o diário que acabara de comprar e que mostrava um acidente na autoestrada envolvendo a caravana em que John Wels viajava na sua viagem para Lisboa e por pouco não sucumbira, encontrando-se hospitalizado, mas sem gravidade. O Espectáculo que iam dar no estádio do Sporting ficara anulado.
FALTOU AO PAI MANDAR UM EMAIL DIZENDO QUE O CONCERTO, FOI CANCELADO PARA "CONSERTO" DO MÚSICO, MAS CADA PAI COM O FILHO QUE MERECE.
ResponderEliminarMUITO INTERESSANTE,
BEIJINHOS
KIKA